Geografia

Extinções em Massa

Estima-se que a vida na Terra tenha surgido há, aproximadamente, 3,5 bilhões de anos, durante o éon Arqueano. De lá para cá, o planeta passou por grandes modificações, como a movimentação das placas tectônicas, o reposicionamento dos continentes e a transformação da composição atmosférica. Com isso, houve grande diversificação das formas de vida.

No entanto, ao longo dessa história, a vida na Terra passou por diversos períodos em que quase chegou ao fim. As espécies sobreviventes se diversificaram novamente, mudando a conformação da vida no planeta. Os paleontólogos caracterizam esses eventos catastróficos globais como extinções em massa, sendo cinco os eventos mais importantes.

As 5 grandes extinções em massa do passado

A primeira grande extinção, ocorrida no Período Ordoviciano, por volta de 443 milhões de anos, extinguiu entre 60% e 70% das espécies do planeta, devido à ocorrência de um período glacial. O congelamento da maior parte da água dos oceanos afetou os organismos marinhos, como moluscos, cefalópodes primitivos e peixes sem mandíbula.

A segunda grande extinção ocorreu no Devoniano, aproximadamente 354 milhões de anos atrás, afetando a sobrevivência de 75% das espécies. A principal causa desse evento foi o esgotamento do oxigênio nos oceanos.

A terceira grande extinção ocorreu por volta de 248 milhões de anos, no Permiano. Nesse momento, aproximadamente 95% das espécies do planeta foram extintas por drásticas mudanças ambientais, como impactos de asteroides e atividades vulcânicas.

Há cerca de 200 milhões de anos, no final do Período Triássico, houve uma quarta extinção, na qual os eventos vulcânicos ocasionados pela movimentação de placas tectônicas causaram o aquecimento do planeta, extinguindo 85% das espécies.

Há aproximadamente 65 milhões de anos, no Cretáceo, houve uma quinta extinção, levando à morte dos dinossauros, os maiores animais do planeta, e também de grande parte das demais espécies existentes na época. As duas causas principais foram a intensa atividade vulcânica, na região da atual Índia, e o choque de um grande asteroide (mais de 10 quilômetros de diâmetro), que atingiu a Terra na região da Península de Yucatán, no México.

Quinta grande extinção em massa.
Imagem ilustrativa da chuva de meteoros após choque de asteroide na atmosfera da Terra, uma das causas prováveis da extinção dos dinossauros.

O choque desse asteroide pode ter sido tão grande que, por aproximadamente três anos, houve escuridão e ofuscamento da luz solar, inibindo os processos de fotossíntese e impactando toda a cadeia alimentar do planeta. Nesse momento, surgiu espaço para que os mamíferos se diversificassem na superfície terrestre.

Período geológico atual e a 6º grande extinção

Atualmente, existem grandes discussões entre os cientistas de que estaríamos vivendo o Antropoceno, caracterizado pela sexta extinção em massa das espécies, causada pelos efeitos do Homo sapiens no planeta.

O termo Antropoceno (do grego antropo, “humano”) foi cunhado por Paul Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 1995, e é utilizado por alguns cientistas para se referir ao atual período geológico em que vivemos, no qual o planeta Terra vem sendo profundamente alterado, e as demais espécies, impactadas pelas atividades humanas. Assim, esse período é caracterizado pelo aumento dos efeitos das atividades antrópicas sobre o ambiente global, em razão da crescente dependência dos combustíveis fósseis e das formas industrializadas de agricultura. Alguns cientistas preveem que as alterações são tamanhas que estaríamos causando a próxima grande extinção em massa do planeta.

Uma das principais causas dos impactos humanos no planeta é o crescimento exponencial da população humana. Nos ecossistemas em equilíbrio, nenhuma das espécies cresce de forma ilimitada. A partir de determinado ponto, os próprios indivíduos passam a competir por recursos, como alimentos e abrigo, e há um declínio natural do número de indivíduos na população. Entretanto, a espécie humana encontrou meios de driblar esse fenômeno natural e tem crescido de forma exponencial, como está representado no gráfico. Isso representa sério perigo para as demais espécies do globo e, também, para a própria humanidade.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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