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Morfemas

Morfemas são as unidades mínimas de significação das palavras, ema é unidade distintiva e morfo significa forma, portanto: seria “uma forma que gera diferença de significado”.

Veja as palavras seguintes: dente, dentista, dentição, dentadura, dentada, desdentado, dentar. Verificamos que todas têm uma parte comum: a forma dent (principal) e outras partes que variam em cada palavra. Estes últimos elementos são responsáveis por modificar detalhes de significação.

Cada um desses elementos é capaz de fornecer alguma noção significativa à forma a que se acrescentam. Se reparar em cada pedacinho, verá que nenhum admite subdivisão em unidades menores. São, pois, unidades mínimas de significação, que recebem o nome de morfemas.

Classificação dos morfemas

A parte invariável dent, do exemplo anterior, chama-se radical e faz com que todas as palavras sejam da mesma família. Todas são relacionadas à mesma significação, portanto são denominadas cognatas.

Na palavra “dentista”, o morfema ista acrescenta ao significado (dente) a ideia do profissional que trabalha com isso; já em “dentar”, o morfema ar acrescenta a ideia de ação (cravar os dentes). O acréscimo desses morfemas ao radical cria novas palavras a partir da original.

Ao morfema capaz de operar modificações semânticas no radical a que se agrega dá-se o nome de afixo. Se colocado antes do radical, chama-se prefixo; se, depois, sufixo. Veja os casos abaixo:

  • pedra
  • pedreiro
  • pedrada
  • empedrar
  • apedrejar

A cada nova palavra formada por acréscimo de sufixo e prefixo dá-se um novo significado. Inclusive, em alguns casos, muda-se a classe de palavra: empedrar e apedrejar são verbos formados a partir do substantivo pedra.

Além dos afixos, existem morfemas que geram mudança ao radical, mas não chegam a criar uma nova palavra, somente flexionam a original, ou seja, causam alterações sem que tenhamos uma nova palavra.

  • Se acrescentarmos o morfema –s à palavra pedra, teremos flexão de número desse substantivo (pedras); se acrescentarmos o morfema –inha, temos flexão de grau (pedrinha – diminutivo de pedra).
  • Se conjugarmos o verbo apedrejar, teremos modificações na parte final da palavra: apedrejei, apedrejaremos, apedrejo, apedrejaram. São morfemas que flexionam o verbo em tempo (presente, pretérito, futuro), em pessoa (1ª, 2ª e 3ª), em número (singular e plural).

Podemos com isso, então, perceber que há morfemas que dão variação a uma mesma palavra, mas não chegam a criar uma nova, somente a flexionam. Tais morfemas são denominados desinências. Tanto os nomes podem ser flexionados em gênero, número e grau (desinências nominais), quanto os verbos podem variar em número, pessoa, tempo e modo (desinências verbais).

Além dos afixos e das desinências, há um outro tipo de morfema, que aparece tanto em nomes como em verbos: é a vogal temática. Sua função é a de se juntar ao radical para fazer a ligação com as desinências. No caso do verbo apedrejar, temos a vogal temática –a e a desinência de infinitivo –r. Conforme flexionamos o verbo, vamos ligando outras desinências ao –a, como apedrejariam (à vogal temática se ligam as desinências de futuro do pretérito –ri e de 3ª pessoa do plural –am). As vogais temáticas dos verbos podem ser –a, –e e –o.

Há ainda, por último, as vogais ou consoantes de ligação. São morfemas que surgem por motivo de sonoridade, para facilitar a pronúncia de uma palavra. Por exemplo, no termo gasômetro, temos: gás + metro, ligados pela vogal –o, sem valor significativo. Na palavra paulada, temos: pau + ada, ligados pela consoante l, somente para facilitar a pronúncia.

Quadro classificatório dos morfemas

Morfemas

Características

Exemplos

Radical (semantema ou lexema) Núcleo mais significativo de uma palavra, o radical é a base sobre a qual se cria uma família de vocábulos, os cognatos. É ao radical que se agregam os demais morfemas. narrar, narrável, inenarrável, narrador, narradorazinha, narrávamos, narrativa, narrassem, narração, narratividade
Afixos (prefixos e sufixos) Morfemas que, antepostos (prefixos) ou pospostos (sufixos) ao radical, modificam-lhe o significado, acrescendo-lhe nuanças de sentido. Além disso, podem acarretar mudanças de classe gramatical. Prefixos: inenarrável, abdicar, admirar, cisandino, depor, desfolhar, difundir, predizer, epílogo.

Sufixos: narrar, narrável, narrador, narradorazinha, narração, narratividade

Desinências (nominais e verbais) São morfemas indicadores das flexões. Subclassificam-se em verbais e nominais. As desinências verbais indicam o tempo e o modo (desinência modo-temporal) e o gênero e o número (desinência número-pessoal) do verbo. As desinências nominais indicam o gênero e o número de nomes e pronomes. Desinências verbais narraremos,narráveis, narravas, narrássemos,narráveis, narraríeis, narraste,narrastes.

Desinências nominais narradora,narradorazinhas, aluno, aluna,livros, mesmo, mesmas, algumasquais, cujas, estudioso, estudiosas.

Vogal temática Morfema que propicia a ligação entre o radical e as desinências. Adicionada ao radical, constitui o tema, base sobre a qual se agregam as desinências. As vogais temáticas subclassificam-se em nominais e verbais. As vogais temáticas nominais são -a, -e, -o, em sílabas átonas finais. As vogais temáticas verbais são -a, -e, -i, que indicam as conjugações verbais. Vogais temáticas nominais
-a casa, carta, luta, dentista
-e alegre, fase, embarque, mote
-o choro, livro, disco, muroVogais temáticas verbais
a estudava, chegará, viajássemos (primeira conjugação)
-e vendem, pões, escrevesse (segunda conjugação)
-i definiria, sentisse, pedimos (terceira conjugação)
Vogal e consoante de ligação Morfemas atípicos são aqueles acrescidos por motivo de eufonia, e não por razão semântica. Vogais de ligação
silvícola, gasômetro, gasoduto, gaseificar, cacauicultor, raticidaConsoante de ligação
cafeteira, pezinho, chaleira, pobretão, paulada, capinzal, cafezal

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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