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Revolução Russa de 1917

Em 1917, eclodiu a Revolução Russa, movimento socialista que derrubou o czarismo. Após a revolução, instaurou-se na Rússia um regime comunista e constituiu-se a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que mudou os rumos do país e alterou a ordem mundial.

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A Rússia antes da revolução

No início do século XX, a Rússia era um país afligido por profundas tensões, decorrentes fundamentalmente do poder autoritário do czar Nicolau II, assim como da existência de uma grande massa de camponeses sem terras e de operários industriais. Camponeses e operários viviam em condições penosas enquanto uma minoria de aristocratas detinha as terras e indústrias.

Na Revolução de 1905 conhecida como o ensaio geral, o país foi palco de uma série de greves e manifestações populares. Por isso, o czar foi obrigado a fazer reformas políticas e sociais, incluindo a criação de um Parlamento – a Duma. Mas, na prática, ele continuou a reinar de modo absoluto.

A oposição dos russos ao regime aumentou com as derrotas na Primeira Guerra Mundial, sobretudo quando, em 1915, o czar assumiu o comando do exército. E aumentou o sofrimento da população civil em razão dos problemas gerados pela participação da Rússia no conflito.

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A Revolução Russa de fevereiro de 1917

A intervenção da Rússia na Primeira Guerra Mundial evidenciou sua falta de organização militar, política e econômica. A mobilização de milhares de camponeses havia provocado um declínio da produção agrícola. O povo estava faminto e desiludido diante das notícias que chegavam do front. Formaram-se, então, os sovietes, conselhos de operários, camponeses e soldados que exigiam mudanças. Manifestações e greves eclodiram em todo o país.

Em fevereiro de 1917, o crescente descontentamento popular deu lugar a um movimento revolucionário em Petrogrado (antiga São Petersburgo, então capital do país), que levou à abdicação do czar Nicolau II. O poder passou às mãos de um governo provisório, formado por membros da Duma, que iniciou uma série de reformas liberais.

Após a revolução dois poderes entraram em disputa: o governo provisório, dirigido por Alexander Kerenski, e os sovietes.

Os primeiros, apoiados pelos mencheviques (em português, “minoria”), eram os socialistas moderados; os outros, dirigidos pelos bolcheviques (em português, “maioria”), eram socialistas radicais. Estes faziam parte do Partido Bolchevique, que depois passou a se chamar Partido Comunista, cujo líder era Vladimir llich Ulianov, conhecido como Lênin.

Essa situação começou a se alterar nos meses subsequentes à Revolução de fevereiro de 1917 (março, no calendário gregoriano). Vladimir Lênin, líder bolchevique, voltou do exílio em abril de 1917 e verificou o poder revolucionário popular dos Sovietes. A leitura de Lênin era a de que os Sovietes representavam a expressão original do poder dos explorados e que ali se encontrava o fundamento de uma “ditadura do proletariado”.

Até ali, a social-democracia defendia a construção de um socialismo democrático. Lênin havia sido um dos organizadores do Partido Operário Social-Democrata russo, mas, naquele momento, vislumbrava a possibilidade de um governo dos trabalhadores, o que seria o primeiro passo para o socialismo na Rússia.

Vladimir Lênin defendeu uma nova revolução russa com a fórmula “Todo poder aos Sovietes!” Em suas “Teses de Abril” considerou a necessidade da ditadura do proletariado, da entrega de terras aos camponeses, da nacionalização das empresas e da retirada da Rússia da guerra. Tais teses garantiriam o apoio dos Sovietes, a adesão dos soldados, o apoio dos camponeses e a aglutinação das forças anticapitalistas na construção de uma revolução, de fato, socialista: a Revolução Bolchevique.

A Revolução de outubro/novembro de 1917

Ante a lentidão da reforma agrária do governo de Kerenski e sua decisão de continuar na Primeira Guerra Mundial, os bolcheviques se revoltaram e apoderaram-se do governo em apenas dez dias.

Cartaz da Revolução Russa.
O cartaz produzido pelos bolcheviques mostra Lênin varrendo do mapa o czarismo, os capitalistas e os latifundiários da Rússia.

Sob o slogan bolchevique “Paz, pão, liberdade e terras para os camponeses”, iniciaram-se as articulações para um novo levante. Kerensky era considerado traidor por falar em tirar o país do conflito e não fazê-lo. Os bolcheviques afirmavam ter condições de entabular com os alemães uma paz justa, sem anexações e sem indenizações, além de garantirem o controle da produção pelos operários organizados nos Sovietes.

Para obter o apoio das minorias étnicas até ali perseguidas e oprimidas, afirmavam que seria defendido o respeito aos valores culturais e a autonomia política das diversas nacionalidades que compunham o Império Russo. Por fim, ainda sinalizavam com o confisco das terras e com a distribuição delas aos camponeses. Assim, a força revolucionária despertada foi incrível.

Dando prosseguimento à movimentação revolucionária, em agosto, Trótski organizou a Guarda Vermelha, formada por militantes bolcheviques, sendo eleito o presidente do Soviete dos Operários de Petrogrado. Os Sovietes foram agenciados pelos bolcheviques, e a data para o grande levante foi definida. No calendário russo, 25 de outubro, e, no calendário ocidental, 7 de novembro de 1917, com a convocação de uma greve geral. Além disso, na data referida, houve a tomada das fortalezas de São Pedro e São Paulo, por meio de uma ação de Trótski. Os soldados aderiram ao movimento e foram obtidos os armamentos e munições depositados nestas fortalezas.

A Revolução caminhou com o controle de pontes, ferrovias, usinas elétricas e ocupação de prédios públicos. O Palácio de Inverno foi invadido e Kerensky fugiu. No dia seguinte, Lênin, líder máximo da Revolução Russa, anunciava a vitória

Bibliografia:

PERRY, Marvin. Civilização ocidental: uma história concisa. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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