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Dom Sebastião I

Dom Sebastião foi o rei místico, chamado “Capitão de Deus”. Acreditando que lhe estavam reservados feitos épicos a serviço do cristianismo, dedicou-se à organização de uma campanha militar. Seu desaparecimento nesta guerra criou uma mística maior em torno de sua figura: o mito do sebastianismo, o messianismo português.

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Em 1554, nasceu Sebastião, filho do príncipe herdeiro luso João e de Joana, filha do rei da Espanha. Sebastião era, então, neto do rei de Portugal e do rei da Espanha e foi o único filho do casal, já que seu pai morrera antes mesmo de seu nascimento.

Com a morte de seu avô português, tornou-se rei de Portugal aos três anos de idade, a fim de impedir que o avô espanhol reivindicasse o trono lusitano. Até 1568, o governo português foi exercido por dois regentes: sua avó Catarina e seu tio-avô, o cardeal D. Henrique. Aos 14 anos, Sebastião foi declarado maior de idade e tornou-se efetivamente rei de Portugal.

Retrato de Sebastião I.
Dom Sebastião I

O jovem rei tinha saúde precária e dedicava-se muito ao catolicismo. Jamais quis se casar, o que teria gerado o seguinte comentário do embaixador espanhol: “falar-lhe em casamento é falar-lhe em morte”.

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Com uma personalidade conflituosa, não se interessou pelas questões políticas e, logo que assumiu o trono, começou a preparar uma grande expedição ao Oriente, atrás de terras para conquistar.

O Estado português tinha muitos recursos, a própria realeza lusitana católica avançava no discurso expansionista e no combate aos islâmicos e a outros “infiéis”. Deve-se lembrar que este foi também o período da Reforma Religiosa que , em Portugal, expressou-se na campanha contra os judeus.

Muitos eram obri­gados a se converter ao cristianismo para continuarem com suas atividades e a Inquisição agiu duramente contra alguns importan­tes homens de negócios.

Neste ímpeto de defesa do cristianismo em sua vertente católica, o jovem monarca D. Sebastião decidiu atravessar o estreito de Gibraltar para combater os islâmicos no Marrocos. O rei liderou o grupo de guerreiros, mas não voltou com eles para Portugal. Teria desaparecido na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578. D. Sebastião não tinha filhos e o trono ficou vago.

Os portugueses ficaram tão desorientados que se recusaram a aceitar a ideia da morte do rei, criando uma lenda de que ele voltaria a qualquer momento para retomar o trono e restabelecer a glória de Por­tugal. Essa crença chama-se sebastianismo, nome que virou sinônimo de lendas que pro­metem a chegada de um salvador.

A fracassada aventura do rei de Portugal, além de provocar a sua morte, foi responsável pela morte de cerca de sete mil jovens da nobreza e deixou o reino mergulhado em dívidas contraídas para financiar a expedição.

Após a morte de D. Sebastião, o governo luso foi exercido novamente por seu tio-avô, D. Henrique, cardeal de Lisboa. Porém, D. Henrique já contava com uma idade avançada e morreu em 1580. Como era clérigo, não tinha filhos que pudessem sucedê-lo no trono.

Mais uma vez o problema da sucessão se colocava. Quem seria o novo rei? Por várias manobras políticas, o rei de Espanha Filipe II conseguiu incorporar Portugal, tornando-se o novo rei. Entre 1580 e 1640, Portugal e Espanha tiveram os mesmos reis – a isso denominou-se União Ibérica ou domínio espanhol.

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