Curiosidades

Os diferentes tipos de calendários

Os calendários são formados por um conjunto de regras astronômicas e convenções socioculturais para facilitar a contagem do tempo, dividindo-o em dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos e milênios.

O ser humano sempre procurou formas para registrar a passagem do tempo. A princípio, notou a sucessão dos dias e das noites e o desenrolar das fases da Lua, promovendo as noções iniciais de dia e mês para os antigos povos. Com o desenvolvimento da agricultura, esses povos primitivos puderam perceber o ciclo das estações do ano, tendo assim a noção de ano.

Veja os principais tipos de calendários utilizados:

Calendário lunar

Surge entre os povos de vida nômade ou pastoril. Baseado nas fases da Lua, o dia começa com o pôr-do-sol. O ano é composto de 12 lunações de 29 dias e 12 horas (ou seja, meses de 29 e 30 dias intercalados), num total de 354 ou 355 dias. A defasagem de 11 dias em relação ao ano solar (365 dias) é corrigida pela inclusão de um mês extra periodicamente.

Esse calendário precisa ser ajustado sistematicamente para que o início do ano corresponda sempre a uma lua nova (o mês lunar não é igual a um número inteiro de dias e os meses devem começar sempre com uma lua nova). Para que os meses compreendam números inteiros de dias, adota-se o emprego de meses alternados de 29 e 30 dias.

Os calendários lunares usados até hoje tentam resolver a diferença com o tempo solar usando alguns “truques”. O calendário muçulmano, por exemplo, realiza um acerto a cada 33 anos. Comparado ao ciclo solar, o mês lunar é móvel, percorrendo ao longo dos 33 anos todas as estações do ano. Por isso, em relação ao nosso calendário, as festas religiosas islâmicas, como o Ramadã, são móveis de um ano em relação ao outro.

Calendário solar

Baseado no ano solar, que é o tempo real gasto pela Terra para completar uma volta completa ao redor do Sol (movimento de translação). O ano solar, também chamado de tropical, tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos.

Estabelece o ano de 365 dias, dividido em 12 meses. A soma das seis horas (arredondamento de 5h48m46s) que sobram a cada ano resulta no ano bissexto a cada quatro anos (6 horas x 4 = 24 horas, ou seja, um dia a mais em fevereiro). O calendário solar surge entre as populações agrícolas.

Os egípcios foram provavelmente o primeiro povo a adotar um calendário predominantemente solar. Chegaram a reconhecer um ano de 365 dias, formado por 12 meses, cada um com 30 dias, e um dividendo extra de 5 dias somado ao final. Mas não contabilizaram um quarto de dia excedente (cerca de 6 horas) e seu calendário tornou-se impreciso.

Calendário lunissolar

Baseia-se no mês lunar, adequando-se o ano lunar às estações do ano (ano solar), por meio de intercalação periódica de um mês a mais. Diferença de 11 dias por ano. O começo do ano deve coincidir com o início de uma lunação.

Os gregos adotavam um calendário com um ano do tipo lunissolar. Era formado de 12 meses com 29 e 30 dias, alternados, começando próximo do solstício do verão.

Calendário egípcio

Os egípcios dividiam o ano em três estações, de acordo com as suas atividades agrícolas, que eram dependentes das cheias do rio Nilo. Por volta de 5000 a.C., os egípcios estabeleceram um ano de 365 dias, com uma divisão de 12 meses de 30 dias e um adicional de cinco dias no final de cada ano. O atraso aproximado de 6 horas por ano em relação ao ano real conhecido hoje fez com que lentamente as estações egípcias fossem também se atrasando ano a ano.

Mesmo sem dispor de cálculos precisos, os egípcios conseguiram perceber que esse sistema ainda causava um atraso de um dia a cada 4 anos – e corrigiram isso acrescentando ainda mais um dia nesse período, o ano bissexto, que é usado até hoje pelo calendário cristão.

Calendário hebreu

O calendário de Gezer foi descoberto em uma expedição entre os anos de 1902 e 1908. Estima-se que ele tenha sido escrito no século X a.C. Trata-se de um dos registros mais antigos que dão notícia do calendário hebreu. As suas inscrições mostram que ele estava organizado de acordo com a duração das principais atividades agrícolas dentro de um ciclo de 12 luas.

Calendário de Gezer.

Calendário muçulmano

Os anos são contados a partir de Hégria, que é quando o profeta Maomé migrou de Meca para Medina, em 622. Além disso, ele é o calendário oficial em muitos países muçulmanos, inclusive na Arábia Saudita.

Nele, o ano possui 354 dias que estão divididos em 12 meses de 29 ou 30 dias. O mês começa quando o crescente lunar aparece pela primeira vez após o pôr do sol e tem a sexta-feira como o seu dia santificado. O tempo é dividido em ciclos de 30 anos. Durante cada ciclo, 19 anos têm 354 dias regulares e 11 anos têm um dia extra cada um.

Cada mês islâmico dura de uma lua cheia até a seguinte, o que torna o ano 11 dias mais curto que o ano solar. Por causa disso, as festas não acontecem nos mesmos dias de ano para ano.

Para se fazer um comparativo entre datas nos calendários gregoriano e muçulmano, há um cálculo bastante simples. Observe:

  • toma-se um ano qualquer no calendário Gregoriano e subtrai 622 (ano da Hégira);
  • multiplica-se esse resultado por 1,031 (número de dias do ano gregoriano dividido pelo número de dias do ano lunar);
  • a parte inteira encontrada é a data no calendário muçulmano.

Assim, o ano de 2021 no calendário gregoriano é o ano de 1442 no calendário muçulmano.

Calendário Judeu

É um calendário cujo ano é solar e os meses, lunares. Cinco meses têm 29 dias, cinco têm 30 dias e dois têm duração variada, de ano para ano. O mês começa com a lua nova e o primeiro dia chama-se Rosh Hodesh. O dia inicia-se com o pôr do sol.

Segundo a crença religiosa, o calendário judaico começa com a data da criação do mundo – 3760 a.C, segundo vários cálculos baseados na Bíblia. O ano civil começa no outono, mas o ano religioso começa na lua nova seguinte ao equinócio da primavera.

O primeiro mês é chamado Nisan e, a cada dois ou três anos em períodos de dezenove anos, um mês extra é acrescentado para resolver a incompatibilidade entre o ano solar e o lunar. Os anos de doze meses são chamados de anos comuns e os de treze meses embolísmicos.

Calendário cristão

O calendário cristão é o mais utilizado no mundo. Foi estabelecido em 1582 pelo papa Gregório XIII e é conhecido como calendário gregoriano. Esse calendário é resultado de várias reformas do calendário Juliano, oficial do império Romano por muitos séculos.

O calendário cristão estabeleceu que o início, o ano 1, fosse marcado com o nascimento de Cristo. Os anos anteriores a ele foram contados de frente para trás e seguidos da abreviatura a.C. (antes de Cristo). As datas a partir do ano 1 receberam d.C. (depois de Cristo ou A.D. – ano do Senhor, em latim), mas normalmente não se utiliza essa abreviatura.

Ele tem 11 meses de 30 ou 31 dias e o mês de fevereiro normalmente de 28 dias. A cada quatro anos, no ano bissexto, fevereiro tem 29 dias. Há a ausência de anos bissextos durante três anos em cada período de 400 anos. O primeiro destes ciclos começou em 1600, que foi bissexto, mas 1700, 1800 e 1900 não foram bissextos. Já o ano de 2000 foi. Assim só serão bissextos os anos divisíveis por 400.

A reforma de Gregório deixa o calendário bem exato, mas há ainda uma diferença de 2 horas, 43 minutos e 2 segundos a cada 400 anos. Isso produz o acréscimo de um dia a cada 3532 anos, que um dia deverá ser corrigido.

O calendário gregoriano começou a ser usado imediatamente nos países católicos, mas as nações protestantes e os cristãos ortodoxos não o aceitaram tão rápido. A Alemanha só o assumiu em 1700, a Inglaterra em 1751, a Bulgária em 1917, a Rússia em 1918, a Romênia em 1919, a Grécia em 1923 e a China apenas em 1949. Uma curiosidade: apesar de ser usado como calendário oficial nas relações comerciais e civis, o calendário gregoriano não é aceito pela Igreja Ortodoxa Oriental, que até hoje mantém o calendário Juliano para fins religiosos.

Por: Renan Bardine

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