Balaiada

No final da década de 30, organizou-se no Maranhão uma rebelião popular que envolveu milhares de vaqueiros e escravos, e que foi chamada de Balaiada porque um de seus líderes era fabricante de cestos ou balaios.

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Nesse período, no Maranhão, havia dois partidos importantíssimos: os Bem-te-vis (liberais) e os Cabanos (Conservadores). E o movimento teve sua origem, exatamente, no confronto entre essas duas facções, que tinham como membros os produtores rurais e comerciantes do Estado.

Além destas duas classes citadas pertencentes aos dois partidos rivais, podemos encontrar nesta sociedade duas classes marginalizadas: os Escravos e os Sertanejos.

Participantes da Balaiada
Negros, vaqueiros e sertanejos se aliaram contra a elite dominante do Maranhão, numa revolta que durou três anos.

A crise econômica da província atingiu principalmente os mais pobres, cerca de 90000 escravos passavam fome. Os sertanejos e os escravos formaram um grupo que percorria o interior atacando fazendas e libertando escravos, que fugiam para os quilombos, de onde passavam a atuar junto com os balaios.

A rebelião havia se generalizado e os liberais maranhenses (bem-te-vis) resolveram usar o movimento na sua luta contra os conservadores que estavam no poder; passaram a apoiar os balaios, a quem forneceram armas, permitindo que, em julho de 1839, tomassem a cidade de Caxias, onde se instalou um governo bem-te-vi.

Enquanto esses dois grupos políticos brigavam entre si, a revolta se expandia para o Piauí, onde conseguiu a participação de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, um fazedor de Balaios. Daí o nome do movimento.

O inicio da Balaiada foi no dia 13 de dezembro de 1838, quando um grupo invadiu a cadeia local para libertar alguns companheiros que tinham sido presos. Com o sucesso da operação, conseguiram também dominar todo o vilarejo. Logo em seguida, em 1839, os Balaios tomaram a vila de Caxias, a segunda cidade da província do Maranhão.

O desenrolar da Balaiada:

Em 1840, Luís Alves de Lima e Silva, comandando 8000 homens, atacou Caxias. Diante da força imperial, os liberais abandonaram os balaios, que foram massacrados. Como recompensa pela vitória. Lima e Silva recebeu o título de barão de Caxias.

Luis Alves teve um papel fundamental na luta de repressão. Ele pagou os salários atrasados dos militares, reorganizou as tropas e começou a cercar as áreas em que os Balaios se encontravam.

Consequências:

Com todos esses atos do Presidente da Província Maranhense, Luis Alves de Lima Silva, a Balaiada foi se desfazendo. Imediatamente cerca de 2500 balaios foram se rendendo e aqueles que resistiram foram logo derrotados.

Observe que o governo regencial agia contra os rebeldes da mesma forma que o governo colonial havia feito durante os trezentos anos de dominação portuguesa; contra a elite, as penas eram leves, contra as classes pobres a violência era soberana, sempre com a justificativa de que se tratava de castigos exemplares.

A Balaiada estava terminada. Sendo um movimento que representava toda a luta popular contra as desigualdades e injustiças da sociedade da época.

Por: Pedro Augusto Rezende Rodrigues

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