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O Contestado

A Guerra Sertaneja do Contestado (1912-1916) ocorreu numa região disputada (“contestada”) entre os estados do Paraná e Santa Catarina. A região, que totalizava cerca de 40 mil metros quadrados, era ocupada desde o final do século XIX por uma comunidade liderada por José Maria, de origem italiana, um “monge” – termo que, no Sul, corresponde ao “beato” do Nordeste.

O governo federal, entretanto, nos primeiros anos do século XX, autorizou a instalação de empresas estrangeiras na região, como a serraria Southern Brazil Lumber and Colonization, de capital norte-americano. O projeto previa desapropriações para dar lugar à exploração da madeira e à construção de uma ferrovia ligando o Rio Grande do Sul a São Paulo.

Muitos posseiros foram expulsos e passaram a vagar pelas zonas rurais, formando pequenas comunidades chefiadas por líderes religiosos. As elites locais, temendo o fortalecimento desses grupos, pediram a intervenção dos governos estaduais.

Quando um desses povoados era destruído, outro ressurgia em seu lugar. O monge José Maria, que morreu em combate, foi sucedido por outros líderes, como a “virgem Maria Rosa” – uma comandante militar mística de apenas 15 anos de idade – e o negro Adeodato.

Os focos de resistência reuniam milhares de sertanejos. Assim como os seguidores de Antônio Conselheiro, os fiéis do Contestado, sertanejos pobres e explorados nas fazendas e nas empresas estrangeiras de colonização, acreditavam na vinda de um salvador dom Sebastião. O rei português, desaparecido em combate, traria seu exército

Em 1916, depois de muitos enfrentamentos entre os rebeldes e as forças policiais do Paraná e de Santa Catarina, o então governo do presidente Wenceslau Brás debelou a comunidade do Contestado com tropas federais e a recém-criada Aeronáutica. Calcula-se que tenham morrido cerca de 20 mil pessoas nos combates. Adeodato foi morto quando tentava fugir da prisão.

O Contestado “Uma Pequena Conclusão”

Quando falamos em contestado, nos vem em mente as fracas e poucas ideias que temos, referindo-se mais especificamente sobre a Guerra Do Contestado (de 1912 a 1916). É difícil assimilar de forma global o movimento ocorrido, inseri-lo dentro de um contexto vivido e iniciado décadas antes do conflito. Existe aí, todo um processo histórico a ser compreendido. Retratando a região, seus desbravadores para chegara compreensão de uma formação social, e cultural entre outras.

E então após poucas, mas grandes e riquíssimas aulas com o professor DELMIR VALENTINI sobre História do Contestado, chegamos a uma compreensão maior e mais ampla sobre o contestado histórico, inserido num contexto e claramente visualizado por nós e vivenciado por algumas de nossas gerações passadas e não tão remotas. Como estamos acostumados a ver nas tradicionais aulas de história; que pouco nos acrescentam e não nos levam a um crescimento de conhecimentos.

Compreender a história do contestado, aprender sobre ela, conhecer seus protagonistas, seus personagens, fatos e regiões, nos traz a tona um pouco mais sobre nossa identidade, sobre nossas origens, nossas raízes e com certeza nos ajuda compreender de forma clara muitos de nossos costumes, crenças e até nossas origens, nossas raízes.

No início do século passado devido a expansão capitalista e a chegada de poderosas forças econômicas à região. Alavanca a crise de disputas de terras de tal forma que resulta em luta armada. Crise essa também social, onde se discute questões variadas.

As forças econômicas estão diretamente relacionadas à expansão capitalista e social. Contribuindo para a construção da ferrovia, exploração comercial da madeira e na colonização. E com tudo isso, esqueceu-se do sertanejo, já morador do contestado, com raízes e formação local. Que foram de forma progressiva marginalizados.

Contudo, somando as referidas questões, analisando a história em seu espaço e tempo, chegamos a um fator muito importante de ser citado como elemento causador da revolta; a questão religiosa, muito influente, muito forte e expressiva em todos os momentos. Havia uma grande aceitação sobre a prática dos monges entre os sertanejos, que os acolhiam, aceitavam seus conselhos e seguiam seus passos. Pois os sertanejos já se encontravam desolados, sem rumo, pois o governo abandonando-os, oprimindo-os, recusa-se a dar o direito sobre as terras nas quais viviam. E numa tentativa de restituir seus direitos os sertanejos armam-se e põem em pratica a rebelião.

A guerra do contestado teve uma grande repercussão, no que se refere a dados estatísticos, onde assimilam a participação de mais da metade do exército republicano brasileiro, o uso de armamentos pesados e até mesmo ações onde contou-se com a força aérea brasileira em suas primeiras atuações de guerra.

No que se refere ao saldo da guerra é apontado baixa de cerca de 8.000 brasileiros, na grande maioria sertanejos.

Nos redutos foram onde nasceram as marcas mais profundas da memória dos envolvidos e também de seus descendentes. Pois todos nós sabemos quão profundas elas são e quão grandes cicatrizes deixaram em nossos guerreiros.

Mas pode-se dizer que também há memórias boas sobre os redutos, quando nos referimos aos monges, onde os sertanejos buscavam amparo e conforto para suas dores e tristezas. E lembranças tristes, ao comentar e relembrar da fase final do movimento contestado, onde esteve sobre o comando Adeodato.

Ainda muito respeitado pelo povo, os marcos deixados pelos monges que por aqui passaram, deixando suas boas ações, seus milagres, suas curas e seus conselhos, além de marcos como os cruzeiros, as fontes de águas. Que hoje temos como local sagrado, onde há devoção, rezas e promessas.

Ainda vivas as memórias de antigos moradores dos redutos podem ainda relatar as experiências pelas quais passaram.  Os descendentes da guerra, contam o que ouviram e detalham suas ideias formadas sobre o ocorrido. E que apesar de tudo causa culpa nos sertanejos o derramamento de sangue causado que envolveu a população da região do contestado no início deste século.

Os registros, principalmente os da imprensa diária, contribuíram para formar a imagem do sertanejo como o grande vilão dos fatos, desconsiderando a conjuntura vivenciada anteriormente e também durante o tempo dos redutos. A imagem do grande mal que era e representava o sertanejo pode ser sintetizada nas atribuições que eram feitas aos líderes, produtos da sociedade. E essa imagem foi interiorizada pelo homem do Contestado.

Houve um personagem que é tido como o representante da maldade, o caboclo que foi o último comandante sertanejo. E isso se faz de forma tão consistente, que o maior tempo das conversas sobre o tempo dos redutos é reservado para relatos de dor, tristeza e sofrimento, durante o decorrer do movimento. O que também é atribuído a todos os que estiveram nos redutos.

Durante muitos anos os sertanejos permaneceram em silencio, como a condição de vencidos que lhes foi imposta. Nos dias atuais, as novas gerações, já não se envergonham de dizer que o avô foi parte atuante da revolução. Na verdade não se trata de fazer um resgate heroico do sertanejo, adotando uma postura pelos seus feitos, mas simplesmente de compreendê-los dentro de um contexto histórico.

Pretende-se na verdade demonstrar a importância histórica dos sertanejos, dar-lhes o direito de ser parte integrante da história do contestado, de santa Catarina e do Brasil.

Mas o que se sabe é que apesar de todo o esforço do professor DELMIR, entre outros Grandes Historiadores e Desbravadores da História, em relatar essa história que se faz presente em nosso dia-a-dia,  ocorrida em nosso chão, vivenciada pelos nossos antepassados mais próximos; Ainda pode ser que existam coisas a serem descobertas, e relatadas, mas podemos dizer com convicção que hoje crescemos historicamente, aumentamos nosso conhecimento e podemos dizer que enriquecemos em nosso saber histórico. Graças as aulas maravilhosas do professor DELMIR VALENTINI, sobre a História do Contestado.

Por: Alinne Mayte Terhost

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