História

Revolução Industrial

Dá-se o nome de Revolução Industrial a uma série de mudanças nas atividades produtivas, iniciadas por volta de 1760 na Inglaterra. Naquela época e nas décadas seguintes, o processo de produção foi acelerado por uma sequência de invenções cujo ponto central era a utilização do vapor como força motriz.

A Revolução Industrial inicialmente se restringiu ao aspecto econômico. Com a aceleração da produção, houve uma série de transformações sociais, políticas e culturais. Em todos os lugares onde ocorreu o processo de industrialização, o modo de viver e pensar modificou-se rapidamente.

Do artesanato à manufatura

Durante muitos séculos, a transformação de matérias-primas em produtos acabados era feita com o trabalho manual dos artesãos.

Com o passar do tempo, uma nova categoria começou a interferir no trabalho dos artesãos: a burguesia. Ela passou a executar a compra e a venda das mercadorias, negociando diretamente com os artesãos, que ficavam apenas com a responsabilidade da produção.

Aos poucos, os burgueses começaram a organizar espaços específicos para a produção, as manufaturas, nos quais trabalhavam vários artesãos, que, em vez de receberem pelo produto acabado, tornaram-se assalariados e passaram a receber pelo número de horas trabalhadas.

Nas manufaturas, que surgiram a partir do século XVII, os patrões eram donos das instalações e ferramentas, por isso comandavam a produção. O trabalho foi dividido em etapas e, aos poucos, os antigos mestres artesãos, que conheciam todo o processo produtivo, foram substituídos por trabalhadores que sabiam apenas executar um tipo de tarefa.

Gradualmente, o artesanato foi substituído pela manufatura, que era uma forma mais rápida e eficiente de produção.

As fábricas

Com as manufaturas, os burgueses puderam controlar e acelerar o trabalho dos artesãos. Uma inovação muito importante foi então desenvolvida e ficou responsável por multiplicar a velocidade e a eficiência da produção: o sistema de fábrica.

Nesse novo sistema, eram utilizados galpões, para onde trabalhadores se dirigiam e encontravam ferramentas e instalações organizadas, de forma que cada um tinha seu espaço e sua função bem definida.

As primeiras máquinas eram engenhocas criadas para tornar mais rápida a produção. Os primeiros mecanismos geralmente eram formados por engrenagens e roldanas movimentadas pela força humana.

As máquinas se tornaram a referência para a organização do trabalho. Por exemplo: em uma fábrica de tecidos com tear mecânico, havia os trabalhadores que faziam a máquina girar, os responsáveis por transportar a matéria-prima, os que alimentavam a máquina com lã, e havia ainda o trabalho das crianças que, por serem menores, ficavam responsáveis por entrar embaixo das máquinas para desenroscar os fios que formavam nós.

Máquins da revolução industrial.
Tear mecânico.

O pioneirismo inglês e as causas da Revolução Industrial

Diversos fatores contribuíram para fazer da Inglaterra o país pioneiro na industrialização. Além dos elementos propriamente técnicos (inventos relacionados com a produção têxtil, aperfeiçoamentos na metalurgia e emprego do vapor como força motriz), devemos considerar aspectos econômicos, sociais, políticos e mentais.

O fator fundamental para a Revolução Industrial ter começado na Inglaterra foi de ordem econômica: a grande acumulação primitiva de capitais realizada pela burguesia do país na Idade Moderna.

Outro aspecto econômico foi o fato de a Inglaterra, apesar de relativamente pobre em recursos minerais, possuir abundantes jazidas de ferro e carvão – este último necessário como combustível para produzir vapor, mas ainda mais importante na metalurgia do ferro.

Entre os fatores sociais da Revolução Industrial, o mais relevante foi a ascensão da burguesia inglesa, tanto em termos de força econômica como de poder político e prestígio social. Tal ascensão teve duas causas interligadas: o enriquecimento proporcionado pela expansão do comércio e a vitória contra o absolutismo, alcançada com as Revoluções Inglesas do século XVII.

Outro destacado fator socioeconômico foi a enorme disponibilidade de mão-de-obra, pois um grande número de desempregados (os quais Marx chama de exército de reserva) inibe as reivindicações de quem estiver contratado e mantém os salários baixos, aumentando os lucros dos empresários.

No plano político, as Revoluções Inglesas do século XVII (Puritana e Gloriosa) deram à burguesia capitalista participação efetiva no governo do país. Isso fez com que, no século XVIII, as autoridades implementassem medidas de incremento ao comércio, tais como melhorar as estradas, abrir canais e modernizai’ os portos. A circulação de mercadorias foi facilitada, tanto pela eliminação de algumas taxas como pela uniformização de outras.

Finalmente, há que considerar os fatores mentais (ou psicológicos) da Revolução Industrial. Assim, ao analisar as atividades econômicas na Inglaterra durante os séculos XVII e XVIII, não se pode menosprezar a influência do puritanismo.

Embora o puritanismo não fosse o ramo protestante majoritário no país, ganhara forte impulso nos cem anos anteriores à Revolução Industrial. Ora, a ética calvinista dos puritanos contribuiu para o desenvolvimento do capitalismo, pois incentivava o trabalho e a poupança, além de considerar o enriquecimento uma demonstração do favor de Deus e indício da salvação da alma.

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Como era o trabalho dos primeiros operários

Nas cidades, os empregados não viviam de forma muito diferente dos desempregados. Como não existiam leis trabalhistas, cada patrão estabelecia as próprias normas.

Havia jornadas de trabalho (de 14 a 16 horas por dia), registrando-se, por isso, constantes acidentes de trabalho, com mutilações e até morte dos trabalhadores.

Não havia preocupação em oferecer local adequado de trabalho. As fábricas eram barulhentas, mal iluminadas e mal ventiladas. Os proprietários industriais justificavam as janelas pequenas e altas para os operários não se distraírem olhando a rua. Qualquer erro ou falta do trabalhador era motivo para desconto no salário ou aplicação de castigo corporal.

Os baixos salários também forçavam as mulheres a trabalhar. Embora fizessem o serviço exatamente igual ao dos homens, recebiam menos. Elas passaram a ter a preferência dos industriais, pois eram mais lucrativas.

A mão de obra infantil também foi muito explorada, pois apresentava custo baixíssimo. Além de receberem menos, preferiam-se as mulheres e as crianças em fábricas de tecidos, porque tinham mãos menores e podiam alcançar todas as partes das máquinas para fazer a limpeza.

Condição de vida

Um grande número de pessoas ocupava casas muito pequenas. Os baixos salários não permitiam alimentação adequada e, por isso, era comum os trabalhadores adoecerem gravemente, chegando às vezes ao óbito.

Em várias cidades da Inglaterra, muitos industriais construíram, perto das fábricas, conjuntos de casas chamados vilas operárias, como forma de controlar os trabalhadores.

Assim, sabiam o que seus empregados faziam mesmo nas folgas, designando capatazes para exercer vigilância constante sobre os operários.

Etapas da Revolução Industrial

As mudanças tecnológicas, econômicas e sociais registradas entre 1760 e 1860 correspondem à Primeira Revolução Industrial. O período caracterizou-se pelo uso das máquinas a vapor, feitas de ferro e tendo como combustível o carvão mineral.

Na década de 1860, o trinômio vapor-carvão-ferro começou a ser substituído pela eletricidade, petróleo e aço, dando início à Segunda Revolução Industrial.

Alguns autores classificam a segunda metade do século XX como a Terceira Revolução Industrial — a era da informática. De fato, o mundo da informática inundou o mercado de trabalho. Dificilmente encontram-se empresas que não adotaram sistemas informatizados. O computador invadiu o dia a dia das pessoas, no campo e na cidade.

Reflexos da industrialização

Junto do desenvolvimento da Revolução Industrial, cresceu também o controle dos patrões sobre os empregados.

Exemplo disso foi a introdução de relógios nas fábricas: hora para entrar, almoçar, sair. Tudo era regrado e controlado, com o objetivo de aumentar a produção, reduzir o tempo de fabricação e diminuir os preços para enfrentar a concorrência.

Tornaram-se comuns frases como tempo é dinheiro, não podemos perder tempo.

Até mesmo pregações religiosas enfatizavam a mentalidade de que só o trabalho produtivo, utilizando da melhor maneira o tempo, dignificava o homem. Quem não se encaixasse nesse padrão era considerado degenerado e preguiçoso.

O mundo industrializado deparou-se com a existência de duas classes: capitalistas e proletários.

Por: Renan Bardine

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