Sociologia

Movimentos Sociais

Na linguagem sociológica, os movimentos sociais definem-se como ações coletivas praticadas por grupos da sociedade, com a finalidade de modificar ou conservar determinados aspectos culturais, econômicos e políticos ou mesmo de transformar o conjunto da realidade sociopolítica.

De maneira geral, os movimentos sociais expressam alguma insatisfação sociopolítica ou características pontuais de sua organização, articulando segmentos da sociedade em pautas reivindicatórias que aspiram à realização de mudança ou de permanência social, econômica, política e cultural, considerada necessária e justa.

Origens

As primeiras manifestações mais amplas de movimentos sociais nas sociedades industriais, anunciadas em fins do século XVIII e consolidadas ao longo do século XIX, são praticadas pelos trabalhadores assalariados, especialmente pelos operários das fábricas capitalistas, que reagem diante da precariedade de suas condições de trabalho e de vida.

Desenho de Ned Ludd, líder do movimento social luddista.
O desenho foi publicado em 1812 e apresenta o líder dos trabalhadores das fábricas inglesas, Ned Ludd. O movimento luddista nasceu das péssimas condições a que os trabalhadores eram submetidos no sistema de produção fabril. Então, em represália, eles quebravam as máquinas, vistas como um mal a ser combatido.

Submetidos a jornadas de trabalho extenuantes, a salários aviltantes e a péssimas condições materiais de existência, muitos trabalhadores envolvem-se em mobilizações contendo diversificado repertório de reivindicações.

As propostas críticas à exploração do homem pelo homem alcançaram uma projeção até então impensada. O igualitarismo em termos materiais ganhou envergadura inusitada com propostas socialistas de associação entre capital e trabalho (“utópicas”) e de enfrentamento entre trabalhador e empresário (“científicas”), além de proposições relativas a uma sociedade alternativa anárquica. Tais propostas, aos poucos, ganhavam a simpatia dos trabalhadores que aderiam a formas de ação, conferindo “corpo” ao movimento social. Pensar em um dos pilares do pensamento sociológico, Karl Marx, é colocá-lo nesse contexto histórico.

Novos movimentos sociais

Os movimentos sociais diversificam-se tanto em suas composições sociais quanto em seu universo temático, ao longo do século XX. Nesse sentido, modifica-se a correlação de forças entre diferentes grupos sociais e multiplicam-se as contestações a situações consideradas injustas.

Esses novos movimentos sociais, com sua diversificação temática pelas questões culturais, étnicas, feministas, sexuais e ecológicas, dentre outras, eclodem e disseminam-se principalmente a partir da década de 1960.

Esses movimentos inauguram formas de mobilização distintas, pelo menos em parte, dos tradicionais movimentos sociais dos trabalhadores, convencionalmente estruturados na dimensão sindical.

Movimentos sociais no Brasil

No Brasil, os movimentos sociais foram e continuam sendo fortes, manifestando-se tanto no campo como nas cidades.

No campo, a questão fundiária permanece atual e polêmica. Na década de 1950 até 1964, vigorou a atuação das Ligas Camponesas, que pregavam a reforma agrária “na lei ou na marra”. No final dos anos 1970, inicia-se no sul do país o MST (Movimento dos Sem-Terra) que, por meio de uma ampla mobilização e conscientização, principalmente por meio de invasão de propriedades rurais e de repartições públicas, luta pela reforma agrária.

O movimento estudantil, o movimento feminista e o movimento negro são outros exemplos dos movimentos sociais de grande importância na história contemporânea brasileira. As políticas afirmativas (ações afirmativas) do governo brasileiro, a partir de 2003, refletem parte das conquistas desses movimentos.

Bibliografia:

Alain Touraine. Os movimentos sociais. In: MARTINS, José de Souza; FORACCHI, Marialice. Sociologia e sociedade. São Paulo: LTC, 1992.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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