Geografia do Brasil

Nordeste: Quadro Natural

O Relevo Nordestino

As rochas cristalinas representam as grandes unidades geológicas predominantes no Nordeste oriental, à exceção das bacias sedimentares costeiras, que ocupam a faixa litorânea. Enquanto as grandes bacias de domínio das rochas sedimentares situam-se no lado ocidental da Região.

O Nordeste cristalino, estende-se do sul da Bahia ao Ceará prolongando-se até o sudeste do Piauí. Ao longo de sua evolução geológica, essa extensa região esteve submetida a intenso tectonismo, responsável por levantamentos de amplitude variada, fraturamentos e falhamentos, além de vigorosos processos erosivos, que resultaram em formas estruturais, representadas por cristas, serras e relevos residuais. Somados a estes movimentos, houve também, no passado, a atuação das oscilações climáticas, nos diferentes tipos de rochas, influindo na configuração do atual relevo.

A porção ocidental do Nordeste, espaço de domínio das rochas sedimentares, compreende quase todo o Maranhão e Piauí, prolongando-se pelos Estados da Bahia e de Minas Gerais, na região do Planalto Ocidental Sanfranciscano.

Destacam-se nestas grandes unidades, as seguintes subunidades:

Planalto da Borborema

Constitui-se na mais importante feição geomorfológica do Nordeste oriental. A exposição de suas encostas, voltadas para leste e sudeste, e a dimensão do seu relevo exercem papel fundamental na concentração de umidade, na formação de solos mais profundos e na existência da vegetação de floresta, típica dessa sub-região nordestina. Estendendo-se de Alagoas ao Rio Grande do Norte, o grande conjunto planáltico da Borborema apresenta três aspectos no seu modelado: a escarpa, as superfícies elevadas dos maciços e as superfícies baixas pediplanadas.

Espinhaço

Faz parte de um conjunto de terras elevadas e se estende desde os arredores de Juazeiro na Bahia até a parte central de Minas Gerais. Abrange na Região, a Serra Geral do centro-norte de Minas e Bahia até os arredores do Pico das Almas e a Chapada Diamantina.

Chapadões e chapadas

Compreendem a porção meridional dos Estados do Maranhão e do Piauí e as “cuestas”, delimitando quase toda a bacia sedimentar do Nordeste ocidental. É possível também encontrar testemunhos sedimentares na porção oriental da Região, a exemplo da Chapada do Araripe, compreendida entre os Estados do Piauí, Ceará e Pernambuco, e a do Apodi, no Rio grande do Norte.

Chapadões e Chapadas

Grandes depressões

Os maiores destaques são a Depressão Sanfranciscana, a Cearense e a do Meio Norte. A Sanfranciscana situa-se ao longo do percurso do Rio São Francisco, especialmente na Bahia e em Pernambuco. A Cearense limita-se ao sul pela Chapada do Araripe, a leste pela Borborema e a oeste pela frente da “cuesta” da Ibiapaba. Existe nesta depressão uma série de maciços “inselberge”, destacando-se dentre eles o de Baturité e a da Meruoca. A do Meio-Norte, localizada no Nordeste ocidental, teve a sua superfície retrabalhada pela erosão fluvial, originando uma série de vales encaixados.

Litoral nordestino

Corresponde a uma faixa de terras de características diversificadas dividida em dois conjuntos: o litoral setentrional e o litoral oriental.

O litoral setentrional corresponde ao trecho que vai do rio Curupi, no Maranhão, até o Cabo de São Roque no Rio Grande do Norte, onde se apresentam as “rias maranhenses”, os cordões arenosos, as dunas e os tabuleiros. O litoral oriental estende-se do Rio Grande do Norte até a Bahia, encontrando-se ao longo desse trecho, uma diversidade de formas litorâneas como: restingas, dunas, lagunas, mangues, tabuleiros da formação Barreiras e colinas. A essas feições da geomorfologia dessa sub-região litorânea, somam-se também a embocadura do Rio São Francisco e a baía de Todos os Santos.

Hidrografia

As bacias hidrográficas do Nordeste correspondem a 18% das bacias brasileiras, colocando a Região em terceiro lugar, atrás apenas das Regiões Norte e Centro-Oeste. No entanto, apesar de sua extensão territorial, a hidrografia nordestina é considerada modesta devido ao caráter intermitente e irregular de boa parte de seus rios, cuja condicionante principal é o clima semi-árido, que domina grande parte da Região.

A rede hidrográfica do Nordeste é constituída principalmente pelas seguintes bacias:

Bacias Maranhenses

Constituída pelos rios Itapecuru, Mearim, Grajaú, Pindaré e Turiaçu, todos rios perenes, alimentados por uma pluviosidade média de 1.000 a 1.800mm.

Bacia do Parnaíba

Com área de cerca de 338 mil km²., banha quase todo o Estado do Piauí, 9,8% do Ceará e, aproximadamente, 17% do território do Maranhão. É representada principalmente pelo rio Parnaíba, de vazão perene.

Bacias do Nordeste oriental

São constituídas pelos rios Acaraú, Curu, Jaguaribe, Apodi, Piranhas, Paraíba do Norte, Capibaribe e Mundaú. Localizam-se em áreas com escassez de precipitações e de curta estação chuvosa.

Bacias de Sergipe e Bahia

São formadas pelos rios Vaza Barris, Itapicuru, Paraguaçu, Contas, Pardo e Jequitinhonha. Estes rios têm seu baixo curso numa área de pluviosidade elevada, sendo que, as bacias superiores do Vasa Barris e do Real localizam-se em terras semi-áridas.

Bacia do São Francisco

Compreende uma área de 487 mil km² e suas cabeceiras situam-se em áreas de precipitação abundante. O São Francisco tem a sua origem fora dos limites da Região Nordeste, em Minas Gerais, banhando ao longo do seu percurso terras dos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. O rio tem um significado muito especial para a Região, pelo que representa na vida sócieconômica do nordestino.

Açudes

Diante do problema da escassez de recursos hídricos, dezenas de açudes foram construídos no Nordeste. As grandes obras de açudagem têm sido realizadas pelo poder público, visando o abastecimento da população sertaneja e a irrigação de terras. Dentre os principais açudes, vale destacar o Armando Ribeiro Gonçalves, no Rio Grande do Norte, que tem a maior capacidade de armazenamento de água, 2,4 milhões de metros cúbicos. O Orós, segundo maior, situa-se no Ceará e tem capacidade de armazenamento de 2,1 milhões de metros cúbicos.

Mata Atlântica

Caracterizada pela grande umidade, a Mata Atlântica se estende paralelamente ao litoral brasileiro, a partir do Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte, até o Rio Grande do Sul. A Mata tem largura média de 200 km, chegando a 300 km ou 350 km em alguns pontos. A Mata Atlântica faz parte da Zona da Mata Costeira e no sul da Bahia e norte do Espírito Santo é conhecida também como Hileia Baiana e Mata dos Tabuleiros.

Em suas áreas mais densas suas árvores alcançam alturas entre 15 e 20 metros. As principais espécies da Mata Costeira são: pindoba, embaúba, pau d’alho, azeitona-da-mata, visgueiro, sapucaia, ingá e pau d’arco . Na Bahia, já na área chamada de Hileia Baiana, a vegetação é rica em espécies de madeira de lei, como o jacarandá, a maçaranduba, o jatobá, o cedro, a cerejeira e o jequitibá. Nesta região, as árvores chegam a atingir mais de 30 metros de altura.

Caatinga

Designa o conjunto de espécies vegetais de porte arbóreo e arbustivo que cobrem o semi-árido nordestino. Os solos que compõem o ecossistema da caatinga são arenosos ou areno-argilosos, pedregosos e pobres em matéria orgânica.

Também chamada de Sertão, Carrasco e Seridó, a caatinga apresenta uma série de variações na Região: caatinga seca e agrupada, caatinga seca e esparsa, caatinga arbustiva densa, caatinga das serras, caatinga da Chapada do Moxotó, além da caatinga do Litoral. Dentre as espécies vegetais mais comuns da caatinga, estão a jurema, o umbuzeiro, o marmeleiro, o mandacaru, o xique-xique, a faveleira e o pinhão-bravo.

Cerrados

Ocupa, aproximadamente, um quinto do território brasileiro. O sul e leste do Maranhão, sudoeste do Piauí e oeste da Bahia são as regiões do Nordeste que têm este tipo de cobertura vegetal. Relacionado ao clima quente, semi-úmido, com ausência de chuvas num período entre cinco e seis meses, suas áreas mais distintas estão associadas a um relevo de chapadas e tabuleiros. Os cerrados são formações herbáceo-lenhosas, com árvores de pequeno porte, de troncos e galhos retorcidos, revestidos por espessa casca. As copas das árvores e arbustos do cerrado são abertas, permitindo a passagem de luz aos extratos herbáceos.

Podem ser enumeradas como espécies mais típicas dos cerrados os seguintes exemplos: faveira, mangaba, pequi, araçá, babaçu, ipê-branco e carnaúba.

Vegetação de praias, dunas e restingas

Incluem-se nesta categoria as diversas formas de vegetação que ocorrem nos litorais arenosos. A vegetação de praia e as dunas sofrem contínua ação dos ventos marinhos, carregados de sal. Esta combinação, associada à água do mar e às areias, confere à vegetação litorânea um aspecto particular. O capim-da-areia, o alecrim-da-praia, a pimenteira, a grama-da-praia e o capim-paraturá estão entre as espécies vegetais encontradas nestas áreas.

Mangue

Este tipo de vegetação ocorre em quase toda a extensão das regiões litorâneas tropicais do mundo inteiro. A vegetação de mangue constitui-se de espécies que se desenvolvem em solos de pequena declividade, sob a ação das marés de água salgada. As características dos mangues não diferem muito entre as regiões quanto ao seu aspecto florístico. No entanto, a altura das árvores nos mangues variam bastante. No Maranhão e no litoral norte, as espécies alcançam porte bem mais elevado, formando verdadeiras florestas.

As espécies mais representativas são: o mangue vermelho, o mangue siriuba e o mangue branco.

FONTE: IBGE. Geografia do Brasil. Região Nordeste. Rio de Janeiro. 1977.
Atlas Nacional do Brasil. Rio de Janeiro. 1985.

Autoria: Luis Gabriel

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