Luís de Camões

Retrato de Luís de Camões Nascido provavelmente em Lisboa, entre 1524 e 1525, Luís Vaz de Camões foi de possível origem fidalga, não era rico, porém. Passou pelos salões da nobreza cortesã, pela boemia, lutou em campanhas militares no norte da África — onde ficou cego de um olho —, andou pela Ásia — onde, diz a lenda, num naufrágio, conseguiu salvar os originais de sua obra épica, Os Lusíadas —, teve furtados os originais de um livro de poesia lírica em Moçambique. Em Portugal, em 1572, conseguiu publicar Os Lusíadas e por essa obra recebia uma pensão do governo, que era paga irregularmente. Morreu muito pobre, em 1580.

Camões desenvolveu, como Sá de Miranda e outros poetas do século XVI, uma produção lírica de duas medidas: a poesia em medida velha e a poesia em medida nova. Se suas redondilhas em motes e glosas são produto refinado de um talento criativo e perspicaz, seus sonetos constituem a mais importante produção lírica em português de todos os tempos — afinal, as soluções rítmicas e rimáticas, o domínio versátil do decassílabo, a fluência sintática que confere raro poder dramático à leitura, a associação inusitada de metáforas e imagens, os temas de uma atualidade surpreendente, fizeram da sonetística camoniana um modelo e uma inspiração para toda a produção poética de nossa língua até hoje.

O tema constante da produção lírica camoniana é o Amor — assim grafado por representar a idéia, a essência, o ser supremo que governa o sentimento amoroso do plano concreto humano. Partindo de uma tensão, o sentimento de amar para Camões vive o conflito equilibrado entre o amor neoplatônico e a sensualidade, tensão inerente a um homem que experimentou amar na vida e, segundo seus biógrafos, amou demais e sofreu em demasia. Dessa tensão surge outra, a certeza de que o mundo vive em desconcerto (desarmonia, contradição) entre aquilo que se deseja alcançar (as expectativas ideais) e aquilo que existe na realidade. A impotência diante da mutabilidade e efemeridade das coisas do mundo e da vida leva ao desengano, à desesperança, completando a visão trágica da existência que nos herdou Camões. A frustração de existir e a impotência perante os mistérios dos sentimentos são o ponto de identificação de Camões com os leitores de todos os tempos.

Essa busca pelo equilíbrio, pela harmonia entre contrários — por meio de imagens inusitadas, de paradoxos, de antíteses e de hipérboles —, aproxima a lírica de Camões de uma tendência do Classicismo do século XVI, chamada de Maneirismo.

Para Camões, a obtenção de uma expressão de equilíbrio, mesmo entre coisas paradoxais, é resultado de muito esforço poético, que combina saber (conhecimento de mundo, de cultura e do passado literário), engenho (talento poético, capacidade criadora, inteligência, gênio) e arte (domínio das técnicas de fazer versos e dos usos da língua em suas potencialidades significativas).

Por: Paulo Magno da Costa Torres

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