A Pecuária e Agropecuária no Brasil

Há 30 anos, a boiada ficava no pasto até seis anos para atingir o peso de abate. Em 2002, bastavam 24 meses ou menos. A produção brasileira de carne bovina em 1970 era de 20 quilos por hectare ao ano; em 2000, este valor subiu para 34 quilos. Atualmente, o Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do planeta, correspondendo a 15% do total mundial e é o segundo maior produtor de carne bovina, com 6,9 milhões de toneladas equivalente-carcaça produzida a baixo custo de produção, tornando-se o país mais competitivo em nível internacional. Números como esses revelam os avanços da pesquisa agropecuária no setor, deixando o Brasil numa confortável posição de produtividade e qualidade do produto. O nosso "boi verde", de alimentação vegetariana, consagrou-se como o melhor para consumo humano, livre de males como o Mal da Vaca Louca e febre aftosa - que recentemente atingiu países da América do Sul, Europa e Japão.


Produção Agrícola Brasileira

O desenvolvimento do agronegócio no Brasil acompanhou o crescimento da produção de grãos, iniciado em larga escala a partir de meados da década de sessenta. Antes, a economia agrícola brasileira era caracterizada pelo predomínio do café e do açúcar. Pouca importância que se dava ao projeto de se utilizar a imensa base territorial brasileira na produção de grãos. A produção de alimentos básicos, como milho, arroz e feijão era voltado para a subsistência, e os poucos excedentes dirigidos ao mercado eram insuficientes para formar uma forte cadeia do agronegócio dentro dos moldes hoje conhecidos.

O notável crescimento da produção de grãos (principalmente da soja) foi a força motriz no processo de transformação do agronegócio brasileiro e seus efeitos dinâmicos foram logo sentidos em toda a economia. Inicialmente surgiu um imenso parque industrial para a extração do óleo e do farelo da soja e outros grãos. A disponibilidade de grande quantidade de farelo de soja e milho permitiu o desenvolvimento de uma moderna e sofisticada estrutura para a produção de suínos, aves e leite, bem como a instalação de grandes frigoríficos e fábricas para a sua industrialização. Foi criado também um sistema eficiente de suprimento de insumos modernos (fertilizantes, defensivos, maquinários agrícolas etc) e uma rede de distribuição que inclui desde as grandes cadeias de supermercados até os pequenos varejistas locais.

Inicialmente calcado na expansão da área plantada, principalmente nas regiões de fronteira, a partir da década de noventa o crescimento da produção, em bases competitivas, passou a depender cada vez mais da adoção de novas tecnologias no processo produtivo.

A política agrícola a partir de 1995 foi a de combinar, de forma eficiente, a utilização de instrumentos econômicos como o crédito rural e os programas de suporte à comercialização com instrumentos estruturais como a pesquisa agropecuária.

O crédito rural oficial foi reformulado para estimular uma participação maior do setor privado. As dívidas anteriores foram securitizadas e a estrutura governamental de apoio à comercialização passou por profundas mudanças com a criação de instrumentos mais modernos e menos intervencionistas. Na pesquisa agropecuária foram adotadas várias medidas para torná-la mais afinada com o mercado e portanto mais objetiva em termos de áreas a serem pesquisadas e de produtos a serem desenvolvidos.

Tal esforço foi decisivo para que o Brasil elevasse sua safra de grãos de 73,5 milhões de toneladas, em 1995, para 98,3 milhões de toneladas, em 2001.A produção brasileira de grãos aumentou de 32%, no período, enquanto que o crescimento da área plantada foi de apenas 2,9%.


Produção Brasileira de Grãos (Mil Toneladas)
 

  1995/96 1996/97 1997/98 1998/99 1999/00 2000/01
Algodão 761,6 524,0 763,4 923,8 1.187,4 1.521,9
Arroz 10.037,9 9.546,8 8.462,9 11.582,2 11.533,8 10.386,0
Feijão 2.992,7 2.969,0 2.206,3 2.870,8 3.079,8 2.587,1
Milho 32.644,6 36.166,8 30.187,8 32.417,2 31.640,8 41.535,2
Soja 23.189,7 26.160,0 31.369,9 30.765,0 31.886,6 37.218,3
Trigo 3.197,5 2.402,3 2.187,7 2.402,8 1.747,7 3.194,2
Outros 934,7 1.149,5 1.351,8 1.475,4 1.710,6 1.869,0
Total 73.758,7 78.918,4 76.529,8 82.437,2 82.786,7 98.311,7

Fonte:CONAB

O algodão, que com a abertura comercial muitos acreditavam ser um produto com cultivo em extinção, foi o de melhor desempenho quanto a produtividade, passando de 1.230 Kg/ha, em 1995/96, para 2.659 Kg/ha, em 2000/01, com um incremento de 116% no período. Os ganhos no Norte/Nordeste foram ainda mais surpreendentes, chegando a 140% no período. O lançamento da Cultivar BR 200 Marrom, algodão de fibra colorida, cuja cotação da pluma é cerca de 30% superior à do algodão de pluma de coloração normal, traz grandes perspectivas para a agricultura familiar no Nordeste. Além disso, esta variedade de ciclo trienal poderá ser de grande importância estratégica para a convivência do pequeno produtor com a seca. A Embrapa está fomentando a formação de consórcios de indústrias de confecção e de artesanatos, que estão exportando para a Europa coleções de moda e artesanato usando o algodão colorido como matéria-prima, com benefícios para todos os componentes da cadeia produtiva.

O arroz logrou um incremento de 24%, com um ganho ainda mais notável na Região Centro–Sul, da ordem de 28%. Apenas com o ecossistema de várzea, a Embrapa lançou 53 variedades de arroz. São grãos de alta produtividade, resistentes às principais doenças e de excelente qualidade industrial e culinária.

A soja teve um ganho de produtividade de 21% no período, alcançando 35% na Região Norte/Nordeste, graças às cultivares de soja adaptadas às várias regiões do Brasil, principalmente aos Cerrados.

O feijão registrou um ganho de 20%, alcançando um incremento de 37% na Região Centro-Sul. A produtividade nas lavouras gaúchas aumentou 43% graças as variedades criadas pela Embrapa. As atividades desenvolvidas beneficiaram 850 mil famílias gaúchas. Tecnologias desenvolvidas em parceria com outras instituições públicas de pesquisa se consolidaram em sistemas de produção, aumentando em 68% a área de cultura do feijão irrigado no Brasil.

Finalmente, o trigo logrou um incremento médio de 8%, no período. Outrossim, 28 variedades obtidas pela Embrapa estão plantadas em 55% da área tritícola nacional, garantindo inclusive que a qualidade do produto atenda às exigências do mercado.

Na pecuária, a contribuição desse setor tem sido crucial para o sucesso do plano de estabilização da economia e para a melhoria nos padrões alimentares das camadas mais pobres da população, em termos do consumo de proteína animal. Nos planos de estabilização anteriores a falta de carnes nas prateleiras dos supermercados foi a causa mais evidente do fracasso popular desses planos.

O setor avícola, pela estabilidade no fornecimento da carne de frango e ovos e pela manutenção dos preços, mesmo com o impacto do rápido crescimento da demanda (ocorrido em função da eliminação do imposto inflacionário), foi uma peça-chave para o sucesso do Plano Real.

Isso não ocorreu à toa. Intimamente ligado à expansão da produção de grãos, o desenvolvimento da avicultura, pode ser considerado como a síntese e o símbolo do crescimento e modernização do agronegócio no Brasil. A atividade avícola reúne em sua estrutura funcional os três elementos mais importantes no cálculo econômico do capitalismo em sua configuração atual: tecnologia de ponta, eficiência na produção e diversificação no consumo. Entre 1995 e 2001, a produção de carne de frango cresceu mais de 2,2 milhões de toneladas (54,6%). O Quadro I mostra a evolução a produção das principais carnes.

Quadro I – Produção Brasileira de Carnes (Mil toneladas)

 

 1995

 1996

1997

 1998

 1999

 2000

2001

 Bovina

 5.400

 6.045

 5.820

 6.040

 6.268

 6.651

 6.960

 Avícola

 4.050

 4.058

 4.461

 4.853

 5.526

 5.977

 6.261

 Suína

 1.470

1.560

1.540

 1.699

 1.834

 1.967

 2.109

TOTAL

10.920

12.663

11.821

 12.592

 13.628

 14.595

15.330

Fonte:CNPC,UBA e ABIPECS

Autoria: Alan Douglas


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