Home Biografias > Castro Alves

Castro Alves

O estudioso Antonio Candido afirma que Castro Alves (1847-1871) se tornou o defensor dos escravos negros e dos oprimidos, apresentando em sua obra uma “máscula energia de poema humanitário”.

Publicidade

De acordo com ele, ao contrário da geração anterior, que dava ênfase aos dilemas da interioridade, Castro Alves reflete sobre os dramas do mundo, vendo-os como extensão do drama de cada homem.

Biografia

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847, na fazenda de Caba­ceiras, em Curralinho, atual cidade de Castro Alves, na Bahia. Na opinião de alguns estu­diosos, é o maior poeta do Romantismo brasi­leiro. A morte o levou precocemente, aos vinte e quatro anos, impedindo o amadurecimento de seu talento poético.

Iniciou o curso de Direito em Recife, onde a campanha liberal-abolicionista encontrava-se em andamento e Castro Alves seria um dos primeiros líderes, com Tobias Barreto. Apaixonou-se pela atriz Eugênia Câmara e partiu com ela para a Bahia, onde a fez representar o drama de sua autoria Gonzaga ou a Revolução de Minas.

Publicidade

Tinha como objetivo concluir o curso de Direito em São Paulo, aonde chegou no ano seguinte. Em fins de 1867, teve a infelicidade de ferir o pé com um tiro casual, o que resultou em amputação. Com a saúde frágil e com o rápido progresso da tuberculose, o poeta veio a falecer em 1871, na cidade de Salvador.

O poema “Mocidade e morte” retrata a angústia de se ter consciência da morte iminente e inevitável ainda na juventude.

O estilo de Castro Alves

A geração de Castro Alves ficou conhecida como a geração condoreira. Condoreirismo deriva de condor, ave de maior porte e de mais alto voo da América. Trata-se de poesia repleta de imagens grandiosas, de hipérboles, de linguagem grandiloquente, ou seja, o poeta dá ao tema tratamento grandioso. Poeta contemporâneo de Castro Alves, de tendência fortemente cosmopolita, foi Joaquim de Sousa Andrade, conhecido como Sousândrade.

A indignação do poeta surge em imagens grandiosas, que tomam à natureza e à divindade a matéria para a composição das comparações e metáforas.

Poesia engajada

Na época, a sociedade baseava-se fortemente no trabalho escravo, que era visto, pela maioria das pessoas, como algo natural. Assim, ao humanizarem os escravos, mostrando como foram arrancados de sua terra natal, em que eram livres e fortes, para serem transformados em objetos, os versos procuravam ajudar a mudar a mentalidade das pessoas que os liam.

Em O navio negreiro, o poeta descreve os horrores passados pelos africanos, quando eram transportados, em navio, da África para o Brasil. Contrastando com a beleza exterior da cena da embarcação deslizando sobre as águas, o chicote e o sofrimento dos escravos, atados todos em uma só corrente, criam o que o poeta descreve como uma espécie de dança macabra de dor. Assim, ao fazer o leitor vivenciar as agruras dos escravos, o eu lírico procurava sensibilizá-lo, atuando, por meio de sua poesia, em defesa da abolição da escravidão.

O livro A cachoeira de Paulo Afonso finaliza a temática da escravidão; conta a história da escrava Maria, violentada pelo filho do senhor, o qual escapa à vingança do escravo Lucas, noivo da moça, graças à revelação que lhe faz a mãe deste de ser ele seu irmão. O suicídio do casal num barco, na Cachoeira de Paulo Afonso, é o desfecho da obra. A paisagem sertaneja auxilia a composição dos quadros na realização dos episódios. Merecem destaque poemas como A tarde, A queimada, Crepúsculo sertanejo e O São Francisco.

A poesia social de Castro Alves assinala a passagem de uma literatura que anteriormente era alheia aos problemas reais da nação para uma literatura compromissada com a realidade brasileira, focalizando temas de interesses locais, ainda que à maneira romântica.

A poesia condoreira, ligada aos ideais humanitários do liberalismo, contribuiu para o rompimento da lírica com os temas provincianos e auxiliou a poesia local na passagem para a abordagem objetiva de realidades universais.

Poesia amorosa

Se, por um lado, Castro Alves cultivou poesia social e humanitária, tornando-se entre os brasileiros “o poeta dos escravos”, por outro lado cultivou uma poesia lírico-amorosa bastante diferente da de seus antecessores. Enquanto a lírica de Gonçalves Dias e a de Álvares de Azevedo celebram as dores de um amor não correspondido e impossível, a lírica de- Castro Alves celebra o amor real, marcado por forte sentimento erótico.

A vivência amorosa do poeta com a atriz portuguesa Eugênia Câmara é o principal motivo pelo qual a poesia do autor se afasta dos modelos líricos anteriores.

A poesia amorosa de Castro Alves, reunida em Espumas flutuantes, contém forte sensualidade e visão poética do amor como sentimento vivenciado e concretizado nos planos emocional e físico. O amor é descrito com vigor, desejo e sensualidade, por meio de metáforas da natureza. A intensificação do amor e do desejo confere aos poemas as marcas do estilo condoreiro, uma vez que o tema do amor também é abordado de forma grandiloquente e hiperbólica.

Pela poesia lírica de Castro Alves perpassa o espírito de D. Juan. Este personagem, celebrado pelos autores Tirso de Molina, Molière e Lord Byron, simboliza a figura do grande sedutor, do homem capaz de seduzir e conquistar as mulheres.

Luiz Roncari afirma que a nova maneira de conceber o amor, presente nas obras de Castro Alves, em que tem lugar a sexualidade, relaciona-se às novas formas de pensamento da época, que se opunham ao modo tradicional de pensar.

Bibliografia

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2007.

RONCARI, Luiz. Literatura brasileira: dos primeiros cronistas aos últimos românticos. São Paulo: Edusp, 2002.

Por: Wilson Teixeira Moutinho