Cultura

Dia do Índio

O continente americano era amplamente povoado por grandes nações indígenas, durante muitos milênios, até a chegada dos conquistadores europeus, nos séculos XV e XVI. A data comemorativa conhecida como Dia do Índio foi instituída com o propósito de preservar as tradições e identidade desses povos, lembrando as próximas gerações das verdadeiras raízes que formam o povo brasileiro.

Tomando como referência o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido em 19 de abril de 1940, essa data foi a escolhida para se comemorar e homenagear a cultura indígena em nosso país. A data foi oficializada em 2 de junho de 1943, por meio de um decreto-lei assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. Esse congresso tinha o objetivo de reunir os líderes indígenas das diferentes regiões do continente americano e por meio disso conhecer e compreender suas necessidades e condições, além de trabalhar para zelar por seus direitos.

A ONU (Organização das Nações Unidas) também criou uma data específica, o Dia Internacional dos Povos Indígenas, que é comemorado em 9 de agosto, com o intuito de conscientizar as entidades governamentais e a população mundial sobre a importância de se preservar e reconhecer os direitos dos povos indígenas.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) é uma das principais instituições nacionais que se dedica a defender a cultura e os direitos dos indígenas no Brasil.

Durante o Dia do Índio, as escolas e instituições culturais e de ensino incentivam as crianças e os jovens a conhecer as diferentes práticas culturais dos indígenas. São organizadas atividades, trabalhos criativos, palestras informativas e eventos dedicados à valorização dessa cultura. É um dia de reflexão sobre a importância da preservação desses povos, de suas terras e de suas manifestações culturais.

Foto com vários índios de diferentes etnias.
A riqueza cultural dos povos indígenas ainda impressiona os que não a conhecem senão superficialmente.

Os nativos já habitavam o vasto território – mais tarde, Brasil – quando os colonizadores portugueses aqui chegaram, em 1500. Desde essa data, temos visto o declínio da população indígena. Esse processo ainda ocorre, pois, com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos têm perdido suas terras.

O contato com o chamado homem branco fez muitas tribos perderem sua identidade cultural ou por meios violentos ou por miscigenação. Pouco sabemos sobre os nativos que viviam naquela época, mas esse pouco se deve à célebre Carta de Pero Vaz de Caminha e também aos documentos deixados pelos padres jesuítas. Os povos indígenas viviam essencialmente da caça, da pesca e da agricultura rudimentar, domesticavam animais de pequeno porte, como o porco-do-mato e a capivara. Além disso, tinham uma relação fundamentada em regras sociais, políticas e religiosas próprias; confeccionavam objetos, utilizando as matérias-primas da natureza, sempre respeitando o meio, retirando dele somente o necessário para sua sobrevivência.

Entre os indígenas, não há classes sociais como as dos meios civilizados. Os meninos, ou curumins, desde pequenos, aprendem sobre as atividades dos adultos, de forma prática, observam seus pais e outros membros da tribo e vão treinando e praticando desde cedo. Quando o pai sai para caçar, costuma levar seu filho para que ele aprenda sobre essa atividade. Aos 14 anos, o jovem participa de uma cerimônia para ingressar na vida adulta.

Os portugueses eram militarmente superiores aos povos indígenas locais e passaram a dominá-los e colocaram-nos a seu serviço. A cultura indígena era considerada pelos europeus como sendo inferior e grosseira. Dessa forma, por força da dominação do colonizador, os nativos foram perdendo sua cultura e identidade. Ao longo do tempo, a relação entre os indígenas e os colonizadores europeus foi notadamente marcada pela lógica do conflito.

Somente no século XX é que algumas políticas começaram a ser implantadas no sentido de promover a integração dos nativos à sociedade brasileira. Atualmente, várias organizações procuram garantir os direitos aos povos indígenas do Brasil. Mesmo assim, eles ainda sofrem com a intervenção de fazendeiros, madeireiros e garimpeiros que tentam explorar suas terras. Em meio a esses conflitos, o contato dessa população com tais grupos de interesse promove uma série de mudanças que vão desde a constatação de epidemias até a mudança nas relações socioculturais.

Devemos enxergar o indígena como um cidadão que tem o direito de determinar seu próprio destino. Não cabe à sociedade ou aos governos orientar as escolhas desse povo que vive no Brasil há tanto tempo.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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