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África do Sul

País localizado no extremo sul do continente africano, banhado pelos oceanos Índico e Atlântico. Além de Pretória, a capital administrativa onde se encontram os departamentos governamentais, a África do Sul possui duas outras capitais: a Cidade do Cabo, sede do Legislativo e maior cidade do país, onde estão a Assembleia Nacional e o Conselho Nacional das Províncias; e Bloemfontein, onde fica o Poder Judiciário.

A paisagem da África do Sul é muito variada. Constitui-se de planaltos extensos, montanhas elevadas e vales profundos. Muitas praias acompanham a linha costeira. O clima é suave, com longos períodos de sol.

Mapa da África do Sul.

História da África do Sul

Os primeiros ancestrais do homem viveram há 2 milhões de anos no que é atualmente a África do Sul. Há pelo menos 2 mil anos, seres humanos viviam em toda essa região. Por volta do ano de 1500, ocorreram grandes mudanças nas partes ocidental e oriental do país.

A parte ocidental foi esparsamente ocupada por dois grupos: o san, que vivia da caça, e o khoikhoi, que criava gado e ovelhas. Quando os europeus chegaram, no séc. XVII, deram aos sans o nome de bosquímanos e chamaram os khoikhois de hotentotes.

A região oriental da África do Sul tornou-se mais densamente habitada por um povo de pele negra que falava línguas bantas. Esse povo veio do norte por volta de 900 e passou a viver, sob a autoridade de chefes, da criação de bois e ovelhas e da agricultura.

Colonização Holandesa

Os navegadores portugueses foram os primeiros europeus a avistar o país, em 1488. Os primeiros colonos europeus se instalaram em 1652. Eram empregados da Companhia Holandesa das Índias Orientais, que importava escravos da África tropical para trabalhar em suas fazendas. Em 1657, a companhia começou a permitir que alguns empregados se estabelecessem em fazendas próprias. Estes ficaram conhecidos como bôeres.

Por volta de 1700, os europeus ocuparam a maioria das terras férteis em torno da Cidade do Cabo.

À medida que o território conquistado pelos europeus se expandia, declinavam as populações khoikhoi e san. Em sua maior parte, os que sobreviveram tiveram de servir aos europeus.

Domínio Britânico

Em 1795, a França conquistou os Países Baixos. As tropas inglesas, então, ocuparam a Colônia do Cabo para mantê-la fora do alcance francês. Em 1803, os ingleses devolveram a colônia aos holandeses, mas tornaram a ocupá-la em 1806. Em 1814, os Países Baixos cederam o Cabo aos britânicos. Os bôeres em pouco tempo sublevaram-se contra o domínio britânico.

O governo fez do inglês o único idioma oficial, em 1828. Em 1834, o Reino Unido aboliu a escravidão em todo o seu Império, o que levou à ruína um certo número de fazendeiros bôeres. Muitos deles decidiram abandonar a Colônia do Cabo para fugir do domínio britânico. A partir de 1836, milhares de bôeres dirigiram-se para o interior. Defrontando-se com os bantos, os europeus massacraram-nos e estabeleceram-se onde atualmente ficam Kwazulu/Natal, o Estado Livre de Orange e o Transvaal.

Guerras Anglo-Bôeres

Em 1870, um enorme filão de diamantes foi descoberto onde atualmente fica Kimberley. Os britânicos e os bôeres reivindicaram essa área. Em 1871, o Reino Unido anexou-a, fazendo o mesmo com o Transvaal em 1877. Três anos mais tarde, os bôeres do Transvaal iniciaram uma rebelião que degenerou na Primeira Guerra Anglo-Bôer, na qual conseguiram derrotar os ingleses em 1881.

Em 1886, descobriu-se um rico filão aurífero, onde atualmente fica Johanesburgo, no Transvaal. Houve uma corrida ao local. Para conservar o controle do país, os bôeres começaram a limitar os direitos políticos dos uitlanders (estrangeiros), cuja maioria era constituída por britânicos. Em consequência disso, ampliou-se o estado de tensão entre o Reino Unido e o Transvaal.

Em 1895, Cecil Rhodes, o primeiro-ministro da Colônia do Cabo, começou a organizar a derrubada do governo do Transvaal. Designou, então, uma expedição para invadir o território. Mas os bôeres capturaram os invasores. Em 1899, o Transvaal e o Estado Livre de Orange declararam guerra ao Reino Unido. Os bôeres foram vencidos e renderam-se em 1902. As repúblicas bôeres se transformaram em colônias inglesas. Enquanto isso, todos os povos africanos haviam caído sob dominação europeia.

União Sul-Africana

Reino Unido concedeu autonomia ao Transvaal em 1906 e ao Estado Livre de Orange em 1907. A Colônia do Cabo e Natal já gozavam desse privilégio. Em 1910, as quatro colônias formaram a União Sul-Africana, um país autônomo dentro do Império Britânico. Durante a Primeira Guerra Mundial, dois generais bôeres – Louis Botha e Jan Christiaan Smuts – chefiaram as tropas da África do Sul contra a Alemanha. Mais tarde, esses generais tornaram-se primeiros-ministros.

O Nacionalismo Africânder

Botha e Smuts procuraram unificar os africânderes (como os bôeres passaram a ser chamados) e os descendentes de europeus que falavam inglês. Muitos escritores e religiosos africânderes, porém, encorajaram seu povo a acreditar que eles constituíam uma nação em si.

Em 1913, J.B.M. Hertzog fundou o Partido Nacional para promover essas ideias e, em 1924, tornou-se primeiro-ministro. Durante os 15 anos seguintes, alcançou muitos objetivos africânderes. O africâner tornou-se idioma oficial, e novas indústrias desenvolveram-se. Em 1931, o Reino Unido deu ao país completa independência como membro da Comunidade de Nações (Commonwealth).

O nacionalismo africânder sofreu um revés no início da Segunda Guerra Mundial. Hertzog queria que a África do Sul se mantivesse neutra, pois simpatizava com as ideias racistas da ideologia nazista, mas Smuts defendia a aliança com o Reino Unido contra a Alemanha. O Parlamento acabou dando a Smuts ganho de causa, e este mais uma vez tornou-se primeiro-ministro, em 1939.

No decorrer da guerra, D.F. Malan organizou um novo Partido Nacional (NP), que conquistou o poder em 1948. Foram os nacionalistas que deram início ao programa do apartheid, que retirou os direitos dos negros. Em 1949, o Ato de Proibição dos Casamentos Inter-Raciais tornou ilegal o casamento entre brancos e não-brancos. Em 1950, o Ato das Áreas de Grupo determinou a designação de áreas residenciais separadas.

Oposição ao Apartheid

O governo da África do Sul passou a sofrer oposição a partir do momento em que adotou o apartheid. O principal grupo oposicionista era, de início, o Congresso Nacional Africano (CNA), fundado pelos negros em 1912. Mas o CNA não teve sucesso. Na década de 1950, este se aliou a outros setores para conseguir a aprovação de reformas, utilizando-se de boicotes e greves. O governo esmagou todas as campanhas, e o movimento fracassou. Em 1959, uma dissidência do CNA deixou o partido e formou o Congresso Pan-Africano (CPA). Em 1960, durante uma manifestação em Sharpeville, a polícia matou 69 negros. O governo, então, proibiu o CNA e o CPA. Em 1962, Nelson Mandela, líder do CNA, foi condenado à prisão perpétua.

No dia 31 de maio de 1961, a África do Sul tornou-se uma república e abandonou a Comunidade de Nações (Commonwealth). No exterior, vários países se posicionaram contra o apartheid. A despeito disso, o governo sul-africano manteve sua política inalterada.

Em 1971, foi promulgada a Lei de Constituição das Pátrias Bantas, que determinou a criação de estados tribais autônomos para os africanos, mais tarde conhecidos como bantustões. Essa lei previa o confinamento dos principais grupos étnicos africanos em um território reservado.

Ao longo dos anos de 1970, o governo continuou firme em sua determinação de manter o apartheid. Mas devido a mudanças na geopolítica do continente africano (o fim da dominação colonial de Portugal na África, em 1975, e a queda do governo de minoria europeia na Rodésia [atual Zimbábue], em 1980) e à crescente oposição externa ao apartheid, a política de segregação racial entrou em crise na década de 1980.

Em 1984, uma rebelião contra o apartheid fez com que o governo decretasse a Lei Marcial, sendo duramente criticado no exterior. Além disso, para aumentar a pressão, a ONU decretou uma série de sanções econômicas à África do Sul. Nessa época, o movimento pela libertação de Mandela ganhou força.

Em 1989, Frederik de Klerk foi eleito presidente. As primeiras medidas a sinalizar que seu programa de reformas tinha realmente como objetivo pôr fim ao apartheid foram a libertação de Mandela e a legalização do CNA, em 1990. Em seguida, De Klerk revogou as leis raciais. Visando legitimar seu programa, convocou um plebiscito para a minoria africânder, em que 69% desta aprovou o fim do apartheid.

Economia

A África do Sul é a nação mais rica e desenvolvida da África, embora grande parte da população, especialmente a negra, viva em condições de extrema pobreza.

O país é o maior produtor de ouro do mundo e um dos maiores de diamantes. Em suas fazendas, plantam-se quase todos os produtos alimentícios necessários à sua população. Da mesma forma, o país retira de suas minas e fazendas quase todas as matérias-primas que abastecem sua indústria.

Cultura

A maior contribuição da África do Sul para a arte diz respeito à literatura. Grande parte dela reflete as tensões políticas e sociais do país. Depois da Guerra dos Bôeres, escritores africânderes como Jan Celliers, C.L. Leipoldt e C.J. Langenhoven expressaram mágoa pela conquista britânica de seu território.

A partir da década de 1920, vários escritores sul-africanos trataram de temas raciais, como Nadine Gordimer, Alan Paton, William Plomer, Peter Abrahams, Ezekiel Mphahlele e Benedict Vilakazi. Durante o período em que vigorou o apartheid, o governo censurou os artistas para que estes não criticassem a política de segregação racial adotada no país.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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