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Guerra do Vietnã

Em 2015, o Vietnã celebrou os quarenta anos do final da Guerra com os EUA, quando os norte-americanos foram expulsos do território.

Na Guerra do Vietnã, opuseram-se os militares do sul (capitalistas e aliados dos EUA) ao Vietnã do Norte (socialista e aliado da URSS e China) e aos vietcongues (guerrilha socialista da Frente de Libertação Nacional, que luta pela anexação do território ao Vietnã do Norte).

Antecedentes

A divisão do território pelo paralelo 17° N ocorreu após a vitória do Vietnã contra a França em 1954, ficando o Vietnã do Norte (socialista) e o Vietnã do Sul (capitalista). O Acordo de Genebra reconheceu não só a independência do Vietnã, mas também a do Camboja e do Laos.

A reunificação do território, prevista para 1956, acabou não ocorrendo dentro da lógica da Guerra Fria, pois o ditador Ngo Dinh Diem proclamou a independência do Vietnã do Sul, impedindo as eleições que aconteceriam para a reunificação do território, o que foi apoiado pelos EUA, que temiam a vitória dos socialistas liderados por Ho Chi Minh, o que geraria a teoria do dominó: a vitória dos socialistas contaminaria as outras nações.

Causas da Guerra

Em 1957, os vietcongues realizaram ataques a bases militares no Vietnã do Sul, governado pelo ditador Diem, que chegara ao poder após golpe militar, em 1955, contra o rei Bao Dai.

Em 1959, os guerrilheiros comunistas atacaram uma base norte-americana que existia no Vietnã do Sul, apoiados por Ho Chi Minh, governador do Vietnã do Norte, e pelos soviéticos, deflagrando a guerra.

As fases da Guerra do Vietnã

Os EUA se envolveram indiretamente no conflito, em 1961, apoiando o governo do sul, com armas. Em 1964, os norte-americanos entraram diretamente na guerra, enviando tropas e armamentos, pois a guerra havia ficado restrita o Vietnã do Norte e aos vietcongues contra o Vietnã do Sul.

Os soldados norte-americanos não conheciam bem o território com floresta tropical e elevada pluviosidade, ao contrário dos vietcongues que conheciam muito bem a geografia do local, utilizando-a em seu benefício para realizar ataques de guerrilha contra o inimigo mais poderoso e com armamentos modernos e helicópteros.

Em 1968, as tropas do Vietnã do Norte e os vietcongues realizaram a Ofensiva de Tet, com ataques simultâneos em várias cidades, chegando a ocupar a capital Saigon, do Vietnã do Sul, e até mesmo a embaixada norte-americana. Era o momento mais sangrento de toda Guerra do Vietnã.

Os EUA e seus aliados conseguiram uma contraofensiva e expulsaram as tropas do Vietnã do Norte, porém o estrago estava feito.

A Ofensiva do Tet chocou a opinião pública americana. A cobertura dos combates feita pela TV deixou, em muita gente, a impressão de que os Estados Unidos e seus aliados estavam em situação desesperadora, como afirma o historiador americano Ronald Spector, da Universidade George Washington.

Enquanto a guerra continuava no pequeno país asiático, manifestações em território norte-americano ganhavam força, com os protestos de grupos pacifistas e de jovens contra a presença dos soldados no país distante. A cobertura jornalística da TV mostrava a todo momento cenas bárbaras da guerra, com soldados norte-americanos perdendo a vida em solo vietnamita.

Em 1972, bombardeios norte-americanos atingiram também o Laos e o Camboja, mas não surtiram o efeito desejado contra os guerrilheiros.

O fim do conflito

Sem o apoio da população e diante de várias derrotas, mesmo com um moderno arsenal militar, utilizando até mesmo armas químicas, os EUA aceitaram o cessar-fogo em 1973, retirando-se do conflito em 1975, ao assinar o Acordo de Paris, deixando o caminho livre para a vitória dos vietcongues e do Vietnã do Norte, que tomaram a capital Saigon.

Em 1976, o Vietnã foi oficialmente reunificado sob o regime comunista, aliado da URSS e da China, passando a se chamar República Socialista do Vietnã, e a cidade de Saigon passou a se chamar Ho Chi Minh.

Consequências da Guerra do Vietnã

A guerra matou mais de 58 mil americanos e ao menos 1,1 milhão de vietnamitas (algumas estimativas falam em aproximadamente 3 milhões de mortos). Outros países também sofreram baixas, como a Coreia do Sul, que lutou a favor dos norte-americanos e teve mais de 4 mil soldados mortos.

O conflito também foi marcado, como vimos, pela utilização por parte dos EUA da bomba de napalm (bomba incendiária fabricada com napalm, substância elaborada sobre uma base de gasolina e que foi proibida em 1980 pela ONU) e do agente laranja (substância química jogada pelas tropas americanas no solo, para destruir plantações agrícolas e desfolhar florestas, a fim de dificultar o esconderijo do inimigo, gerando efeitos que duram até hoje, como malformações de crianças e contaminação do solo em campos agrícolas).

Entre os vários episódios cruéis da Guerra do Vietnã, um ficou conhecido como Massacre de My Lai: em 1968, soldados norte-americanos massacraram 500 pessoas entre velhos, homens, mulheres e crianças, na aldeia vietnamita de My Lai.

Por: Wilson Teixeira Moutinho