Geografia do Brasil

Nordeste, a indústria da seca

Indústria da Seca é um termo para designar a forma como políticos nordestinos destinam as verbas do governo federal de combate à seca em proveito próprio.

A água como poder político

Como meio de tentar compensar danos econômicos causados pela ocorrência das secas no Nordeste, diversos subsídios são disponibilizados aos municípios afetados por esse desastre natural. Os recursos ofertados vão desde disponibilização de alimento e água até investimentos públicos em obras de acesso a recursos hídricos e contratação de serviços, como caminhões-pipa, para abastecimento hídrico emergencial.

No entanto, a estrutura social dessas áreas – que muitas vezes são divididas em uma pequena elite rural e grande parcela da população empobrecida – cria condições para desvio desses investimentos. O direcionamento desses recursos para locais que não necessitam impede que a maior parte da população seja atendida. Como resultado, há beneficiamento de determinados setores sociais pela ocorrência das secas, além de perduração da pobreza e dos reflexos da escassez de recursos na maior parte da população.

A seca não pode ser uma desculpa para a perpetuação da pobreza na região semiárida nordestina. Melhores condições de vida, alternativas econômicas e soluções para o impacto da seca devem ser estudadas e implementadas por meio de políticas públicas.

A indústria da seca aprisiona a população do semiárido aos coronéis, donos de terras e açudes, que em troca de votos e poder distribuem água, vinda de caminhões pipas, para a população. Em condições insalubres e sem perspectivas, muitos migraram para outras regiões em busca de melhores oportunidades.

Muitas pessoas afirmam que não há interesse em combater seriamente a seca, pois com isso não se teria mais justificativa para que o governo federal dessas certas regalias para os grandes proprietários e empresários do Nordeste. Há, inclusive, acusação de “maquiagem” das informações para mostrar um quadro pior do que o real, para conseguir mais verbas e isenções de impostos.

A seca no Nordeste

A região Nordeste ocupa 18,27% do território brasileiro, com uma área de 1.561.177,8 km². É a região com o maior número de Estados do país, mas também uma das mais sofridas com um problema recorrente: a seca.

Já em 1936 uma lei federal instituía o chamado Polígono das Secas, uma região em que a falta de água é recorrente e perversa, fazendo sofrer milhões de brasileiros, principalmente aqueles que vivem da lavoura. O objetivo era criar estudos e propostas para melhorar a vida dessa população.

No entanto, após quase 70 anos (em 2005) a região do Polígono (também conhecido como o semiárido brasileiro) foi ampliada. Considera-se que sofrem com o problema da seca mais de 20 milhões de pessoas, em 1.348 municípios de oito Estados nordestinos (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia) e ainda 86 municípios do Norte de Minas Gerais – que faz parte da Região Sudeste. Somente o Maranhão, dentre os Estados da Região Nordeste, não faz parte do Polígono das Secas.

O semiárido nordestino tem como traço principal as frequentes secas, que podem ser caracterizadas pela ausência ou escassez de chuvas. Não é rara a sucessão de anos seguidos de seca.

Propostas de longo prazo

Dentre as propostas para a melhoria da situação na região foi criada a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em 1959. Porém, essa superintendência foi extinta em 2001, por problemas de gestão e de corrupção. Recriada em 2007 pelo governo federal, a Sudene tinha como objetivo promover o desenvolvimento da região no cenário nacional e internacional, principalmente aqueles municípios inseridos no semiárido brasileiro.

Soluções

Uma das respostas à indústria da seca são as iniciativas alternativas, frequentemente tomadas por organizações do terceiro setor que buscam levar técnicas de acesso à água e de enfrentamento da escassez hídrica para pequenos proprietários rurais afetados por esse fenômeno.

Uma simples solução encontrada por muitos moradores do semiárido foi a construção de cisternas, reservatórios que armazenam a água das chuvas. Um dos maiores problemas do semiárido é que a chuva não é regular: há um período em que chove bastante, mas essa água não fica retida no solo – evapora ou escorre em grandes enxurradas.

Com o Programa Cisternas essa situação começou a mudar. Em 2003, com o apoio do governo federal, organizações não governamentais começaram a construir cisternas em inúmeras pequenas propriedades, captando o excedente de água do período chuvoso (geralmente a chuva que cai nos telhados das casas) para caixas d’água ao lado das casas. Essa água, então, é usada pelas famílias para uso doméstico (higiene pessoal, cozinhar, lavar roupas etc.) durante o período seco.

A cisterna é uma tecnologia popular destinada à camada de baixa renda. Desde que começaram a ser construídas, já há mais de 1,5 milhões de cisternas beneficiando mais de 5 milhões de nordestinos. Embora não resolva todos os problemas da seca, o principal deles (a falta d’água potável para beber e cozinhar, o que causava sérios problemas de saúde) está sendo solucionado.

Seca no Nordeste

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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