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Poema e Poesia

Poema: obra em verso, composição poética, arte de retratar no papel a poesia.

Poesia: arte de escrever em versos, inspiração, o que desperta o sentimento do belo, o que leva o poeta a escrever um poema.

Verso e Estrofe

Verso: cada linha de uma estrofe.

Estrofe: conjunto de versos.

" Todos cantam sua terra,

Ex. de verso - Também vou cantar a minha

Nas débeis cordas da lira

Hei de fazê-la rainha:

- Hei de dar-lhe a realeza

Nesse trono de beleza

Em que a mão da natureza

Esmerou-e sem quanto tinha."

Autor: Gonçalves Dias


Ex. de estrofe:

"Imagem falsa, duvidosa, inserta

Não mas minha alma iludirás em sonhos,

Não mas me mostrarão ventura oculta

Teus ademães risonhos."

Autor: J. M. da Costa e Silva

Métrica Poética e classificação dos versos

É a medida do verso, que pode variar de duas silabas poéticas, até doze. Ao número de sílabas métricas quase sempre corresponde o mesmo número de sílabas gramaticais.

A contagem das sílabas métricas obedece aos seguintes princípios:

Conta-se até a última sílaba tônica da última palavra do verso;

Os ditongos crescentes constituem uma sílaba métrica;

Duas ou mais vogais que se encontrem no fim de uma palavra e no início da outra, unem-se numa só sílaba métrica.

1 2 3 4 5 6 7

Oh!/ que/ sau/ da/ des/ que eu/ te-nho

1 2 3 4 5 6 7

Da au/ ro/ ra/ da/ mi/ nha/ vi-da

1 2 3 4 5 6 7

Da/ mi/ nhá in/ fân/ cia/ que/ ri-da

1 2 3 4 5 6 7

Que os/ a/ nos/ não/ tra/ zem/ mais

Os versos quanto ao número de sílabas classificam-se em:

Classificação

Número de sílabas

Monossílabos

1 sílaba

Dissílabos

2 sílabas

Trissílabos

3 sílabas

Tetrassílabos

4 sílabas

Pentassílabos

5 sílabas

Hexassílabos

6 sílabas

Heptassílabos

7 sílabas

Octossílabos

8 sílabas

Eneassílabos

9 sílabas

Decassílabos

10 sílabas

Hendecassílabos

11 sílabas

Dodecassílabos

12 sílabas

Bárbaros

Mais de 12 sílabas

 Versos livres: são muito usados pelos poetas modernistas, não tem número exato de sílabas. Ex.:

O homem, as viagens

"O homem, bicho da terra tão pequeno

chateia-se na Terra.

Lugar de muita miséria e pouca diversão.

Faz-se um foguete, uma cápsula, um módulo.

Toca na Lua,

Pisa na Lua,

Planta bandeirola na Lua,

Experimenta a Lua,

Civiliza a Lua,

Coloniza a Lua,

Humaniza a Lua.

Lua humanizada: igual à Terra!

O homem chateia-se na Lua.

Vamos para Marte! Ordena as máquinas.(…) "

(Carlos Drummond de Andrade)


Rima

É a coincidência de sons entre palavras, especialmente no final dos versos.

Quanto à posição na estrofe

a) Cruzada ou alternada: (ABAB) O primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo com o quarto:

"Cheguei, chegaste. Vinhas fatigada A

E triste, e triste e fatigado eu vinha; B

Tinhas a alma de sonhos povoada A

E a alma de sonhos povoada eu tinha." B

(Olavo Bilac)

b) Interpolada: (ABBA) O primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro:

"Para canto de amor tenros cuidados. A

Tomo entre voz, ó montes, o instrumento; B

Ouvi pois o meu fúnebre lamento; B

Se é que compaixão dos animados." A

(Cláudio Manuel da Costa)

c) Emparelhada: (AABB) O primeiro verso rima com o segundo, e o terceiro com o quarto:

"Manhã de junho ardente. Uma encosta escavada A

seca, deserta e nua, à beira de uma estrada A

Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha B

bebendo o sol, comendo o pé, mordendo a rocha." B

(Guerra Junqueiro)

d) Internas: Quando rimam palavras que estão no fim do verso e no interior do verso seguinte:

"Salve Bandeira do Brasil querida

Toda tecida de esperança e luz

Pálio sagrado sobre o qual palpita

A alma bendita do país da Cruz."

e) Misturadas: Não tem esquema fixo.

f) Versos brancos ou soltos: São os que não tem rima.

Quanto à tonicidade

a) Agudas: Quando rimam palavras oxítonas ou monossilábicas: a/mor e com/por; a/mém e Be/lém.

b) Graves: Quando rimam palavras paroxítonas: an/ta e man/ta; qui/os/que e bos/que.

c) Esdrúxulas: Quando rimam palavras proparoxítonas: má/gi/co e trá/gi/co; li/ri/co e o/ní/ri/co.

Quanto à sonoridade

a) Perfeitas: Há uma perfeita identidade dos sons finais: festa e manifesta; cedo e medo.

b) Imperfeitas: Quando não há uma perfeita identidade dos sons finais: céu e breu; sais e paz.

c) Consoantes: Quando há os mesmos sons a partir da última tônica: perto e incerto; dezenas e apenas.

d) Toantes: Quando só há identidade com a vogal tônica do verso: terra e pedra; vela e terra.

Quanto ao valor

a) Pobres: Quando rimam palavras da mesma classe gramatical: amor e flor; meu e teu.

b) Ricas: Quando rimam palavras de classes gramaticais diferentes: festa e manifesta; cedo e medo.

c) Raras: Quando rimam palavras de difícil combinação melódica: cisne e tisne; leque e Utreque.

d) Preciosas: São rimas artificiais, decorrentes da combinação de um nome com a forma verbo-pronome: tranqüilo e ouvi-lo; estrela e vê-la.


Disposição das estrofes

Quanto ao número de versos agrupados, as estrofes recebem diferentes denominações:

Classificação

Número de versos

Dístico

2 versos

Terceto

3 versos

Quarteto

4 versos

Quintilha

5 versos

Sextilha

6 versos

Setilha

7 versos

Oitava

8 versos

Nonas

9 versos

Décimas

10 versos

Irregulares

Mais de 10 versos

A estrofe de oito versos, quando possuir o esquema rítmico (ABABABCC) será denominada oitava-rima ou oitava heróica.

Quando ao metro dos versos, as estrofes podem ser:

a) Simples: Quando agrupam versos de um mesmo metro.

b) Compostas: Quando agrupam versos de metros diferentes.

c) Polimétricas (livres): Quando agrupam versos de diferentes medidas sem obediência a qualquer regra.


Interpretação do poema

Desejo

"Quando eu morrer adornem-me de flores,

Descubram-me das vendas do mistério,

Verso E ao som dos versos que compus carreguem

Meu dourado caixão ao cemitério.

Abram-me um fosso no lugar mais fresco,

Cantem ainda, e deixem-me cantando;

Estrofe Talvez assim a terra se converta

De suave dormir num leito brando.

Em poucos meses far-me-ei poeira,

Porém que importa se mais pura e bela

Minh’alma livre dormirá sorrindo

Talvez nos raios de encantada estrela.

E lá de cima velarei teu sono

E lá de cima esperarei por ti,

Pálida imagem que do exílio escuro

Nas tristes horas de pesar sorri!

Ah! E contudo se deixando o globo

Ave ditosa eu não partisse só,

E ao mesmo sopro conduzisse unidas Rimas (ABAB)

Nossas essências num estreito nó!… (Alternada)

Se junto ao leito das finais angústias,

Da morte fria ao bafejar gelado

Eu te sentisse junto a mim dizendo:

Decassílabo São/ ho/ras/ de/ mar/char,/ eis-me/ a/ teu/ lado.

Como eu me erguera resoluto e firme!

Como eu seguira teu voar bendito!

Quarteto Como espancara co’as possantes asas

O torvo espaço em busca do infinito!"

(Laurindo Rabelo)

Autoria: Paulo Roberto Vieira Corrêa

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