Cerrado

O domínio morfoclimático do cerrado estende-se por cerca de 1,9 milhão km2, o que significa um terço das paisagens naturais do país. Ocupa principalmente o Brasil central e é a segunda maior área florestal brasileira. No entanto, conserva apenas 20% da cobertura original.

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Seu solo típico de savanas favorece o aparecimento de plantas secas, retorcidas entre arbustos esparsos e gramíneas. A presença de bacias hidrográficas favorece a biodiversidade; estima-se que 10 mil espécies de vegetais, 837 de aves e 161 de mamíferos vivam nesse bioma.

Seu relevo é dominado por vastos chapadões e o clima caracteriza-se pelas elevadas temperaturas com alternância de uma estação seca e outra úmida. Assim, seus rios apresentam caráter perene, mas os canais de menor porte são temporários durante a estiagem do meio do ano.

A flora tende a evoluir de maneira integrada a essa sazonalidade climática, com um tipo de formação no qual os ambientes são mais abertos, com predomínio de espécies arbustivas e herbáceas convivendo com um número menor de árvores. Estas apresentam características específicas como: raízes profundas para captar água do lençol freático, além de caules e troncos tortuosos devido aos constantes incêndios que atingem esse domínio e à elevada acidez de seus solos.

Espécies do cerrado
Nos cerrados predominam as espécies arbustivas e herbáceas.

É possível observar diferentes ambientes nos cerrados brasileiros: há campos limpos, onde ocorre o predomínio das espécies herbáceas entremeadas por campos sujos nos quais se observam gramíneas e arbustos. Além destes, é possível vislumbrar os chamados campos cerrados, com arbustos que chegam a cinco metros de altura e, finalmente, os cerradões, que chegam a formar bosques com grande número de árvores e pequena concentração do estrato herbáceo e arbustivo. Junto aos rios, a maior presença de água faz surgir concentrações de árvores que acompanham seus cursos: é a mata ciliar ou mata de galeria.

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As nascentes no cerrado

O domínio do cerrado apresenta uma grande importância porque abriga as nascentes das maiores bacias hidrográficas brasileiras. As bacias Amazônica e do Tocantins-Araguaia têm 78% de seus mananciais nessa área, 48% das nascentes da bacia do Paraná também estão no cerrado e 78% das que abastecem a bacia do São Francisco brotam nesse domínio.

Mata de galeria às margens do Rio Parnaíba.
Mata de galeria às margens do Rio Parnaíba.

Desde a década de 1950, a pressão econômica vem causando um crescente impacto ambiental nessa área, o que resulta em sua devastação. Cerca de dois terços desse domínio já foram modificados por atividades como a agricultura comercial, que intensifica a erosão dos solos, sua compactação pelo uso de maquinário agrícola pesado e a contaminação das águas devido ao uso indiscriminado de agrotóxicos. A devastação das matas ciliares causa desequilíbrio ecológico que afeta a fauna e flora, além de aumentar o processo de assoreamento que pode secar inúmeras nascentes e comprometer a dinâmica hídrica do país.

Com toda essa riqueza biológica, o cerrado é o ecossistema que mais sofre com a ação humana, afetado principalmente pela caça, ocupação desordenada, comércio ilegal de animais, poluição hídrica ocasionada pela atividade garimpeira e assoreamento dos rios. Outros dados alarmantes são o avanço da pecuária extensiva e da agricultura mecanizada para exportação de soja, milho e algodão, a abertura de estradas e a multiplicação dos focos de incêndio. Na atualidade, menos de 2% do cerrado está protegido em parques ou reservas.

Por: Paulo Magno Torres