Cultura

Cultura no Brasil Colonial

Entre outras coisas, a cultura desenvolvida no Brasil durante o período colonial foi resultado da mistura entre costumes europeus, indígenas e africanos. Um bom exemplo disso pode ser expresso por meio da culinária. Os alimentos consumidos pelos índios, como a mandioca e o milho, passaram a fazer parte da dieta dos colonizadores portugueses, que, por sua vez, trouxeram o hábito de comer carne bovina.

A língua falada na colônia também refletia a miscigenação cultural, já que várias palavras pronunciadas aqui não existiam no português falado em Portugal, pois eram resultado da combinação do português com o tupi-guarani falado pelos nativos da região litoral do Brasil.

A fim de se aproximar dos índios para catequizá-los, os padres jesuítas aprendiam as línguas faladas por eles e lhes ensinavam o português, daí ser a mistura inevitável. Com as línguas faladas pelos africanos não foi diferente, o que acrescentou ainda especificidade no português falado no Brasil.

Palavras como cipó, piracema, abacaxi, Catanduva, Araraquara, jabuticaba e pipoca são alguns exemplos de palavras de origem indígena, enquanto senzala, vatapá, samba, moleque, batuque, cafuné e caçula são exemplos de palavras de origem africana.

Devido ao intenso contato dos paulistas com os índios, a língua falada na região que hoje corresponde a São Paulo e Minas Gerais até o início da mineração era quase indecifrável para alguém de Portugal, tamanha era a sua predominância indígena. Essa situação só começou a mudar a partir do século XVIII, quando o marquês de Pombal determinou a obrigatoriedade do português como língua oficial no Brasil.

A religiosidade foi outra marca importante da cultura brasileira no Período Colonial. E também nesse quesito, a mistura de tradições foi muito forte.

A Igreja Católica, aliada da Coroa portuguesa, encontrou bastante espaço para atuar no processo de colonização do Brasil, o que implica entendermos, por exemplo, que um colono, para receber terras e se configurar como tal, tinha de ser obrigatoriamente católico.

Sendo assim, pessoas de outras religiões ou de outras crenças distintas daquelas pregadas pela Igreja Católica não eram bem-vindas ao Brasil, pois corriam o risco de serem perseguidas pelos membros do clero católico, ou até mesmo pelo Tribunal da Inquisição, cuja presença oficial em terras coloniais foi registrada três vezes, sendo uma no final do século XVI, uma na primeira metade do século XVII e outra na segunda metade do século XVIII.

Dança da congada.
Os cultos aos santos por meio das irmandades e confrarias representavam espaços de sociabilidade entre os africanos que viviam no Brasil, construindo importantes vínculos de associação entre eles. A congada é um exemplo de confraria religiosa leiga surgida no Brasil colonial, cuja existência permanece nos dias atuais.

Os escravos africanos e seus descendentes resistiram bravamente à destruição da sua cultura, o que resultou na manutenção de muitos de seus valores e costumes, ainda que adequados às exigências dos colonizadores. O resultado dessa adequação produziu o que chamamos de sincretismo religioso, nesse caso, o resultado da mistura de símbolos religiosos africanos com símbolos religiosos católicos, já que a Igreja Católica era contrária às manifestações religiosas originalmente africanas.

Por meio de seus cultos, nos quais a reza se misturava com o batuque, com a dança e com o canto, os negros reagiam à imposição que a Igreja Católica lhes fazia de seu Deus, assim como extravasavam os dissabores do pesado trabalho nas lavouras e nas minas.

Contudo, as danças e cantos que marcavam a cultura africana e qualquer outro tipo de cultura popular no Brasil Colônia eram vigiados de perto e considerados imorais pelo clero católico; por isso, muitas vezes, eram misturados a manifestações culturais de caráter sagrado.

É inegável que houve um salto considerável em termos culturais no Brasil colonial do período de predominância da cana-de-açúcar para o período da mineração. A maior circulação de pessoas e de riquezas em um ambiente mais urbano do que rural permitiu uma mobilidade social que o Brasil ainda não tinha conhecido até o século XVIII.

Pintura representando uma dança de capoeira.
Jogar capoeira, de Rugendas. A capoeira, uma mistura de dança, jogo e luta praticada pelos africanos e seus descendentes no Brasil, não era bem vista pela elite colonial brasileira, o que fez com que ela fosse combatida e até proibida.

Vila Rica (atual Ouro Preto) foi um dos principais centros das mais variadas manifestações artísticas, chegando a comportar a primeira Casa de Ópera do Brasil. O barroco mineiro é apontado como a maior expressão do desenvolvimento cultural ocorrido nas Minas Gerais.

Contudo, não podemos nos esquecer de que as manifestações culturais ocorridas no Brasil colonial eram, em sua grande maioria, reproduções da cultura europeia, haja vista o fato de o Brasil ser uma colônia de exploração e estar submetido ao controle da metrópole (Portugal). Mesmo a arte popular, mais regionalizada e desenvolvida de forma endógena, sofria o controle e as punições impostas ou pela Igreja Católica ou pelo próprio Estado português.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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