Química Geral

História da Química

A Química é uma das mais recentes Ciências Naturais; não há, porém, uma data específica que marque seu início. Sabe-se que, por volta do ano 1500 a.C., os egípcios já utilizavam técnicas que envolviam fenômenos químicos, tais como fabricação de objetos de cerâmica, extração de corantes animais e vegetais, obtenção de alguns metais, vidros, bebidas alcoólicas, como vinhos e cervejas, entre outras.

A química na antiguidade

Na Antiguidade, a Química ainda não era considerada uma ciência. Era conhecida como alquimia, que tinha por objetivo a busca pela pedra filosofal, que transformaria os metais em ouro, e pela panaceia universal (medicamento com propriedade de curar todos os males), ou elixir de longa vida, um remédio que curaria todas as doenças. Tais buscas levaram ao desenvolvimento de muitos métodos de separação e de aparatos químicos, os quais são utilizados até os dias atuais.

A busca pelos elementos

A tentativa de compreender de que as coisas são feitas permeia a história da humanidade. No século V a.C., o grego Empédocles, que era de Agrigento, formulou a ideia de que quatro elementos – água, ar, fogo e terra – seriam os constituintes de todos os materiais. Forças de amor e ódio manteriam os elementos unidos ou afastados, criando diferentes substâncias. As ideias de Empédocles, como todas na época, tinham bastante influência religiosa. O amor e o ódio eram regidos pelas deusas gregas Afrodite (do amor) e Éris (da discórdia), e o equilíbrio entre essas potências manteria o mundo como ele é.A primeira tentativa de explicar a composição da matéria surgiu por volta de 478 a.C. O filósofo grego Leucipo e seu discípulo Demócrito postularam que os objetos visíveis se compunham de minúsculas partículas e acreditavam que a matéria, após sofrer várias subdivisões, chegaria a uma partícula indivisível, à qual deram o nome de átomo (do grego: a = não e tomo = divisão).
Aristóteles (384-322 a.C.) retomou as ideias de Empédocles e as organizou atribuindo um lugar para cada elemento: a terra era o elemento central, em seguida a água, acima o ar e por último o fogo. Aristóteles se baseou na observação para sugerir essas disposições: a terra, por exemplo, afunda quando jogada na água; o ar, por sua vez, tende a subir em forma de bolhas quando submerso. Ele ainda formulou um quinto elemento, o éter, que seria o constituinte dos corpos celestes e ficaria acima de todos. As ideias de Aristóteles tiveram papel central na civilização ocidental e se mantiveram por muitos séculos.

Elementos formadores das substâncias de acordo com a teoria atômica de Aristóteles.

Toda a Medicina da Idade Média foi influenciada pelos pensamentos de Aristóteles. Naquela época, pensava-se que o corpo humano era influenciado por quatro humores, ligados aos quatro elementos: atrabílis (ou bílis negra) seria o humor da terra com características frias e secas; fleuma, o humor da água, fria e úmida; sangue, o humor do ar, quente e úmido; e bile (ou bílis amarela) seria o humor do fogo, quente e seco. O equilíbrio desses humores seria determinante para um corpo saudável, e uma eventual descompensação causaria doenças.

Os humores poderiam ser balanceados pela alimentação, o que explica em parte o valor das especiarias nos últimos séculos da Idade Média. Canela, cravo e outras substâncias picantes seriam fontes importantes de “alimentos quentes”, balanceando doenças causadas por “humores frios”.

Cerca de 2 mil anos depois de Aristóteles, o médico e alquimista Paracelso – apelido do suíço Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1541) – formulou novas ideias com base em observações de experimentos de outros alquimistas, em especial das destilações. Segundo ele, existiam três principais constituintes da matéria:

  1. O resíduo sólido, ou sal, que continha o sabor e a consistência original da matéria.
  2. Um fluido oleoso, o enxofre, que continha a umidade.
  3. Um componente volátil (isto é, que evapora), portador dos aromas e da essência espiritual.

Tais ideias deram base a “Iatroquímica”, que aliava a Química à produção de medicamentos, não mais à busca de materiais intangíveis. A Iatroquímica tem influência também em nossa dieta atual, uma vez que os processos de fermentação e destilação fascinavam os alquimistas e até hoje destilados alcoólicos são chamados de “espíritos”.

Os alquimistas contribuíram para o desenvolvimento das Ciências Naturais.

Alimentos fáceis de fermentar eram vistos como saudáveis, bem como alimentos gordurosos ou alcoólicos. Aos caldos de carne, por exemplo, dava-se o nome de restaurants, pois uniam as substâncias oleosas e o sal (presente na farinha) com os “mercúrios” (contidos no vinagre e no vinho). Assim eram considerados alimentos completos, e para servi-los foram criados os restaurantes, com a função de restaurar as pessoas.

A química moderna

O chamado “pai da Química” é o irlandês Robert Boyle (1627-1691), responsável por introduzir o método científico no estudo da área, afastando-se da Alquimia. Como diferencial, Boyle passou a publicar abertamente seus trabalhos e a defender o uso de experiências para comprovar os fenômenos, não mais apenas aceitar hipóteses consagradas.

Essa mudança de pensamento fez parte de um movimento que se consolidaria no século XVII, o Iluminismo, que distanciava de vez a ciência da religião. Nesse contexto, surgiu Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794), francês que é considerado “o pai da Química moderna”.

Lavoisier executava seus experimentos com grande precisão quantitativa, realizando pesagens e medidas cuidadosas. Com isso ele descobriu o oxigênio, explicou o fenômeno de combustão, forneceu nomenclatura para 33 elementos químicos e criou a Lei da Conservação de Massas, que ficou marcada na história pela célebre frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Em um de seus grandes experimentos, Lavoisier provou que a água poderia ser formada a partir de oxigênio e hidrogênio, mostrando, então, que ela não era um elemento, mas um composto de elementos. Assim foi derrubada a ideia dos quatro elementos (água, ar, fogo e terra).

No fim do século XVIII, a Química firmou-se como ciência, principalmente por causa de experimentos e observações de cientistas famosos, como Antoine Laurent Lavoisier, Joseph-Louis Proust e John Dalton. Esses experimentos foram realizados com base nas observações das massas das substâncias que participavam dos fenômenos químicos, as chamadas Leis Ponderais.

Conforme a ciência progredia e novas descobertas eram realizadas, houve a necessidade de explicações mais bem elaboradas para elucidar a composição da matéria. Na Grécia Antiga, os estudiosos já discutiam do que era feita a matéria e até onde ela poderia ser dividida, como já foi visto acima. O primeiro modelo atômico, porém, só surgiria em 1808, elaborado pelo físico inglês John Dalton. Dalton propôs a teoria em que o átomo seria maciço, esférico e indivisível (modelo da “bola de bilhar”). Tal conceito marcou o início de grandes avanços no entendimento da composição e do funcionamento da matéria. Outros modelos atômicos foram sugeridos até chegar ao modelo atual, atribuído ao físico Erwin Schrödinger, apoia-se nos seguintes princípios: na Teoria Sobre a Dualidade Onda-partícula, de Louis De Broglie (1923), e no princípio da incerteza, enunciado por Werner Heisemberg (1927).

Por volta do século XIX, já eram conhecidos cerca de 60 elementos químicos, parecidos em termos de reatividade e aspecto. Dmitri Mendeleev (1834-1907), químico e físico russo, classificou os elementos conhecidos em uma tabela com períodos e grupos, dando origem à tabela periódica. Mendeleev previu alguns elementos que ainda seriam descobertos: havia lacunas na tabela, e concluiu que indicavam as características físico-químicas de elementos até então desconhecidos. Anos depois de sua morte, o gálio e o germânio foram descobertos com as características previstas.

Hoje a Química é dividida em muitos ramos, como Bioquímica, Química nuclear, Química orgânica, Físico-química e outros.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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