Geografia do Brasil

Caatinga

O domínio morfoclimático da caatinga corresponde a um dos três espaços semiáridos sul-americanos, exceção paisagística em um continente marcado por grandes extensões de terras úmidas. No caso brasileiro, a especificidade é ainda mais marcante quando se verifica que em 92% do país prevalecem os climas úmidos. Esse domínio, no entanto, apresenta grande homogeneidade ecológica, fisiográfica e até social.

A caatinga estende-se por cerca de 750 mil km2 dos estados nordestinos e do norte de Minas Gerais. Seu nome, de origem tupi, significa “mata branca”, provavelmente numa referência às árvores despidas de folhas nos meses de seca. Nela predominam espécies xerófilas, adaptadas ao clima semiárido, como os cactos, o catingueiro, a aroeira, o juazeiro e o mandacaru. Os estudiosos informam que 70% de sua superfície já foi alterada pela intervenção do homem e que menos de 0,5% de sua área está protegida em unidades de conservação.

A vegetação é predominantemente de árvores baixas e arbustos com folhas miúdas e grande quantidade de espinhos. Estes formam um mosaico com as cactáceas, também abundantes na área. Quando chove, a presença de água na superfície do solo somada à grande quantidade de luz estimula a fotossíntese, e então o aspecto acinzentado da vegetação dá lugar ao verde.

Vegetação da Caatinga

O regime fluvial é absolutamente ditado pelo ciclo anual das chuvas e nas secas há um lento afundamento do lençol freático até o desaparecimento dos rios. Apesar disso, a população sertaneja utiliza essa água que fica, muitas vezes, presa ao subterrâneo, sendo comum a presença de poços.

Devido à escassez hídrica, as rochas têm sido pouco expostas à erosão, o que resulta em solos pouco profundos e terrenos normalmente pedregosos. Essa situação também se repete nos leitos dos rios. O resultado é que, em pleno sertão, na época das chuvas podem ocorrer inundações.

Por causa dessas características ambientais, julgou-se por muito tempo que a caatinga era um domínio de escassa biodiversidade. Recentes pesquisas vêm desmentindo essas observações: existem mais de 600 espécies distintas na área, 180 delas endêmicas. Porém, esse é o terceiro domínio mais devastado do país, ficando atrás somente da Mata Atlântica e do cerrado.

Por: Paulo Magno Torres

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