História do Brasil

Batalhas dos Guararapes

As Batalhas dos Guararapes (1648 e 1649) foram confrontos ocorridos nos Montes Guararapes, Pernambuco, entre tropas holandesas e portuguesas. As batalhas foram decisivas para a derrota dos holandeses e sua expulsão do Brasil.

Antecedentes

Os holandeses, que entre 1624 e 1625 ocuparam Salvador, na Bahia, invadiram o litoral pernambucano em 1630 e, mesmo enfrentando resistências, fixaram-se, em 1637, em todo o litoral nordestino.

Nesse ano, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais enviou João Maurício de Nassau para administrar seus domínios na região. Além de promover obras de urbanização em Recife, Nassau favoreceu os grandes senhores de engenho, cedendo-lhes escravos e oferecendo-lhes empréstimos. Os holandeses estabeleceram-se do Ceará até a divisa de Sergipe com Alagoas.

Causas

Em 1644, Nassau retornou à Europa e a Companhia passou a cobrar as dívidas dos produtores. Estes reagiram e começaram a formar um exército para expulsar os holandeses.

As lutas estenderam-se de 1645 a 1654, quando os colonos foram derrotados e expulsos em definitivo. As Batalhas de Guararapes (1648 e 1649) foram fundamentais para a vitória portuguesa.

Confrontos

Primeira Batalha de Guararapes (19 de abril de 1648)

A primeira batalha resultou de uma tentativa dos holandeses, que haviam recebido reforços de sua terra, de destruírem as bases de abastecimento dos brasileiros. Saíram do Recife comandados por Sigismund von Schkoppe e seguiram em direção ao sul. Eram 4.500 soldados, organizados em sete regimentos.

Os luso-brasileiros deixaram o Arraial Novo do Bom Jesus e foram tocaiá-los ao pé dos Montes Guararapes. Eram apenas 2.200 homens, organizados nos terços (espécie de regimentos) de João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros e Antônio Filipe Camarão, sob o comando geral do mestre-de-campo Francisco Barreto de Meneses.

Quando os holandeses chegaram, lançaram-se sobre o terço de Camarão, que repeliu o ataque ajudado pelos outros terços. Sem espaço para se movimentarem, os holandeses foram obrigados a lutar juntos, perdendo a vantagem de suas armas e da superioridade numérica. Foram derrotados e retiraram-se para o Recife.

Segunda Batalha de Guararapes (19 de fevereiro de 1649)

Na segunda batalha, cerca de 3.500 holandeses saíram do Recife sob o comando do coronel Van den Brink, com a mesma missão do confronto anterior. Tomaram a frente dos brasileiros e ocuparam as posições estratégicas do boqueirão dos Guararapes.

Ao receber a notícia, Barreto de Meneses seguiu rumo aos Montes Guararapes com 2.600 homens, dispondo-os ao sul, sem atacar o inimigo. Os terços luso-brasileiros eram comandados por Fernandes Vieira, Henrique Dias, Vidal de Negreiros, Francisco de Figueiroa e Diogo Pinheiro Camarão.

Holandeses e pernambucanos permaneceram durante toda a manhã do dia 19 sem tomar a iniciativa do ataque. Quando os holandeses, sem mantimentos para honrar as posições, iniciaram a retirada, foram atacados pelos pernambucanos. Novamente derrotados, foram forçados a se retirar para o Recife.

Quadro de Victor Meirelles com cenas das batalhas.
A Batalha dos Guararapes, de Victor Meirelles.

Consequências

Mais de 2500 holandeses e cerca de 50 portugueses perderam a vida.

Por causa das batalhas, as lavouras de cana foram praticamente destruídas. A recuperação só ocorreu graças à intervenção financeira dos ingleses, mas mesmo assim o Brasil nunca mais seria o líder isolado na produção de açúcar do mundo.

Os holandeses, já enfraquecidos, foram definitivamente expulsos em 26 de janeiro de 1654, após uma esquadra portuguesa, comandada por Pedro Jaques de Magalhães, ter bloqueado Recife.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

Veja também: