História

Império Carolíngio

Três séculos após a desintegração do Império Romano do Ocidente, Carlos Magno reunificou parte desse território sob o poder franco. No ano 800, ele foi coroado imperador em Roma pelo papa Leão III, nascia então o Império Carolíngio.

Origem do Império Carolíngio

De todos os reinos germânicos que sucederam o Império Romano, o Reino Franco foi o único que conseguiu sobreviver e manter-se unido. Aos poucos, o poder efetivo do Reino Franco passou das mãos dos reis para as dos principais funcionários, chamados majordomus (prefeitos ou mordomos do palácio).

O majordomus mais importante foi Carlos Martel, que derrotou os muçulmanos na batalha de Poitiers (732), contendo seu avanço na Europa.

Seu filho, Pepino, o Breve, destronou o último monarca franco no ano 751. Com a ajuda do papa, ele se fez consagrar como novo rei, dando início à dinastia Carolíngia.

O império de Carlos Magno

Filho e sucessor de Pepino, Carlos Magno reforçou o poder da dinastia, estendendo seu domínio sobre a maior parte da Europa. Diante da pressão dos lombardos na península Itálica – eles ameaçavam invadir Roma -, Carlos Magno atendeu ao apelo do papa e conquistou o Reino Lombardo.

Como era cristão, pretendia converter os povos conquistados ao cristianismo. Submeteu os saxões e demais povos da Germânia, mas fracassou em sua incursão contra o emir (chefe de governo) de Córdoba. Seu exército foi aniquilado pelos bascos em sua retirada pela passagem de Roncesvales.

No Natal de 800, o papa saldou sua dívida com Carlos Magno, coroando-o em Roma como novo Imperador do Ocidente.

Mapa do Império Carolíngio.
O Império Carolíngio.

A administração do Império

Carlos Magno estabeleceu sua residência em Aquisgrão (atual cidade de Aachen, na Alemanha), onde construiu seu palácio. Seu império dividia-se em dois tipos de território: os condados e as marcas.

  • Administração do Império Carolíngio
    Administração carolíngia

    Os condados eram administrados pelos condes e, em geral, correspondiam ao território dominado por uma cidade. O imperador designava diretamente os condes, que ficavam responsáveis pelo recolhimento dos impostos, pela segurança e pela aplicação das leis.

  • As marcas eram territórios situados nas fronteiras mais conflituosas do Império e tinham uma função defensiva. A frente de cada marca havia um marquês.

Alguns funcionários, como os missi dominici (enviados do rei), vigiavam os condes, marqueses e bispos para evitar que seu poder fugisse ao controle do imperador.

O esplendor cultural

O desenvolvimento político foi acompanhado por um verdadeiro renascimento cultural. Em seu palácio imperial, Carlos Magno cercou-se de alguns dos maiores sábios da época, como Alcuíno de York, monge do norte da Inglaterra, Pedro de Pisa e o monge Eginardo (seu biógrafo), entre outros que traduziram obras antigas. Além disso, criou a Escola Palatina, formada por um grupo de eruditos e onde se ensinavam gramática, retórica, dialética, aritmética, geometria e música.

Carlos Magno precisava de pessoas instruídas que se ocupassem da aplicação das leis, bem como do registro das rendas e dos gastos do Império. Portanto, para que se ensinassem gramática e escrita, preocupou-se em criar escolas no interior das catedrais e dos mosteiros

Nos mosteiros, os monges copiavam manualmente os livros, adomando-os com belas e minuciosas ilustrações, denominadas iluminuras. Em seus desenhos, reproduziam obras da Antiguidade clássica, sobretudo as dos gregos e romanos. Para a realização desse trabalho muito contribuíram o aperfeiçoamento da escrita e a criação de um novo tipo de letra, a minúscula carolíngia, de leitura mais fácil.

Restaram poucos vestígios da arquitetura carolíngia. Carlos Magno estabeleceu a capital imperial na cidade de Aquisgrão, onde construiu um palácio digno de um imperador.

De todo o palácio permanece apenas a capela palatina, na qual se situava o trono do imperador.

Capela palatina
Reconstrução do palácio de Carlos Magno em Aquisgrão (atual Aachen, Alemanha)

O fim do Império Carolíngio

A fraqueza dos sucessores de Carlos Magno levou à divisão do Império. As contínuas invasões de vikings, sarracenos e magiares acabaram fragmentando a Europa.

O Tratado de Verdun e a dissolução do Império

Quando um rei franco morria, era costume repartir o Império entre os filhos do soberano. O único herdeiro de Carlos Magno era seu filho Luís, o Piedoso, mas, com a morte deste, o Império Carolíngio foi dividido entre seus três filhos.

Mapa do império após o Tratado de Verdun
Divisão do Império Carolíngio

Em 843, os três irmãos assinaram o Tratado de Verdun, que estabelecia o seguinte: Carlos, o Calvo, receberia a parte ocidental, que mais tarde se transformaria na atual França;

Luís, o Germânico, ocuparia a parte oriental, da qual emergiria o Sacro Império Romano-Germânico, em 962; Lotário, o filho mais velho, herdaria o título imperial e o território intermediário, a Lotaríngia, que desapareceu no ano 870, após ser dividida e anexada pelos outros dois reinos, que, por sua vez, não demoraram a dividir-se. A Europa ficava, assim, fragmentada e perdia sua força como unidade.

O enfraquecimento dos reis tornou-se evidente. Para obter o apoio dos condes e marqueses, os monarcas se viram obrigados a ceder a eles grande parte de sua autoridade.

As novas invasões

Nos séculos IX e X, a Europa foi assolada por novas ondas de invasores: os vikings ou normandos, que provinham da Escandinávia (onde hoje situam-se a Dinamarca, a Noruega e a Suécia), fixaram-se nas ilhas britânicas e nas costas atlânticas. Os magiares formaram um reino na Hungria.

Os eslavos, que procediam das planícies russas, assentaram-se na Europa Oriental e nos Bálcãs.

Além disso, houve incursões de piratas sarracenos e normandos por toda a Europa, bem como assaltos nas estradas.

A insegurança geral obrigou os reis a atribuir aos nobres a responsabilidade pela defesa de seus respectivos territórios contra os invasores. Com isso, a população começou a ver os nobres, e não os soberanos (cujo poder enfraquecia mais e mais a cada dia), como grandes protetores.

Durante a segunda metade do século IX e ao longo do século X, a Europa se fragmentou em numerosos reinos e senhorios (propriedades rurais senhoriais).

A maior parte deles era cristã: alguns eram reinos cristãos latinos, enquanto outras eram reinos cristãos gregos. Os muçulmanos também estavam presentes na Andaluzia, ao sul da península Ibérica, e os bizantinos ocupavam o extremo sudeste do continente.

Por: Paulo Magno Torres