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Crônica do Viver Baiano Seiscentista – O Burgo

O Burgo” integra a primeira parte da obra do poeta Gregório de Matos intitulada “Crônica do Viver Baiano Seiscentista”, dividida em quatro partes: “O Burgo”, “Os Homens Bons”, “A Cidade e Seus Pícaros” e “Armazém de Pena e Dor”.

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Gregório de Matos e Guerra, o poeta “Boca do Inferno”, é considerado um dos grandes destaques da sátira no Brasil, pois critica os vícios da sociedade. Em seus versos expõe a hipocrisia da sociedade baiana do século XVII, sem poupar ninguém, nem clero, nem autoridades, nem rico, nem pobre, nem negro, nem branco; característica que o degredou para Angola.

“Meus males de quem procedem?
Não é de vós? claro é isso:
Que eu não faço mal a nada
por ser terra e mato arisco.  

Capa do livro O BurgoIsto sois, minha Bahia,
Isto passa em vosso burgo”

No século XIV as relações comerciais na Europa Ocidental sofreram transformações e os “burgos” (cidades) desprendem-se da paisagem feudal, surgindo desordenadamente no século XV. Assim, o feudalismo tinha fim com o triunfo da burguesia.

A Bahia era o principal burgo da sociedade brasileira seiscentista e é esta cidade, no período barroco, berço da poesia de Gregório de Matos. Sendo o burgo que dá lugar ao burguês, ao clérigo, ao índio, ao negro escravo, aos novos ricos e judeus, aos mulatos alforriados e à prostituição.

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“À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.”

É possível perceber em alguns sonetos traços característicos do diálogo, ambos formas de prestígio para o barroco. Essa mistura de formas pode ser entendida como retomada da decadência de homem e lugar. Nos versos acima é possível perceber a personificação da Bahia, que torna-se submissa e impotente diante da mercantilização.

Em sua linguagem é possível encontrar impressões sensoriais, frases interrogativas, ordem inversa e seu gosto por hipérboles. Nota-se também a oposição entre corpo versus espírito; antropocentrismo versus teocentrismo (tensões do homem barroco); racional versus irracional.

No vocabulário utilizado, há predominância das rimas pobres, considerando a prevalência dos substantivos no final dos versos. Analisa-se que os versos na maioria do formam: soneto decassilábico, o verso heroico, rimas pobres e ritmo bem marcado.

Gregório de Matos faz um retrato das pessoas que vivem no burgo de forma que não prestigia o Brasil, sua obra é marcada pelo sarcasmo que se refere à maioria, tendo a intenção de satirizar todas as camadas sociais. “A Donzela embiocada mal trajada, e mal comida” / “mal Marido penteia monho de corno” / “Clérigo julgador, que as causas julga sem pejo” / “tal Paternidade rouba as rendas do Convento”.

Referências bibliográficas

MATOS, Gregório de. Obra Poética. 3ª ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 1992.

SODRÉ, Nelson Werneck. História da literatura brasileira; seus fundamentos econômicos. 4.ed. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1964. Coleção Vera Cruz, 60.

ALVES, José Édil de Lima. Um soneto de Gregório de Matos – exercício de análise textual. Periódicos ULBRA.

Por: Miriã Lira