Movimentos Nativistas

A partir de meados do século XVII, um conjunto de movimentos nativistas políticos exprimiu a repulsa dos colonos aos abusos do colonialismo português, endurecido depois da Restauração. Esses movimentos, denominados nativistas, podem ser caracterizados pela não contestação ao domínio português como um todo e sim por rebeldias ou conflitos regionais contra aspectos isolados do colonia­lismo, principalmente após 1640, quando a "relativa harmonia" entre interesses da aristocracia rural local e os da Metrópole foram-se rompendo, na medida em que se intensificava a exploração colonial portuguesa.

A Insurreição Pernambucana (1645-54) contribuiu para o advento desses movimentos, visto que durante a sua ocorrência registrou-se a divergência entre os interesses dos colonos e os objetivos pretendidos pela Metrópole. Daí estarem os movimentos nativistas menos relaciona­dos com um ideal emancipacionista, ligando-se mais a um sentimento de defesa de interesses locais ou regionais.
 

Um Rei de São Paulo?

Em abril de 1641, Amador Bueno da Ribeira foi aclamado Rei de São Paulo. Essa aclamação, entretanto, resultou da divergência entre clãs locais (Garcia-Pires, portugueses, e Camargos, espanhóis), diante da notícia da Restauração em Portugal. Este fato fora interpretado como uma ameaça aos interesses espanhóis na região. Mais tarde, evidenciou-se a tensão entre jesuítas e bandeirantes, devido à escravidão indígena, ocorrendo então um movimento que se denominou a Botada dos Padres para Fora, por parte dos colonos paulistas. Este episódio repetir-se-ia em 1661, no Pará, e em 1684, no Maranhão.

A revolta contra os governadores

No Rio de Janeiro, entre 1660 e 1661, ocorreu um movimento nativista devida à forte política fiscalista aplicada pelo governador português Salvador Correia de Sá e Benevides. Seu líder foi Jerônimo Barbalho, que, após ter deposto o governador devido à decretação dos novos tri­butos, foi preso e executado. Na Revolta de "Nosso Pai", em Pernambuco (1664-65), também houve a rebelião local contra o governador português Jerônimo de Mendonça Furtado, alcunhado "Xumbrega", acusado de corrupção e de ser conivente com os franceses. Na realidade, nesse acontecimento já havia indícios da rivalidade entre Olinda e Recife.

O Bequimão

Na Revolta de Beckman ou Bequimão, movimento nativista ocorrido no Mara­nhão, em 1684, mais uma vez evidenciou-se a divergência de interesses entre colonos locais, repre­sentados pelos irmãos Manuel e Tomás Beckman e a Companhia Geral de Comércio do Estado do Ma­ranhão, que possuía o monopólio do comércio e de introdução de escravos africanos. A rebelião ocorreu contra os abusos da Companhia de Comércio, que não cumpriu os acordos feitos com os colonos, e contra a Companhia de Jesus, que se opunha à escra­vidão indígena.

A Guerra dos Emboabas

Outro movimento nativista foi a Guerra dos Em­boabas, ocorrida em Minas Gerais (1708-09), resul­tante da rivalidade entre os paulistas e os "emboa­bas" - forasteiros, principalmente portugueses, que acabavam sendo protegidos pelos órgãos do governo colonial, com o monopólio de diversos ramos co­merciais. O movimento eclodiu devido a uma série de incidentes, nos quais sempre havia de um lado os paulistas e do outro os emboabas.

A Revolta de Vila Rica

Em 1720, novamente na região de Minas Gerais, em Vila Rica, ocorreu a revolta de Felipe dos San­tos, um dos movimentos nativistas em que mais uma vez encontramos a rebelião contra os abusos do fiscalismo português, caracteri­zados pela elevação dos impostos decretada pelo governador, conde de Assumar. Os mineradores re­voltados reivindicavam a redução dos impostos, abolição dos monopólios exercidos pelos portu­gueses e a extinção das Casas de Fundição.

Guerra dos Mascates

Um dos mais famosos movimentos nativistas foi a Guerra dos Mascates (1710-12), em Pernambuco, moti­vada pela forte rivalidade entre os senhores-de-engenho de Olinda e os comerciantes portugueses de Recife, apeli­dados de mascates, e que contavam com o apoio do governador Sebastião de Castro Caldas. O conflito irrompeu quando Recife foi elevado à categoria de vila, o que favo­recia o grupo português. Ao terminar o movimento, em 1712, Recife passava a ser cidade e capital de Pernambuco, o que acentuou ainda mais a rivalidade da aristocracia pernambucana contra os portugueses.

Neste movimento, como nos demais, deve ser perceb­ido o seu sentido não-emancipacionista e a inexistência de interesses que visassem ultrapassar os limites locais ou regionais.

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