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Classicismo

Durante o século XVI, teve início o movimento artístico que propôs uma nova concepção de mundo e do homem: o Classicismo. Em português, o período começou em 1527, com Sá de Miranda.

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A época do Classicismo

Em Portugal, o Classicismo inicia-se em 1527, com a volta do poeta Sá de Miranda (1481 – 1558) após seis anos na Itália. As novas ideias renascentistas tiveram origem na Itália.

Elas rapidamente expandiram-se a outros países europeus, imprimindo uma arte que revitalizava os valores da Antiguidade Clássica – daí o nome do movimento literário desse período.

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  • Razão: a cultura e a arte voltam-se para o homem e suas potencialidades, como o raciocínio, a análise e a crítica.
  • Universalidade: a individualidade perde terreno para o aspecto universal, ou seja, os artistas passam a se preocupar com ideias relacionadas às verdades universais.
  • Objetividade: em decorrência da preocupação com temas universais, o subjetivismo é superado pelo objetivismo, chegando a posturas científicas com base na observação da realidade.
  • Valores clássicos: tomados como exemplos de perfeição, esses valores tomam-se modelos para a criação artística, tanto em relação à forma (rigor, regularidade), quanto ao conteúdo (assuntos nobres, grandiosos).
  • Valorização da inteligência: vista então como a principal qualidade do homem, a inteligência deverá expandir-se para o conhecimento e para o dom artístico.
  • Observação da natureza: os estudiosos, principalmente, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e do universo.
Obra do classicismo.
Detalhe de A criação do homem, de Michelangelo, Capela Sistina. Nessa imagem, aparecem as três características predominantes do Renascimento: serenidade, sobriedade e racionalismo.

Contexto histórico do Classicismo

Durante os séculos XIV e XV, as cidades italianas de Gênova, Veneza e Florença acumularam grandes riquezas provenientes do comércio. A camada mais abastada da população começou a investir nas artes, o que impulsionou o desenvolvimento cultural. Esse comportamento recebeu o nome de mecenato.

O investimento do mecenas (aquele que patrocinava os artistas) era recuperado com o prestígio social obtido, o que contribuía para a divulgação dos empreendimentos da família ou da instituição que representava.

Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. Entre as últimas merecem destaque os estudos de astronomia do polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), que defendia a ideia do heliocentrismo (o Sol estava no centro do sistema solar), e do italiano Galileu Galilei (1564- -1642), que afirmava que a Terra girava em tomo do Sol.

Manifestações artísticas

Todas as artes foram influenciadas pelo Renascimento. Uma das maiores inovações da pintura renascentista foi a noção de perspectiva ou profundidade nos quadros. A lista a seguir contempla os principais representantes na pintura e na escultura.

  • Obra Monalisa, classicismo
    Monalisa, de Leonardo da Vinci.

    Leonardo da Vinci (1452-1519): além de pintor, o artista foi escultor, cientista, engenheiro, físico e escritor. Obras principais: Monalisa; Última ceia.

  • Michelangelo (1475-1564): artista múltiplo, destacou-se em arquitetura, pintura e escultura. Durante quatro anos pintou o teto da Capela Sistina, onde representou cenas do Antigo Testamento. Obras principais: as esculturas Dow; Pietá; Moisés.
  • Botticelli (1445-1510): seus quadros retrataram vários temas da Antiguidade grega e da tradição cristã. Obras principais: A primavera, 0 nascimento de Vénus.
  • Rafael (1483-1520): considerado o grande pintor de “madonas”, representações da Virgem com o menino Jesus. Obras principais: A escola de Atenas; Madona da manhã.

Classicismo em Portugal

Em Portugal, o momento histórico (centralização do poder, expansão marítima) se mostra ideal para a aceitação dos valores renascentistas, uma vez que a emergente prosperidade econômica transforma Lisboa em centro comercial de grande importância, fazendo crer aos lusitanos que o país atingira uma inalterável grandeza material.

A atividade literária reflete essa atmosfera de exaltação épica e independência econômica, em obras que apresentam Portugal como grande nação vitoriosa.

Na poesia lírica, novas formas poéticas vindas da Itália, foram assimiladas, como o verso decassílabo e o soneto.

Por: Paulo Magno da Costa Torres

Bibliografia

SARGENTIM, Hermínio. Língua Portuguesa no Ensino Médio. São Paulo: IBEP, [1999]

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