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Via Láctea

Em noites límpidas e sem lua, longe das luzes artificiais das áreas urbanas, pode-se ver claramente no céu uma faixa nebulosa atravessando o hemisfério celeste de um horizonte a outro. Chamamos a essa faixa “Via Láctea”, devido à sua aparência, que lembrava aos povos antigos um caminho esbranquiçado como leite. Sua parte mais brilhante fica na direção da constelação de Sagitário, sendo melhor observável no Hemisfério Sul durante as noites de inverno.

A Via Láctea é o nome dado à fraca faixa de luz que se estende através do céu noturno. Sua luz provém das Estrelas e nebulosas em nossa galáxia, conhecida como Galáxia Via Láctea ou simplesmente “a Galáxia”. A Via Láctea tem a forma de uma espiral, com um denso bojo central cercado por quatro braços espiralando pra fora, contidos num halo maior e menos denso. Não podemos observar a forma espiral porque o Sistema Solar está em um dos braços espirais, o braço de Órion.

De nossa posição, o centro da Galáxia está completamente encoberto por nuvens de poeira; em conseqüência, os mapas ópticos fornecem apenas uma vista limitada da Galáxia. Entretanto, um mapa mais completo pode ser obtido pelo estudo de ondas de rádio, infravermelhas e outras.

O bojo central da Galáxia é relativamente pequeno, denso e esférico, contendo principalmente Estrelas mais velhas, vermelhas e amarelas. O halo é a região de menor densidade, no qual as Estrelas mais velhas estão situadas; algumas destas Estrelas podem ser tão velhas como a própria Galáxia (possivelmente 15 bilhões de anos). Os brasões espirais contêm principalmente Estrelas azuis, quentes e jovens, assim como nebulosas.

A Galáxia é enorme: cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro (um ano luz é aproximadamente 9.460 bilhões de quilômetros); em comparação, o Sistema Solar parece pequeno: cerca de 12 horas-luz de diâmetro (13 bilhões de quilômetros). Toda a Galáxia gira no espaço, sendo que as Estrelas interiores se deslocam mais rápido do que as exteriores. O Sol, que está à cerca de dois terços do centro, completa uma volta ao redor do centro da Galáxia a cada 220 milhões de anos.

Via Láctea

No início do século XVII, Galileo Galilei (1564-1642), ao apontar seu telescópio para a Via Láctea, descobriu que ela consistia de uma multitude de estrelas. No final do século XVIII, o astrônomo alemão William Herschel (1738-1822), que já era famoso por ter descoberto o planeta Urano, mapeou a Via Láctea e descobriu tratar-se de um sistema achatado. Segundo seu modelo, o sol ocupava uma posição central na galáxia, mas hoje sabemos que essa conclusão estava errada.

A primeira estimativa do tamanho da Via Láctea foi feita no início deste século, pelo astrônomo holandês Jacobus Kapteyn (1851-1922). Na segunda década deste século Harlow Shapley (1885-1972), estudando a distribuição de sistemas esféricos de estrelas chamados aglomerados globulares, determinou o verdadeiro tamanho da Via Láctea e a posição periférica do Sol nela. Shapley descobriu que os cúmulos globulares (150 deles), que formam um halo em volta na nossa galáxia, estavam concentrados em uma direção; nenhum deles era visto na direção oposta. Ele concluiu que o Sol não está no centro de nossa galáxia. Assumindo que o centro do halo formado pelos cúmulos globulares coincide com o centro de nossa galáxia, ele deduziu que estamos a 30 mil anos luz do centro da Via Láctea, que está na direção da constelação do Sagitário.

Autoria: Leonardo Pereira Gama

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