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Vocativo

Vocativo é o termo de uma oração utilizado para evocar, chamar ou nomear alguém ou alguma coisa. Ele pode estar no início, no final ou no meio da oração. Reconhece-se o vocativo pela entonação que o caracteriza.

Na escrita, o vocativo deve vir isolado por sinais de pontuação, geralmente entre vírgulas ou vírgula e um ponto de exclamação ou ponto-final, a depender da posição do termo na oração.

Veja estes exemplos. O vocativo é o termo em destaque:

  • Oi, pai!
  • Explique-me, querido, como chegou até aqui.
  • Irmãozinho, que horas sairemos?
  • Sente-se, senhor Francisco.

Em cada um desses casos é possível supor a relação entre quem fala e quem escuta por meio do vocativo. No primeiro caso, trata-se de pai e filho ou filha; no segundo, parece haver uma relação de carinho entre locutor e interlocutor – se o termo não foi utilizado de forma irônica; e em “senhor Francisco” há uma relação formal e distante (não familiar).

O emprego de diminutivo, por sua vez, depende do contexto: por exemplo, “queridinho” pode ser usado de forma irônica, para significar o contrário de querido, ou seja, a pessoa não é querida. Logo, o vocativo tem em si informações importantes para a conversação, além de ser a expressão comunicativa para chamar a atenção da pessoa com quem se fala ou para quem a escrita é dirigida.

O vocativo também pode também vir precedido de interjeição (eh!, olá!, ó), caracterizando-se por natureza exclamativa.

  • Ó Ana, não derrame café no sofá.
  • Eh! Maurício, você é um cara de sorte!

O vocativo é, portanto, uma unidade linguística à parte da estrutura oracional, pois não se relaciona sintaticamente com outro termo de sua formação. Veja a tirinha abaixo:

Tirinha com exemplo de vocativo.
LEITE, Pedro. Sofi a e Otto. Disponível em: <www.instagram.com/p/B4AJnc3J8fE/>.

Nessa tirinha, Sofia conversa com seu livro e o interpela, chama-o pelo vocativo “meu amigo”. Perceba que essa unidade linguística não diz respeito a nenhum outro termo da oração em que está inserida, mas, sim, a seu interlocutor, o livro.

Vocativo e aposto

Vocativo e aposto, às vezes, podem ser confundidos, como em:

  • Você, minha amiga, está certa do que quer?

No exemplo, “minha amiga” é um aposto que explica “você” ou um vocativo que interpela o interlocutor? É possível resolver essa dúvida com base na forma como o interlocutor se dirige a essa outra pessoa “Você”: não é preciso apresentar alguém a quem se dirige diretamente, em uma situação de interlocução. Logo o termo “minha amiga”, nesse contexto, é uma interpelação, um vocativo.

Diferença de vocativo e aposto

O aposto anexa-se a um substantivo ou pronome, esclarecendo-o, resumindo-o ou desenvolvendo-o. O aposto pode fazer parte do sujeito ou do predicado. Veja o exemplo:

  • “Regina, aluna da 6ª série, tem dúvidas sobre aposto e vocativo.”
    Aposto = aluna da 6ª série (esclarece quem é Regina).

Vocativo é o termo da oração utilizado para chamar algo ou alguém:

  • Regina, você mora em São Paulo?”
  • “Espero, luz da manhã, que ilumine meu dia!”

O vocativo pode aparecer no início, no meio ou no fim da oração. O vocativo não pertence nem ao sujeito nem ao predicado.

Cuidado com a vírgula

Não usar vírgulas em trocas de mensagens instantâneas é comum no contexto informal desse tipo de diálogo. Todavia, a supressão de pontuação pode tornar-se um problema de comunicação, mesmo em uma situação informal como essa.

Pense se, em uma conversa em grupo, em um aplicativo de mensagens, alguém digita: “A moça Ana chegou atrasada”. Quando, na realidade, queria dizer “A moça, Ana, chegou atrasada”.

No primeiro caso, “Ana” tornou-se um aposto especificativo, então quem chegou atrasada foi a Ana. Por outro lado, ao utilizar a pontuação, isolando “Ana” entre vírgulas, o nome torna-se um vocativo. “A moça”, então, seria uma outra pessoa da qual se fala durante a conversação, e Ana é o elemento para quem a mensagem se dirige.

Portanto, em algumas situações, mesmo informais, o uso de pontuação para isolar o vocativo se faz necessário.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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