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Rio Nilo

Há mais de cinco mil anos o Rio Nilo vem proporcionando riquezas para as sucessivas civilizações e culturas que floresceram as suas margens. O limo transportado pelas águas e o controle de sua vazão, por meio de barragens, assegura a irrigação permanente das planícies por ele banhadas, que chegam a produzir três colheitas por ano: no inverno, trigo, cevada, cebola e linho; no outono, arroz e milho; no verão, algodão, arroz, cana-de-açúcar e oleaginosas.

O Rio Nilo é o segundo mais extenso rio do globo, com um curso de 6.650 km, no sentido sul-norte, e uma bacia de cerca de 3.349.000 km2, ou cerca de um décimo da área do continente africano. Localizado na região nordeste da África, nasce nos altos planaltos lacustres dos territórios da Tanzânia e Uganda, atravessa o Sudão e o Egito, e desemboca no Mediterrâneo. Seu caudal médio anual é de 3.100 m3 por segundo.

A complexidade do sistema hídrico da região em que se encontram as cabeceiras do Rio Nilo torna difícil a identificação do início de seu curso. Sua fonte mais distante é o rio Kagera, no Burundi. Atravessa ou forma os limites de Tanzânia, Ruanda e Uganda e deságua no lago Vitória. Toma então o nome de Nilo Vitória, atravessa os lagos Kyoga e Albert, e entra no Sudão, com o nome de al-Jabal, até sua confluência com os rios Al-Ghazal e Sobat.

Após a confluência com o Sobat, a corrente principal toma a denominação de Nilo Branco até a confluência com o Nilo Azul e encontra o Nilo Branco próximo à cidade de Khartum. Aí recebe seu último grande tributário, o Atbara. Abaixo da confluência com o Atbara, o Rio Nilo descreve uma ampla curva em forma de S na direção noroeste e forma três cataratas antes de penetrar no lago Nasser.

Do lago, onde se encontra a represa de Assuã, o rio corta o Egito até o delta do Rio Nilo, próximo ao Cairo, onde se divide em dois braços, Damietta e Rosetta, intercalados por diversos canais naturais em uma zona de aluviões férteis e com numerosas lagunas. Em seu vale estão localizadas as mais importantes cidades do Egito e do Sudão. Suas águas banham as cidades de Assiut, Lúxor, Assuã e Khartum. Cairo e Alexandria se encontram a montante do delta.

O regime do Rio Nilo é pluvial tropical, com grande irregularidade no volume de água. Suas enchentes são conseqüência das chuvas de verão que caem sobre o planalto etíope, com mais intensidade no mês de setembro, e elevam o nível de suas águas até sete metros acima da altura normal. O primeiro projeto de aproveitamento das águas do rio data da época de Amenemés II, que construiu um grande açude nos arredores da cidade de Gizé. O represamento das águas do Rio Nilo pela barragem de Assuã criou um gigantesco reservatório na fronteira entre Egito e Sudão, com capacidade bruta de 168,9 bilhões de metros cúbicos, que assegurou a irrigação de mais 283.000 hectares de terra e é uma excepcional fonte de energia hidrelétrica. A parte do reservatório que pertence ao Egito recebeu o nome de lago Nasser em homenagem ao ex-presidente Gamal Abdel Nasser. O terço restante, no Sudão, chama-se lago Núbia.

Mapa

Por: José Silvio Oliveira Filho

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