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Polígono das Secas

Qual o tamanho do Polígono?

Um século de estudos e vários bilhões de dólares aplicados no Nor­deste não foram suficientes sequer para definir com precisão a região atingida petas secas. Oficialmente, são 947.150 km2 do chamado Polígono das Secas, abrangendo os Estados de Maranhão, Piauí, Cea­rá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o norte de Minas Gerais.

A real extensão do território atingido pelo fenômeno é, porém, motivo de discussões entre políticos, empresá­rios e pesquisadores que dizem ter sido a região aumentada artificial­mente por motivos políticos.

Um exemplo dessas distorções, afirmam os críticos, é o Estado do Maranhão, sujeito ao regime de chuvas fartas da região amazônica e com quase todo seu território incluído nos limites do semiárido. A mais ácida dessas controvérsias surgiu com a afirmação do professor Aldo da Cunha Rebouças de que a área do polígono seria de apenas 320 000 km2, quase um terço do Polígono oficial, o que provocou rea­ções indignadas de políticos e cientistas nordestinos.

Mapa com a área do polígono das secas“O que eu disse, e mantenho, é que a área mais crítica é de 320 000 km2. O que não significa que o restante da região não sofra as consequências da falta de chuvas, embora de forma mais amena”, explica Rebouças.

A terra do sol

O drama do sertão nordestino é preocupação antiga de governantes, cientistas, homens públicos e, na verdade, de cada brasileiro ho­nestamente comprometido com a vida do seu povo. Antiga, por­que a crônica sinistra do flagelo registra a seca de 1710, que durou dois verões sem uma gota de chuva, como uma das mais terríveis. Outra das “maiores”, na hierarquia da desgraça, du­rou três anos, de 1777 a 1779. E na década de 1980, na qual se acentuaram as mudanças climáticas, foram registradas duas estiagens prolongadas, por períodos superiores a dois anos. Na última delas, sobre o solo rachado e seco, entre esqueletos de bois e árvores de galhos retorcidos, crianças, mulheres e ho­mens famintos lutavam por um rato ou um calango. Seca não quer dizer apenas sede. Quer dizer sobretudo fome.

Mas não existe água, não existem rios no Nordeste ? Sim, exis­tem numerosos, alguns até caudalosos. O São Francisco, que os nordestinos chamam de “Pai Chico”, o Paraíba, o Parnaíba, o Jaguaribe, no Ceará, considerado “o maior rio seco do mun­do”. Sucede que a maioria dos rios seca quando a calamidade se abate sobre aquele chão que os “beatos ” consideram amaldi­çoado, mas que um dia há de virar mar.

A profecia, de certo modo impiedosa, já se cumpre. Porque o drama do Nordeste não consiste apenas no flagelo da seca. Aos prolongados períodos de estiagem, sempre sucede a chuva. No co­meço parece um milagre: em poucos dias o sertão reverdece, abrem-se vermelhas as flores dos mulungus, o perfume das , umburanas se espalha pelos ares frescos, as cacimbas, os olhos-d’água voltam a se abrir na pele do chão, ressurge verde a folhagem do umbuzeiro, a árvore sagrada do sertão. Mas o que parecia bênção logo se transforma em maldição. De repente as chuvas se fazem torrenciais – e o flagelo da seca é seguido pela calamidade das águas. Os rios de leitos secos crescem da noite para o dia e vão inundando cidades e lugarejos, provocando mortes, destruição, doenças e desesperos. Não se prolonga tanto o período das chuvas, que aos poucos se abranda. Dura quando muito uns seis , meses, aos quais o sertanejo chama de “o tempo do verde”. Logo a vegetação começa a murchar, vão caindo as folhas dos arbustos, o chão vai-se ressecando e o sol derrama de novo o seu fogo sobre o sertão – a seca impõe de novo o seu império.

Já faz tempo que os cientistas identificaram as causas do fenômeno: o regime dos ventos, a orografia regional, a composição do solo e sobretudo a alternância das manchas solares. Também já se sabe que no sertão, além dos rios, existe a água subterrânea e sobre o seu chão também desce a água celeste. A solução, como aponta Pinto Aguiar em seu livro Nordeste – o drama das secas, estaria em localizar as águas subterrâneas e canalizar as dos rios e das chuvas, para promover a fecunda irrigação do solo: construção de açudes e perenização dos rios.

Por: Renan Bardine

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