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Romance

Romance é um gênero narrativo de ficção escrito em prosa, extenso e que apresenta personagens por meio de sua psicologia, destino e aventuras. Caracteriza-se pela liberdade, pois há infinitas possibilidades de enredo e grande diversidade de tipos.

A evolução de um gênero literário

No início do século XII, na Europa, a palavra romanz designava a língua vulgar, em oposição ao latim. O “romance” era, então, um poema lido que contava uma aventura. O herói enfrentava perigos para obter o que desejava, geralmente o coração de uma dama a quem ele oferecia sua fidelidade, sua coragem e seu valor.

Desde o final do século XII, já então escrito em prosa, ele se define por ser destinado à leitura. A mola propulsora é a curiosidade do leitor pela história e pelas peripécias das personagens, à qual, mais tarde, será acrescentado o interesse pela arte de escrever, pelo estilo do autor.

O romance, como hoje o entendemos, nasceu entre meados do século XVI e início do XVII, no momento em que os valores cortesãos, guerreiros, aristocráticos e galantes – de caráter nitidamente feudal – desapareciam diante do surgimento dos estados modernos e da complexidade crescente do universo mercantil-burguês. Pouco considerado, esse gênero figurava no final da escala dos gêneros. Em contrapartida, sua forma era livre e escapava das garras dos teóricos. Por isso pôde tomar inúmeras formas, mantendo-se em contínua expansão. Entretanto, foi na Espanha que o romanço em versos se tornou comum – a ponto de quase ter se transformado em uma forma literária exclusivamente espanhola. Apenas no século XVII o termo “romance” começou a ser aplicado no sentido que possui atualmente.

RomanceNo século XVIII, o romance é ainda considerado um gênero menor e desprezado, permanecendo sob dupla acusação: estética e moral.

A idade de ouro do romance situa-se no século XIX. O gênero passa a ser uma espécie de espelho dessa época, em que floresceram as ciências sociais, a psicologia e a historiografia. Toma-se, então, o gênero dominante.

No século XX, com o término do tempo das certezas, há uma aceleração da evolução em todos os campos da produção, da tecnologia e do conhecimento. O romancista é o reflexo de um universo de incertezas, de dúvidas, de questões. Nessa época, o chamado “novo romance” pretendeu substituir a aventura e a personagem da narrativa romanesca pelo objeto.

Características do romance

O romance responde ao desejo de evasão do leitor. No entanto, ele vai ao encontro das preocupações do seu tempo, antecipa as mudanças da sociedade e denuncia as convenções sociais. A liberdade no tratamento de sua forma, sua linguagem, seus temas e suas personagens não impede que o romance possua alguns elementos constitutivos, que são basicamente:

  • o enredo, a intriga, a trama;
  • a personagem ou as personagens;
  • o narrador ou modos de narração;
  • o espaço e o tempo;
  • o ponto de vista da narrativa.

O enredo

O enredo composto de sequências que formam uma unidade no plano do tempo, dos lugares, da ação e da intervenção das personagens. Pode ser único, complexo e encadeado.

A personagem ou as personagens

No romance, a personagem é um ser fictício, em geral com uma identidade definida: sexo, idade, nome, origem social e passado. Essas informações são dadas de forma descritiva ou disseminadas ao longo da narrativa.

Existem personagens principais e personagens secundárias. A personagem de romance é, antes de tudo, um agente do enredo, e seu papel depende do lugar que ela ocupa em relação às demais personagens.

O narrador

Diferentes maneiras de narrar permitem ao leitor tomar conhecimento da história contada:

  • Narrador-personagem é aquele que narra uma história da qual participa, como personagem principal ou secundária.
  • Narrador observador é aquele que não participa da história e conta apenas o que se pode ver; não conhece as motivações íntimas das personagens.
  • Narrador onisciente é aquele que conhece todos os aspectos da trama, inclusive os pensamentos e sentimentos das personagens.

O espaço e o tempo

Toda narrativa inscreve seus elementos num quadro espaço-temporal. O enredo se inscreve em determinado tempo das passagens narrativas; as passagens descritivas se inscrevem no espaço ou lugar.

A temporalidade no romance depende também da velocidade da narrativa. Um longo período pode ser contado em algumas palavras, assim como um fato de alguns minutos pode dar lugar a uma narrativa de várias páginas. Essas variações sugerem um ritmo próprio a cada passagem e a cada romance. Esse ritmo é impresso pelo escritor.

O ponto de vista da narrativa

O ponto de vista pode ser:

  • interno: na primeira e/ou terceira pessoa; a visão é então limitada e subjetiva;
  • externo: o narrador se coloca em posição de testemunha exterior à ação e às personagens; esse ponto de vista dá a impressão de imparcialidade, de objetividade;
  • nulo ou zero: na maioria das vezes o narrador é onisciente, isto é, ele tem uma visão de conjunto do espaço e do tempo. Sua visão do enredo e das personagens, do passado e do presente é, portanto, ilimitada.

Foi a paixão de conhecer e de explorar o campo específico da vida humana concreta que constituiu a mola propulsora da criação do romance. Esse gênero fez uma descoberta capital: o mundo é complexo e ambíguo e as verdades são relativas, parciais e contraditórias.

Por: Arnaldo V. Nascimento

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