Corpo Humano

Contração Muscular

Os músculos são órgãos especializados em transformar a energia química dos alimentos em energia cinética, ou seja, movimento. Nos músculos, o oxigênio captado pelo sistema respiratório combina-se com o açúcar absorvido a partir da digestão, liberando energia para a promoção da contração muscular.

Mecanismo da contração muscular

Para entendermos o mecanismo da contração muscular, devemos observar os músculos no nível celular. As fibras musculares são formadas pela fusão de células contendo proteínas estruturais filamentosas chamadas actina e miosina, que formam as miofibrilas.

Há muitas delas dentro das fibras musculares, estruturas alongadas formadas pela fusão de várias células. O conjunto de fibras musculares, por sua vez, é denominado músculo.

As fibras musculares estriadas compõem de 80% a 90% do volume total dos músculos de um ser humano, e a contração desse tipo de musculatura é sempre rápida e voluntária, ou seja, depende da vontade do indivíduo.

Representação esquemática da estrutura que compõe os músculos. As miofibrilas são formadas por proteínas estruturais, actina e miosina, diferenciadas pelas faixas claras e escuras.

Contração muscular

Na contração muscular, a miofibrila se encurta em função do deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina. Quando muitas miofibrilas se contraem juntas, elas produzem a contração do músculo como um todo.

Geralmente, o estímulo para a contração muscular inicia-se na parte central do sistema nervoso, sendo propagado pelos neurônios. Para a contração muscular ocorrer, é necessário presença de energia, fornecida pela glicose, e de íons de cálcio, que permitem a contração das miofibrilas. A glicose é, geralmente, consumida pela respiração celular, produzindo gás carbônico e água, e liberando energia para as atividades celulares, incluindo a contração das células musculares.

Na contração muscular, há o deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina, que se sobrepõem; consequentemente, há o encurtamento do músculo. As unidades formadas por actina e miosina se repetem ao longo da miofibrila e são denominadas sarcômeros.

Em algumas situações, como no caso de baixa disponibilidade de oxigênio nas células, ocorre um processo chamado fermentação lática, no qual a glicose é degradada na ausência de oxigênio para liberar energia, produzindo ácido lático que gera a fadiga muscular.

Relaxamento muscular

No relaxamento muscular, as proteínas se desacoplam, causando o alargamento do sarcômero. Ao observar a estrutura macroscópica, o que ocorre com o músculo é exatamente o mesmo movimento: encurtamento na contração e extensão no relaxamento. Dessa forma, o relaxamento muscular depende da ausência desses íons, ou seja, a célula muscular tem baixos níveis de cálcio no citoplasma.

Representação do relaxamento muscular. Os filamentos de actina e miosina estão relaxados.

Antagonismo muscular

Muitos músculos atuam em antagonismo muscular, como ocorre nos braços e nas pernas. Para realizarmos o movimento de alavanca nos braços, há a contração de determinada musculatura e o relaxamento de outra. É o que ocorre no bíceps e no tríceps – músculos dos membros superiores que trabalham de maneira antagônica.

Representação do relaxamento muscular.

Fadiga e cãibra

Se fizermos atividades físicas durante um longo período, as reservas de oxigênio nos músculos podem se esgotar. Para continuar contraindo-se, os músculos passam a fazer o processo de fermentação lática.

Nesse processo, a energia dos açúcares é liberada sem a presença do oxigênio, resultando na formação do ácido lático, que ao se acumular nos músculos pode causar queimação e levar à fadiga muscular. A dor que pode ocorrer nos dias após o esforço muscular é provocada pelo processo de regeneração do músculo.  Em tal estado, o músculo se torna incapaz de se contrair até que o excesso de ácido lático seja metabolizado.

Já na cãibra, a musculatura contrai-se involuntariamente, mantendo-se contraída e causando dor. O acúmulo de ácido lático após exercício físico intenso pode causar cãibra, assim como a falta de sais minerais no organismo, principalmente de sais de potássio.

Para reduzir os efeitos desse ácido nos músculos durante a atividade física é recomendado alongar-se sempre, antes e após exercícios intensos. O treinamento específico para estimular as células musculares a realizar com mais eficiência a respiração aeróbica, evitando o acúmulo do ácido lático, pode ser denominado condicionamento físico e depende do tipo de atividade realizada.

Bibliografia:

PLOWMAN, S. A.; SMITH, D. L. Exercise physiology. 2. ed. Philadelphia: Lippincott Williams and Wilkins, 2007.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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