Biografias

Karl Marx

Karl Marx foi um pensador e revolucionário do século XIX, elaborou junto com Engels uma nova interpretação da história, juntos organizaram o movimento operário, inauguraram a “filosofia da práxis” e apontaram o comunismo como a realização da liberdade humana.

Biografia

Partidário, na juventude, da esquerda hegeliana, o alemão Karl Marx foi redator da Gazeta Renana, jornal da oposição fechado pela monarquia prussiana. Viveu em Paris (1843) e em Bruxelas (1845), onde entrou em contato com o movimento operário.

Em Paris, conheceu Engels. Expulso da Alemanha por sua participação na revolução de 1848, fixou residência em Londres. Ali, dedicou-se, com bastante aperto econômico, ao estudo, ao jornalismo e à política. Em 1864 participou da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, cujos estatutos redigiu. Sua obra contém elementos de filosofia, história, economia, direito e política.

Nela, Marx afirma que a história da humanidade é a história da luta de classes, surgida com a aparição da propriedade privada. Ao longo dos séculos, uma série de modos de produção foi se sucedendo até chegar ao capitalismo, caracterizado pelo trabalho assalariado da classe operária, pela mais-valia (valor que expressa a exploração da força de trabalho pelo capital) e pela posse, por parte dos capitalistas, dos meios de produção. Segundo as teses de Marx, o desenvolvimento do capitalismo, necessariamente, conduzirá a uma nova fase histórica, o socialismo, caracterizado pela abolição da propriedade privada e pela desaparição paulatina das classes sociais.

A obra mais importante de Marx é O capital, cujo primeiro livro foi publicado em 1867. Nele, é realizada uma minuciosa análise das origens, da evolução e das características do capitalismo do século XIX. Outras de suas publicações mais relevantes são Manuscritos econômico-filosóficos (1844), A ideologia alemã (1846), Manifesto do partido comunista (1848), escritas com a colaboração de Engels, e Contribuição à critica da economia política (1859).

Karl Max
Karl Max questionou a filosofia tradicional e, com sua obra, propôs um novo caminho para ela.

De Hegel ao comunismo

O percurso intelectual de Karl Marx (l 818-1883) tem início com a leitura de Georg W. F, Hegel (1770-1831). Marx fazia parte da “esquerda hegeliana”, a ala progressista dos seguidores do filósofo (a outra ala, conservadora, era a “direita hegeliana”), que pregava reformas na Prússia. A militância política fez de Marx um alvo do absolutismo prussiano, que passou a persegui-lo e terminou por expulsá-lo

Quando isso aconteceu, ele já havia rompido com os hegelianos, influenciado pelo materialismo de outro filósofo alemão, Ludwig Feuerbach (1804-1872). Também já conhecera Friedrich Engels (1 820-1895), que seria seu interlocutor e parceiro intelectual durante toda a vida. Juntos, ambos elaboraram a teoria do materialismo histórico.

Uma das maiores contribuições de Marx foi a dissecação do então nascente sistema capitalista. Ele fez uma análise minuciosa do funcionamento desse sistema, estabelecendo seus fundamentos, características e contradições. Para isso foi decisiva sua atividade política junto do operariado alemão e sua militância como partidário do comunismo.

A filosofia como práxis

“Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo”, escreveu Karl Marx na 11 – das Teses sobre Feuerbach (1845), O texto, curto, faz a crítica do idealismo alemão e da própria filosofia, acusada de tomar a realidade como objeto ou como contemplação, nunca como práxis, isto é, como atividade humana concreta. “E na práxis”, afirma Marx, na 2- tese, “que o ser humano tem de comprovara verdade, isto é, a realidade e o poder, o caráter terreno do seu pensamento”.

Foi com base nessa convicção que Marx elaborou seu pensamento. Conhecedor, como ativista político, da problemática operária; combatente do absolutismo e de todas as formas de exploração humana; estudioso de história, filosofia, direito e economia, ele não apenas acercou-se da realidade de várias maneiras como interferiu nela.

Essa intervenção se deu, em vida, na organização do movimento operário e na propaganda comunista, incluindo a redação, com Engels, do famoso Manifesto comunista (1848). Seu pensamento e sua militância, porém, atravessaram os séculos, influenciando movimentos que mudaram a história (como a Revolução Russa de 1917) e conquistando adeptos até hoje. Também conquistaram críticos, mas até mesmo eles reconhecem a estatura de Marx como teórico e como o filósofo que desvendou o funcionamento do capitalismo.

O vagão de terceira
O vagão de terceira, de Honoré Daumier (1808-1879). A exploração e a miséria da classe trabalhadora foram combatidas por Marx. Ativista político e intelectual, ele sérias dificuldades financeiras.

O materialismo histórico

A defesa da práxis levou Karl Marx à elaboração, com Engels, do materialismo histórico, um modo de examinar e compreender o mundo baseado não em ideias ou conceitos, mas na realidade vivida pelos homens, em suas condições de existência e nas ações que executam.

Ao centrar sua análise na maneira como os seres humanos produzem as condições materiais de suas vidas, demonstrando que é essa produção a responsável pela organização da sociedade, Marx fundou, para a filosofia, um caminho novo.

O materialismo histórico recompõe e analisa a história pelas relações que os homens mantêm entre si, divididos em duas classes sociais: a dos trabalhadores e a dos proprietários (das terras e/ou dos meios de produção).

São essas relações que compõem a base econômica das sociedades e que determinam, com o suporte da instância política (detentora da força) e da coerção ideológica, o modo como os homens vivem, tanto material como simbolicamente. Isso tem como consequência, para a filosofia, a constatação de que nenhuma ideia, nenhum conceito, por mais bem-intencionado que seja, pode realizar mudanças na realidade concreta.

Mudar a realidade implica transformar as relações entre os homens, de modo que a classe trabalhadora se aproprie dos meios de produção, encerrando o ciclo de exploração e servidão a que é submetida pelos detentores do capital.

Engels e O capitai

Com a morte de Marx, em 1883, seu amigo e protetor Friedrich Engels (1820-1895), que o ajudou a escrever boa parte de sua obra inicial, retomou o texto inconcluso de O capital e publicou, conforme seu critério, todos os materiais que Marx deixara.

O esforço visava a impedir que o movimento socialista alemão acabasse dominado pela filosofia neokantiana, que triunfava novamente na universidade. Por isso, Engels empenhou-se em definir o que chamava “socialismo cientifico” diante de um socialismo inspirado em considerações filosóficas gerais.

Engels (e posteriormente Lênin) também teorizou a respeito do materialismo dialético, acentuando o caráter contraditório da realidade material e da história, esta centrada no conflito entre classes antagônicas, cuja superação última se completaria na sociedade comunista.

Entre as obras de Engels destacam-se A situação da classe trabalhadora na Inglaterra (1845), Anti-Duhring (1878), A dialética da natureza (obra inacabada, publicada postumamente, em 1935) e A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884).

Veja também: