Geografia

Telefone

O físico britânico Alexander Graham Bell emigrou para o Canadá em 1870 por motivo de saúde e posteriormente dedicou-se ao ensino de surdos-mudos na Universidade de Boston. Suas pesquisas para obter sistemas artificiais de audição levaram-no a projetar um modelo de telefone que, como nenhum outro trabalho científico anterior sobre a transmissão de sinais através de fios, apresentava imensas possibilidades comerciais.

Telefone é um aparelho transmissor de sinais para a comunicação instantânea e remota de sons, sinais gráficos, imagens e sinais de televisão. Inicialmente dedicado à transmissão de conversações entre dois interlocutores, o telefone ampliou pouco a pouco seu espectro de ação mediante a conexão a diversos dispositivos terminais, como os computadores e outros processadores de sinais, capazes de cifrar e traduzir mensagens comunicadas através de linhas telefônicas. Em consequência, o telefone transformou-se desde a segunda metade do século XX num elemento primordial dos sistemas de telecomunicações.

História.

Os fundamentos teóricos dos mecanismos de transmissão de sinais acústicos através de fios de condução eletromagnética foram fornecidos na primeira metade do século XIX por cientistas como Michael Faraday e Charles Wheatstone. Diversos projetos experimentais sucederam-se nos anos seguintes, embora até a década de 1870 não se tenham obtido resultados práticos dignos de crédito.

Telefone

De modo independente, Bell e o americano Elisha Gray empreenderam investigações sobre esse fenômeno a partir do ponto de vista acústico e elétrico, respectivamente. Em 1876, ambos patentearam uma ideia de telefone, embora Gray não tivesse chegado ainda a obter uma comunicação real de palavras pelas linhas. A aceitação oficial da patente de Bell por parte das instituições americanas provocou protestos de Gray, que conseguiu apenas a proteção industrial de seus aparelhos especificamente. O necessário aperfeiçoamento da qualidade do sinal acústico, demasiado fraco nos protótipos de Bell, foi alcançado com a incorporação de transmissores de carvão inventados por Thomas Alva Edison em 1878 e que se mantiveram posteriormente.

A extensão de redes telefônicas trouxe consigo o problema da necessidade de múltiplos terminais em cada cidade, e não apenas uma estação receptora. Como solução, surgiram os postos, encarregados de recolher numa linha única as chamadas exteriores e de distribuí-las para os canais particulares mediante comutadores manuais.

Durante o século XX, a melhora nas técnicas e nos materiais utilizados tornou possível a comunicação telefônica em massa através de longas distâncias. Entre as inovações introduzidas destacam-se o emprego de cobre reforçado em cabos de duas direções; a invenção dos repetidores ou amplificadores de sinal; o uso em terra das técnicas de rádio; o desenvolvimento de amplificadores de vácuo e cabos coaxiais recobertos de polietileno para comunicações intercontinentais por linhas submarinas; a aplicação dos satélites artificiais como repetidores; as técnicas de multiplexão, ou superposição sobre uma mesma linha física de várias comunicações simultâneas, independentes e distinguíveis por meios eletrônicos; e a comutação automática por estações telefônicas intermediárias.

Nas últimas décadas do século XX houve ainda outras importantes inovações no campo da telefonia. Uma delas foi a transmissão de sinais por raios laser através de fibras ópticas, que são muito mais finas que os tradicionais fios de cobre. Outra inovação de grande impacto foi a implantação, na década de 1990, da telefonia celular, que funciona como uma espécie de radioamador. O telefone celular trabalha com estações centrais e estações rádio-base para efetuar a ligação com o usuário, feita em diferentes canais.

Elementos do telefone.

Os diferentes sistemas de telecomunicações, entre os quais se encontra o telefone, baseiam-se no fenômeno físico da produção, por diversos processos, das ondas eletromagnéticas resultantes de correntes elétricas variáveis e de sua propagação através de meios condutores. O princípio de funcionamento do telefone, já presente no modelo de Bell, consiste na tradução e codificação dos sinais acústicos em sinais eletromagnéticos, e vice-versa.

Os elementos básicos do telefone são o microfone, transformador do som em sinal elétrico, e o receptor, tradutor em sentido contrário. O microfone consiste fundamentalmente de grânulos de carvão, ou outro material, depositados entre o diafragma e uma peça metálica fixa. As vibrações que a voz produz no ar se transmitem ao diafragma, cuja oscilação produz na peça metálica, através do carvão, uma corrente elétrica associada de pequena intensidade.

O receptor contém um eletroímã, que transforma em movimento a energia elétrica recebida através da linha, e uma membrana vibrátil à qual se comunica tal movimento para emitir um som que reproduz o original. O terceiro elemento da transmissão é a linha, que deverá ser condutora de eletricidade.

Nas últimas décadas do século XX os telefones se transformaram em componentes de grandes sistemas de telecomunicação interligados, entre os quais se incluem a televisão, a telefoto, o telégrafo e muitos outros tipos de transmissão de dados. Os mesmos princípios gerais e métodos se mantêm em todos os tipos de transmissão feitas por esses sistemas, aos quais se acrescentam apenas os tradutores eletrônicos adequados: de imagens, de gráficos, de mensagens informáticas etc.

Autoria: Mírian Moraes Câmara

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