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Estados Unidos da América

Estados Unidos da América, república federal situada na América do Norte e formada por 48 estados contíguos, além do Alasca e do Havaí. Dos Estados Unidos dependem, sob formas variadas, o estado associado de Porto Rico, as Ilhas Virgens, a baía de Guantánamo (Cuba), a ilha de Guam, a Samoa Oriental, as ilhas Marianas, o arquipélago Midway, a Federação de Estados Micronésios, as ilhas Palau, o arquipélago das ilhas Marshall e outras pequenas ilhas e ilhéus de importância militar.

O conjunto dos 48 estados limita-se ao norte com o Canadá, a leste com o oceano Atlântico, ao sul com o golfo do México e com o México e a oeste com o oceano Pacífico. Os Grandes Lagos e o rio São Lourenço formam parte da fronteira norte; o rio Grande, ou Bravo, faz parte da fronteira sul. A capital é Washington. A superfície é de 9.809.155 km2 (inclusive o distrito federal de Colúmbia).

Bandeiras dos estados unidos da américa

TERRITÓRIO E RECURSOS

A parte mais antiga do continente é o escudo canadense, ou meseta laurentina, massa granítica no nordeste dos Estados Unidos, formada no período pré-cambriano. Após a colisão que formou os montes Apalaches, o continente começou a se deslocar em direção ao oeste. Os Apalaches começaram a sofrer erosão e seus sedimentos se acumularam nas Grandes Planícies do centro do continente e nas planícies costeiras do Atlântico e do golfo do México. Enquanto isso, a colisão do continente com a placa do Pacífico provocou novos alinhamentos montanhosos no oeste: as Montanhas Rochosas, Sierra Nevada, na Califórnia, os montes Wasatch, em Utah, diversas cordilheiras em Nevada e a cordilheira Teton, em Wyoming.

Durante os períodos glaciais, formaram-se os lagos alinhados e as rochas descobertas da Nova Inglaterra e do norte de Minnesota (ver placas tectônicas). Existe grande diversidade de temperaturas de sul a norte e grande variedade de climas, dependendo das estações e dos estados; em geral, variam do clima subtropical da Flórida ao frio e úmido do norte, passando pelo quente e seco do sul e pelo continental das grandes planícies centrais. Os principais rios são: Hudson, Mississippi, Arkansas, rio Grande, Colorado, Snake e Colúmbia.

Os cinco Grandes Lagos — Ontário, Erie, Huron, Michigan e Superior — ocupam uma série interconectada de bacias que formam grande artéria de transporte. Os bosques ocupam 32% da superfície dos Estados Unidos. Ao norte, o Alasca é uma tundra, no interior e no sul crescem principalmente pinheiros e abetos, dando lugar à denominada taiga. No entanto, mais em direção ao sul, o bosque alcança sua diversidade máxima: o Parque Nacional Great Smoky Mountains. No sul da Flórida, crescem espécies subtropicais e tropicais. Nas áreas árticas e regiões montanhosas de tundra, vivem marmotas, esquilos da terra, peixes de água fria e a truta comum. Nos bosques de madeira nobre do leste do país, habitam alces, ursos negros, cervos, raposas, mapaches, zorrilhos e grande variedade de pássaros pequenos. Na costa do golfo do México vivem pássaros maiores. O bisão está, em geral, associado às pradarias.


POPULAÇÃO E GOVERNO

A população (1995) é de 263.437.000 habitantes, com densidade de 26,4 hab/km2. O grupo mais numeroso (aproximadamente 58 milhões) é de ascendência inglesa; 38,7 milhões são descendentes de irlandeses e 32,7 milhões de alemães. Perto de 31,8 milhões de norte-americanos de cinco anos ou mais cresciam em famílias nas quais se falava alguma língua além do inglês. Os brancos constituem 83,9% da população, os negros 12,3%, os descendentes de índios americanos 0,8% e os asiáticos e habitantes das ilhas do Pacífico, 3%. O maior grupo religioso é formado pelos católicos, com 25% da população. Entre os grupos protestantes destacam-se os batistas (19,4%), os metodistas (8%), os presbiterianos (2,8%), os pentecostais (1,8%) e os episcopalianos (1,7%). A Igreja ortodoxa possui um número de seguidores em torno de 3%. As religiões não cristãs mais numerosas são o judaísmo (2%) e o islã.

O inglês é a principal língua. Dos 32 milhões que se expressam em língua diferente, 54% fala espanhol e o restante, outros idiomas. A lei suprema é a Constituição de 1789. As primeiras 10 emendas (conhecidas como Declaração de Direitos), adotadas em 1791, garantem as liberdades civis. Entre 1795 e 1992, foram adotadas 17 emendas adicionais que, entre outras medidas, aboliam a escravatura e estipulavam o sufrágio universal para os maiores de 18 anos. O presidente é a máxima representação do Estado e chefe de governo. Todos os poderes legislativos são exercidos pelo Congresso, que é bicameral.


ECONOMIA

Desde o início do século XX, é o principal país industrial do mundo. O desenvolvimento mais importante da economia desde 1945 foi o crescimento deste setor. A moeda é o dólar. O gado vacum é o principal item das exportações agropecuárias. Os principais cultivos são cítricos, feno, batatas, açúcar, beterraba, cereais e uvas. No que se refere à pesca comercial, é a sexta nação do mundo em toneladas capturadas. É um dos líderes mundiais em produção mineral. Os três principais produtos são: petróleo, gás natural e carvão. No final dos anos 80, produzia aproximadamente 55% do molibdênio mundial, 51% da mica, 40% do magnésio, 30% do fosfato, 23% do alumínio, 22% do chumbo e 20% do enxofre básico. As principais manufaturas são produtos químicos, equipamentos de transporte, alimentos processados, maquinaria industrial e equipamentos eletrônicos. No começo da década de 90, a produção nacional bruta ocupava o primeiro lugar mundial, com 6,4 bilhões de dólares, mais ou menos 24.700 dólares per capita.

HISTÓRIA

Antes da chegada dos colonizadores, as culturas autóctones eram seminômades e a densidade da população, baixa. A colonização européia significou a destruição completa dessas culturas. As viagens, no final do século XV, de Cristóvão Colombo e de Giovanni Caboto, constituíram o início do descobrimento e da colonização do continente americano. A fundação de San Agustín (na atual Flórida) pelos espanhóis, em 1565, marcou o início da colonização européia.

O primeiro assentamento permanente criado pelos ingleses foi Jamestown, em 1607. Em 1624, a colônia passou a ser província real. Os franceses fundaram Quebec em 1608 e descobridores como Jacques Marquette, Louis Jolliet y René-Robert Cavalier, senhor de La Salle, garantiram à França vastos territórios no interior, inclusive todo o vale alto do rio Mississippi. Os holandeses alicerçaram suas pretensões sobre esses territórios nas explorações de Henry Hudson, a serviço da Companhia das Índias Orientais. Chegou à baía de Nova Iorque em 1609 e explorou o rio que leva seu nome. Durante os anos seguintes, os holandeses fundaram em Nova Holanda vários postos comerciais.

Em 1625, foi fundada a Nova Amsterdam (hoje Nova Iorque). A atividade colonizadora inglesa foi retomada em 1620, quando os separatistas adquiriram o direito de assentar-se em Virgínia e fundaram Plymouth, ponto de partida da colonização da Nova Inglaterra, realizada principalmente por puritanos. A primeira manifestação da autoridade parlamentar sobre as colônias foi a Lei de Navegação, de 1651, que obrigava a que as importações e as exportações das colônias fossem embarcadas em navios de bandeira inglesa; leis posteriores proibiram as relações comerciais entre as colônias e outros países. Em 1660, com o reinado de Carlos II, ampliaram-se as leis de navegação.

Em 1684, foi decretada a unificação das colônias em uma única província real, o domínio da Nova Inglaterra. O governo inglês desafiou o poderio militar francês, seu principal rival na construção de um império colonial. A guerra que se seguiu prolongou-se por quase um século, em distintas partes do mundo. O tratado de Utrecht, em 1713, obrigava a França a entregar numerosos territórios. A confrontação decisiva entre a Inglaterra e a França pelo controle da bacia do rio Ohio conduziu à fase final do conflito, a Guerra Francesa e Índia (Guerra dos Sete Anos). De acordo com o tratado de Paris, a França perdeu todas as suas possessões na América do Norte e a Espanha entregou parte da Flórida, que passou às mãos da Grã-Bretanha. Como resultado da guerra, o déficit britânico foi duplicado, o que levou à promulgação de novas leis impositivas, como a Stamp Act e as Townshend Acts, a que se opuseram as colônias. Além disso, numa tentativa de evitar a quebra da Companhia das Índias Orientais, o Parlamento concedeu-lhe o monopólio da venda de chá às colônias, o que provocou nova crise, representada na Festa do Chá de Boston.

As colônias celebraram em 1774 o primeiro Congresso Continental. O movimento de protesto das colônias precipitou a Guerra da Independência Norte-americana. No segundo Congresso Continental, celebrado em 1775, George Washington assumiu as prerrogativas próprias do poder executivo. Declarou-se a independência em julho de 1776 e adotou-se uma declaração formal de princípios, redigida por Thomas Jefferson. Entre 1776 e 1865, a confederação norte-americana passou de 13 a 26 estados membros.

A jovem nação teve de enfrentar sérios problemas sociais, econômicos e políticos. Os dois mais graves foram decidir se prevaleceria a autoridade do governo federal ou a de cada um dos estados e se continuaria a escravatura. A controvérsia sobre ambas as questões dividiu o país em duas facções opostas: o Norte e o Sul. Com a assinatura do tratado de Paris (1783), que pôs fim à guerra com a Grã-Bretanha, o país enfrentou novos problemas, o principal dos quais era estabelecer uma forma de governo que mantivesse os treze estados em sólida e efetiva união.

De acordo com os Artigos da Confederação, aprovados pelo Congresso em 1777, os estados membros conservavam sua autoridade soberana e o Congresso era um órgão no qual estavam representados os estados e o povo. A Constituição entrou em vigor em 1788 e George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, iniciou seu mandato em 1789. Os debates realizados no Congresso trouxeram à tona as distintas concepções políticas e econômicas que existiam sobre a nova nação: os federalistas lutavam pela existência de um governo federal forte que defendesse os interesses nacionais; os republicanos sustentavam, ao contrário, a limitação dos poderes federais e a proteção dos direitos de cada um dos estados, além de simpatizar com a ideologia da Revolução Francesa, favorecendo a França em detrimento da Grã-Bretanha.

Os federalistas se inclinavam por estrita neutralidade. A Guerra Anglo-americana e o tratado de Gante (1814), que pôs fim ao conflito, criou forte sentimento de unidade nacional e destruiu a influência política do Partido Federalista. Nos comícios eleitorais de 1828, triunfou Andrew Jackson. A principal questão foi a escravidão dos negros, que toldou qualquer outro aspecto político. Durante o século XVII, aproximadamente 25.000 negros africanos tinham sido levados para as colônias norte-americanas e a escravidão era legal. A demanda de mão de obra barata para trabalhar nas plantações de algodão provocou grande aumento no número de escravos no sul. O norte, eminentemente industrial, considerava a escravidão uma instituição deplorável; dessa forma, no final do século XVIII, todos os estados ao norte de Maryland, exceto New Jersey, haviam declarado a abolição da escravatura. Em 1818 o território de Missouri, onde a escravidão era legal, solicitou seu ingresso na União.

Após longa e violenta polêmica em todo o país, o Congresso promulgou o Compromisso de Missouri. De acordo com essa lei, Missouri foi admitido como estado escravocrata, embora a escravidão estivesse proibida em todos os estados constituídos além de Louisiana. A partir de 1820, cresceu o sentimento abolicionista em todos os estados do Norte, enquanto o Sul via na abolição uma agressão direta a seu tradicional modo de vida. Em 1836, habitantes do Texas se sublevaram e estabeleceram a República do Texas, numa tentativa de incorporar-se aos Estados Unidos. O Sul lutou decididamente pela anexação do Texas, onde a escravidão era legal. O Norte se opôs. Em 1845, o Texas foi admitido na União, o que provocou a guerra entre os Estados Unidos e o México, que nunca havia reconhecido a independência daquele território mexicano.

Consoante o Tratado de Guadalupe Hidalgo (1848), o México, em troca de quinze milhões de dólares, cedeu a Califórnia e o Novo México e reconheceu o rio Grande (ou Bravo) como fronteira entre o Texas e o México. Resolução emitida em 1857 pelo Tribunal Supremo, sancionou a instituição da escravatura, ao considerar que os escravos eram propriedade e não cidadãos, e que ao Congresso não cabia o direito de proibir a escravatura. Abraham Lincoln, que defendia que a decisão sobre a escravidão fosse do Congresso, foi proclamado presidente em 1860, ano em que a Carolina do Sul se separou da União, seguida de outros dez estados, que se constituíram na Confederação dos Estados da América em 1861.

Era o início da Guerra Civil Norte-americana. O Congresso aboliu a escravidão em 1862, após promulgar a Proclamação da Emancipação e, em 1854, a décima terceira emenda da Constituição a aboliu em todos os estados. O primeiro tema que o país teve de enfrentar, uma vez terminada a Guerra Civil (período conhecido como Reconstrução), foi a reintegração dos estados separatistas à União. O plano Lincoln consistia em readmitir os estados sem impor-lhes excessivas represálias. O presidente Andrew Johnson manteve inicialmente postura semelhante. No entanto, o Congresso aprovou, em 1867, as Leis de Reconstrução, mediante as quais se garantia, no Sul, o direito de voto à população masculina negra e se proibia aos dirigentes políticos confederados fazer parte dos governos estatais. Essa política provocou grande ressentimento entre os sulistas, que tentaram influenciar os governos federais por meio da intimidação, orquestrada pela Ku Klux Klan.

O Norte permitiu que, em 1867, os sulistas conseguissem recuperar o controle do governo de seus estados. Em 1885, Grover Cleveland foi eleito presidente. Seu mandato foi caracterizado pelo nascimento do movimento operário organizado, com influência política e econômica. Os sindicatos adquiriram dimensão nacional entre 1861 e 1866. Seu segundo mandato foi marcado por um período de depressão industrial, com aumento da inflação, desemprego elevado e numerosas falências e greves. O último terço do século XIX foi caracterizado pela aquisição, pelos norte-americanos, de privilégios portuários nas ilhas de Samoa e pela anexação da ilha de Tutuila.

Em 1893, uma revolta eclodiu nas ilhas do Havaí, que em 1898 foram anexadas aos Estados Unidos. O presidente seguinte foi William McKinley. O principal acontecimento foi a Guerra Hispano-americana, pela qual a Espanha perdeu suas últimas províncias de ultramar, em 1898. Após a vitória, os Estados Unidos adquiriram Cuba, as Filipinas, Guam e Porto Rico. Em 1901, Theodore Roosevelt assumiu a presidência. O final da guerra com a Espanha obrigou os Estados Unidos a se defrontarem com o problema de organizar e governar Porto Rico, as Filipinas e Cuba, ilha na qual manteve um protetorado até 1902. O Congresso estabeleceu um governo civil em Porto Rico e, em 1917, a cidadania norte-americana foi outorgada aos porto-riquenhos. Nas Filipinas, os rebeldes dirigidos por Emilio Aguinaldo, em um primeiro momento, resistiram à ocupação. A Lei Jones, de 1916, prometia a independência, que não chegou até 1946. Em 1911, o ditador mexicano Porfirio Díaz havia sido destituído por uma revolução dirigida por Francisco Ingnacio Madero, cujos esforços em prol de um processo de reformas haviam sido vistos com bons olhos pelos Estados Unidos.

Após o assassinato de Madero, o General Victoriano Huerta foi feito ditador. Em 1914, os Estados Unidos apoiaram o general Venustiano Carranza, que liderou uma sublevação contra Huerta, que empreendera atos de represália contra cidadãos norte-americanos. Os Estados Unidos responderam ocupando Veracruz. A mediação da Argentina, do Brasil e do Chile, a fim de evitar a guerra, teve como resultado a demissão de Huerta e a chegada ao poder de Carranza, cujo governo foi reconhecido pelos Estados Unidos em 1915. A maior parte dos grupos depuseram as armas; o único a manter a revolta foi Francisco (Pancho) Villa, que, em 1916, realizou uma incursão sobre Colombo (Novo México). Em 1912, ganhou as eleições o democrata Thomas Woodrow Wilson. Seu programa político, de tendência progressista, ficou conhecido como ”Nova Liberdade”. Wilson conseguiu realizar, durante a maior parte de seus dois mandatos, importantes reformas legislativas que influenciaram a política aduaneira, o sistema bancário, os trustes, o mundo operário e a agricultura. No entanto, as questões mais importantes durante a presidência de Wilson foram a I Guerra Mundial e a assinatura da paz em 1919, com o tratado de Versalhes. Com as eleições celebradas em 1920, inicia-se um período de domínio republicano, caracterizado pelo estabelecimento de tarifas elevadas. O tema mais controvertido do período 1920-1932 foi a proibição da fabricação e venda de bebidas alcoólicas, que deu origem a um período de violências, quando bandos organizados controlaram sua venda ilegal.

Em 1929, uma comissão presidencial determinou o fim das leis antialcoólicas. O mandato do presidente Herbert Clark Hoover viu-se marcado pelo desmantelamento do mercado de valores, ocorrido em 1929. A derrocada da Bolsa precedeu uma depressão econômica que adquiriu dimensões mundiais. Entre as medidas adotadas, modificaram-se as normas do sistema da Reserva Federal, a fim de permitir a obtenção de créditos, por parte de homens de negócio e de produtores rurais, e a criação da Corporação Financeira para a Reconstrução. Apesar disso, a depressão econômica acentuou-se ainda mais, o que marcou a campanha presidencial de 1932.

Os democratas, liderados por Franklin Delano Roosevelt, obtiveram esmagadora vitória. A política exterior norte-americana, entre 1920 e 1932, centrou-se no problema das dívidas de guerra e nas indenizações exigidas à Alemanha. A política econômica e social de Roosevelt ficou conhecida como New Deal. Tinha duplo objetivo: a recuperação da depressão econômica e a estabilização da economia nacional, para evitar outras crises graves no futuro. O governo também criou diversos organismos para socorrer aos mais necessitados. A política exterior concentrou-se em aumentar o comércio exterior, em especial com a América do Sul, solucionar os problemas criados pela guerra entre a China e o Japão (iniciada em 1937) e no irrompimento da II Guerra Mundial, em 1939, à qual os Estados Unidos aderiram em 1941.

A Aliança entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos parecia próxima, após o anúncio, em 1941, da Carta do Atlântico, proclamação dos oito princípios da paz que ambos os países desejavam. Esta carta foi engendrada por Roosevelt e pelo primeiro ministro britânico, Sir Winston Churchill. O ano de 1941 foi caracterizado por intenso debate nacional sobre a intervenção na guerra. Os intervencionistas consideravam essencial para a segurança norte-americana a vitória sobre o Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Em dezembro de 1941, o governo japonês lançou um ataque aéreo sobre a base naval norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, e os Estados Unidos declararam guerra ao Japão.

Em dezembro, a Alemanha e a Itália declararam guerra aos Estados Unidos. Os esforços diplomáticos de Roosevelt deram lugar a uma série de conferências com Winston Churchill e o líder soviético Joseph Stalin, nas quais foram adotadas medidas de efeito militar e acordou-se a rendição incondicional das potências do Eixo: a Conferência do Cairo e a Conferência de Teerã foram celebradas em 1943. Na Conferência de Ialta, celebrada em 1945, decidiu-se dividir a Alemanha em zonas de ocupação e criar a Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1945, Roosevelt foi substituído por Harry S. Truman, cujos primeiros problemas a serem enfrentados foram a finalização da guerra e o estabelecimento da paz mundial. A Alemanha se rendeu formalmente ante os aliados em maio de 1945, embora a guerra continuasse no Pacífico. As tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética tornaram-se evidentes no Acordo de Potsdam, onde se celebrou um acordo relativo à divisão final da Alemanha. O espírito de cooperação vigente nos tempos de guerra havia dado lugar ao receio mútuo, origem da denominada Guerra Fria. Em agosto de 1945, Truman autorizou o lançamento de bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

O Japão se rendeu imediatamente. Apesar dos problemas internos, os Estados Unidos continuaram sua intervenção nos assuntos internacionais, realizando os julgamentos por crimes de guerra contra antigos dirigentes alemães e japoneses. Também estabeleceu o Conselho Nacional de Segurança e a CIA (Central Intelligence Agency), para reunir informação estratégica do estrangeiro. Em 1947, num esforço para deter o avanço do comunismo na Europa, instituiu-se a chamada Doutrina Truman, mediante a qual os Estados Unidos estenderiam ajuda militar e econômica aos países ameaçados pela agressão comunista. Importante pilar desta política foi o Plano Marshall, que consistia em vasto programa de ajuda econômica para permitir a recuperação da Europa; foi rejeitada pelos países do Leste, subordinados à União Soviética.

A União Soviética respondeu à Doutrina Truman e ao Plano Marshall com a criação da nova Internacional Comunista (Cominform). Em 1948, entrou em vigor um plano para a unificação das zonas de ocupação britânica e norte-americana. A União Soviética respondeu dando os primeiros passos para a criação de um Estado alemão em sua área de ocupação. Os Estados Unidos, o Canadá e outros dez países da Europa Ocidental firmaram um acordo de defesa e ajuda mútua: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em 1951, na China, o governo de Chiang Kai-shek, que havia recebido apoio norte-americano, não conseguiu deter o avanço das tropas comunistas de Mao Tsé-tung, que proclamou a República Popular da China. Em 1950, Truman anunciou que os Estados Unidos interviriam para ajudar a Coréia do Sul, invadida por tropas do regime comunista do Norte. A ONU, em gesto sem precedentes, patrocinou a ação militar dos Estados Unidos. A Guerra da Coréia introduziu grandes modificações na sociedade americana, expressas em profunda psicose anticomunista. Em 1952, o Partido Republicano designou Dwight David Eisenhower e Richard Milhous Nixon como candidatos, respectivamente, à presidência e à vice-presidência. Eisenhower ganhou as eleições com facilidade. O assunto mais destacado da política nacional deste período foi a luta dos negros para pôr fim à segregação e para assegurar todos os seus direitos de cidadãos. Liderados pela Associação Nacional para o Desenvolvimento do Povo Negro, buscaram incessantemente o amparo dos tribunais; a integração racial foi lenta no Sul e muitos negros começaram a tomar parte ativa no movimento dos direitos civis. Em 1955, Martin Luther King liderou eficaz boicote que fez terminar a discriminação que a população negra sofria nos ônibus de Montgomery (Alabama). Este movimento contou com destacados dirigentes, como Ralph David Abernathy, organizados em grupos como o Congresso para a Igualdade Racial.

Outros adotaram posturas mais radicais e violentas, como Malcom X. Em 1959, o Alasca se transformou no 49º Estado da União e o Havaí, no 50º. John Foster Dulles, Secretário de Estado (encarregado da política exterior), optou por uma política mais dinâmica, de "represália massiva", contra Moscou ou Pequim, no caso de nova agressão comunista em qualquer parte do mundo. Uma das conquistas da política exterior de Eisenhower foi o acordo de armistício na guerra da Coréia (1957). Por outro lado, os Estados Unidos incrementaram sua ajuda econômica e militar à França na Indochina. Em 1954, foi criada a Organização do Tratado da Ásia do Sudeste (OTASE) e reforçaram-se os laços norte-americanos com a China Nacionalista (Taiwan). A colocação em órbita do primeiro satélite soviético, Sputnik 1, em 1957, provocou a imediata resposta norte-americana: em 1958, foi lançado ao espaço o satélite Explorer 1. Em 1º de maio de 1960, um avião de espionagem norte-americano foi derrubado no espaço aéreo soviético.

Duas semanas mais tarde, em uma reunião celebrada em Paris, Nikita Sergheievitch Kruschev exigiu que Eisenhower pedisse perdão pela violação do espaço aéreo soviético; diante da negativa, encerrou-se a conferência. Na América do Sul, o crescente ressentimento contra a política norte-americana fez-se evidente em Cuba, onde a revolução liderada por Fidel Castro, que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, terminou com o estabelecimento de um regime marxista-leninista em 1961. Em julho de 1960, ganhou as eleições o democrata John Fitzgerald Kennedy.

Os direitos civis constituíram o principal problema interno durante seu mandato. O procurador geral do Estado, Robert Kennedy, pressionou energicamente para que se pusesse fim à segregação racial nas escolas e para que se defendesse o direito de voto das minorias. Os negros e seus partidários brancos continuaram suas manifestações contra a discriminação. Na esfera exterior, Kennedy tentou aproximar-se do bloco comunista. Com a ajuda de seu Secretário de Defesa, Robert Strange McNamara, substituiu a política de “represália massiva” por outra de “resposta flexível”. Em abril de 1961, Kennedy autorizou o desembarque na baía dos Porcos, realizada por exilados anticastristas e que resultou em fracasso.

Enquanto as relações com a União Soviética melhoravam, a situação no Sudeste Asiático se deteriorava. A constante pressão do vietcongue, grupo nacionalista vietnamita dominado pelos comunistas, fez com que Kennedy aumentasse a ajuda militar ao governo de Ngo Dinh Diem. O presidente Kennedy foi assassinado em 1963, em Dallas (Texas), e foi sucedido pelo vice-presidente Lyndon Baines Johnson. Lee Harvey Oswald, suspeito do assassinato, foi detido quase imediatamente, mas houve numerosos rumores sobre uma possível conspiração. Em 1964, os democratas tiveram grande êxito eleitoral com Johnson, que conseguiu a presidência.

Durante esses anos aconteceram sérios distúrbios raciais em diversas cidades, devido ao crescimento da polarização racial. No que diz respeito à política exterior, a crise no Oriente Médio, que culminou com a guerra entre Israel e vários países árabes, em junho de 1967, deu lugar a intensas manobras diplomáticas que tiveram seu ápice na reunião entre Johnson e o primeiro ministro soviético Aleksei Kosiguin. Em resposta à ajuda soviética aos países árabes e a sua crescente influência no Mediterrâneo, os Estados Unidos incrementaram a ajuda militar a Israel. O principal problema de Johnson em política externa foi a Guerra do Vietnã. Durante o ano de 1964, o Congresso aprovou resolução que autorizava incrementar a participação militar no Sudeste Asiático. Em 1967, os Estados Unidos estavam bombardeando quase todo o Vietnã do Norte e havia enviado tropas ao Vietnã do Sul. Este aumento da intervenção norte-americana produziu grande debate nacional que se intensificou em 1968. Johnson anunciou a suspensão dos bombardeios sobre o Vietnã do Norte, a fim de iniciar conversações que pusessem fim à guerra.

O assassinato de Martin Luther King, em Memphis (Tennessee), em 1968, originou nova onda de distúrbios em Washington e outras cidades. Richard Nixon, candidato republicano à presidência, obteve a vitória apelando para a restauração da ordem social. Seu novo programa pretendia limitar o poder do governo federal e ajudar as autoridades estatais e locais a cumprir com suas responsabilidades. Durante sua presidência, aconteceu a primeira alunissagem, realizada pela tripulação da Apolo 11, em 20 de julho de 1969. A crescente rejeição à guerra do Vietnã por parte da população civil provocou numerosos protestos. Nixon declarou sua intenção de conter progressivamente a guerra mediante uma política de "vietnamização", que implicava a substituição de tropas norte-americanas por sul-vietnamitas, treinadas e equipadas pelos Estados Unidos.

Em 1973, assinou-se em Paris um acordo de cessar fogo, que permitiu a retirada das tropas estadunidenses. As relações com a União Soviética melhoraram. As conversações sobre Limitação de Armas Estratégicas, iniciadas em 1969, continuaram em 1972, durante a visita de Nixon a Moscou; foram assinados dois acordos com a União Soviética: um limitava o número de mísseis balísticos e o outro restringia os sistemas de lançamento de mísseis. O assessor de Nixon para segurança nacional, Henry A. Kissinger, viajou a Pequim para agendar um encontro entre Nixon e os dirigentes da República Popular da China, que aconteceu em 1972. Pouco depois de iniciar seu segundo mandato, em 1973, apareceram as revelações sobre o chamado caso Watergate. As investigações posteriores implicaram altos funcionários do governo de Nixon.

Os Estados Unidos tiveram que enfrentar uma crise política e econômica nos anos seguintes. O vice-presidente Agnew demitiu-se após acusações de suborno e evasão de impostos, sendo sucedido por Gerald Ford. A política de distensão entre os Estados Unidos e a União Soviética continuou. Leonid Brejnev e Nixon trocaram visitas em 1973 e 1974. A distensão passou por um retrocesso em 1973, quando explodiu novo conflito entre árabes e israelitas (ver Guerra do Yom Kippur). Não obstante, ambas as superpotências cooperaram para a consecução de um acordo de cessar fogo. Em 1974, diante das provas de sua participação no escândalo Watergate, Nixon renunciou. O vice-presidente Ford sucedeu-o. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia imposto, no inverno de 1973, um embargo de petróleo aos Estados Unidos e a outros países ocidentais, em resposta ao apoio que prestavam a Israel, o que provocou uma recessão da qual começou a recuperar-se em 1975.

Em 1976, Jimmy Carter foi eleito presidente. No âmbito da política exterior, o governo tentou estabelecer a paz no Oriente Médio; em 1978, Carter presidiu uma reunião em Camp David entre os dirigentes máximos do Egito e de Israel, cujo resultado foi um tratado de paz entre esses dois países, em 1979. Nesse ano, os Estados Unidos estabeleceram relações diplomáticas plenas com a República Popular da China e um grupo de revolucionários iranianos invadiu a embaixada dos Estados Unidos em Teerã; o Governo norte-americano negou-se a aceitar o pedido de extradição do xá Mohamed Pahlevi, feito pelos invasores, e ordenou o resgate dos reféns, que resultou em fracasso. No entanto, os Estados Unidos diminuíram suas relações comerciais com a União Soviética, em sinal de protesto pela invasão soviética ao Afganistão e se negou a ratificar o Tratado SALT II com a URSS. Nas eleições de 1980, o candidato republicano Ronald Reagan triunfou de forma arrasadora, aproveitando o desprestígio do presidente Carter, devido à crise dos reféns e à má situação econômica. O programa de Reagan estabelecia a redução de impostos e dos gastos públicos e o fortalecimento da defesa nacional; no entanto, durante os anos de 1981 e 1982, aconteceu uma grave recessão econômica.

Em política internacional, Reagan e seu secretário de Estado, Alexander Haig, abandonaram a política de distensão com a União Soviética e adotaram uma política de linha dura. Na América Central, Reagan apoiou as forças governamentais de El Salvador e apoiou a atividade guerrilheira contra o governo sandinista na Nicarágua. As relações com a União Soviética se deterioraram em 1983 e Reagan anunciou a Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como ”guerra nas estrelas”. Em 1984, os soviéticos haviam manifestado seu desejo de abrir novas conversações sobre controle de armamento e dois encontros reuniram Reagan e o dirigente soviético Mikhail Gorbatchov. Em abril, os Estados Unidos realizaram um bombardeio aéreo sobre a Líbia, em represália a ataques terroristas contra cidadãos americanos. George Bush, antigo vice-presidente com Reagan, foi o candidato republicano nas eleições presidenciais de 1988. Ao tomar posse do cargo, os principais desafios com que se deparou foram o déficit orçamentário e comercial e a ofensiva diplomática soviética na Europa.

Em dezembro de 1989, os Estados Unidos invadiram o Panamá, para derrubar o regime do general Manuel Antonio Noriega. Em 1991, soldados norte-americanos serviram com os aliados durante a Guerra do Golfo Pérsico e intervieram no norte do Iraque, para proteger os refugiados curdos das represálias do governo iraquiano. A diplomacia norte-americana concentrou-se em empenhar-se junto à União Soviética para alcançar a paz no Oriente Médio. Bill Clinton foi o candidato democrata nas eleições de 1992 e transformou-se no primeiro presidente democrata desde 1976. Bush, presidente em exercício, enviou 20.000 soldados norte-americanos à Somália, sob os auspícios da ONU, para manter a paz e colaborar na distribuição da ajuda humanitária, e assinou o Tratado START II, sobre desarmamento nuclear, com o presidente russo Boris Yeltsin, com o apoio de Clinton.

Clinton conseguiu que o Congresso ratificasse o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que estabelecia um plano de redução de tarifas e eliminação de outras barreiras alfandegárias entre os Estados Unidos da América, o México e o Canadá durante quinze anos. Entrou em vigor em 1º de janeiro de 1994. Em política internacional, Clinton foi criticado por sua indecisão, especialmente no caso do governo militar haitiano e da guerra civil da Bósnia. No primeiro caso, no entanto, conseguiu que as tropas norte-americanos restaurassem o poder civil do deposto presidente Jean-Bertrand Aristide. Na Bósnia, facilitou um acordo de paz entre as partes, assinado em novembro de 1995, em Dayton. Também presidiu a assinatura de um histórico acordo de paz entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), representados pelo primeiro ministro israelense, Yitzhak Rabin, e o líder da OLP, Yasser Arafat.

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