História

Independência do México

No México, a primeira tentativa de independência ocorreu em 1810, sob liderança do padre Hidalgo, que pretendia ainda libertar os índios e combater os colonos espanhóis. O movimento autonomista assumiu um caráter popular, rural e indigenista, distinguindo-se dos demais na América Espanhola.

Contexto histórico

O atual território do México abrigava o Vice-Reino da Nova Espanha, que abrangia também atuais territórios dos Estados Unidos. Era a colônia espanhola mais rica, em razão do comércio feito pelo Porto de Veracruz. Além do comércio, havia outras atividades importantes, como agricultura, pecuária, manufaturas, oficinas domésticas e mineração.

A Coroa espanhola, entretanto, impunha determinações que, embora atendessem a seus interesses, desagradavam às elites locais, como o controle do comércio. Os criollos, nesse sentido, viam-se preteridos na ocupação de cargos administrativos importantes.

Outros segmentos da sociedade também estavam insatisfeitos, como indígenas e mestiços que, embora fossem a maior parte da população (cerca de 82%), tinham muitas obrigações a cumprir e pouco reconhecimento da sociedade colonial. Foi nesse contexto que se iniciaram as lutas pela independência mexicana.

O processo de independência do México

Em 1808, diante de desentendimentos entre a elite colonial e a Coroa espanhola, houve o aprisionamento do vice-rei pelos criollos. A Espanha tentou resolver a questão política, porém a sociedade, de modo geral, em especial os grupos de indígenas, mestiços e escravizados, continuou enfrentando os mesmos problemas.

Sob a liderança de Miguel Hidalgo, um padre de origem
criolla que vivia próximo à cidade de Guanajuato, teve início, em 1810, um movimento popular com a intenção de emancipar a Nova Espanha da Coroa espanhola por meio da independência. Os rebeldes também queriam a distribuição de terras, concentradas nas mãos de chapetones (espanhóis) e criollos, entre a população, para que tivessem melhores condições de
vida. Hidalgo chegou até mesmo a proclamar a abolição da escravidão.

O fato de Hidalgo e aqueles que tinham afinidade com suas ideias se ampararem em profundas reformas econômicas e sociais que atingiam a propriedade privada incomodou e assustou as elites locais. A reação foi intensa e, mesmo Hidalgo tendo reunido um exército de milhares de soldados (com cerca de 80 mil pessoas), ele foi preso e fuzilado em 1811.

Batalha de independência do México.
Litografia representando seguidores de Miguel Hidalgo em batalha contra tropas realistas, em Monte de las Cruces, em 1810.

A condenação de Hidalgo, entretanto, não acabou com as rebeliões. As manifestações foram lideradas por outro padre, José María Morelos, que conquistou cidades, como Oaxaca, e chegou a declarar a independência em 1813, que não foi reconhecida pela Coroa espanhola.

Reunião pela independência do México
O líder José María Morelos em reunião pela independência, em 1813.

Mesmo com inúmeras rebeliões populares em toda a região, o movimento fracassou e mostrou à elite criolla a necessidade de liderar os movimentos de independência para que não perdessem seus privilégios.

A independência do México de fato só veio pelas mãos das elites locais, quando o então chefe das tropas espanholas, Agustín de Iturbide, que deveria impedir a independência do México, negociou com os criollos a autonomia do México. Iturbide declarou a independência e foi coroado imperador do México com o título de Agustín I, em 1821. Tal experiência não durou muito, pois Iturbide foi executado em 1824 e o México passou a ser uma república, tendo como primeiro presidente José Miguel Ramón Adaucto Fernández, conhecido como Guadalupe Victoria.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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