Geografia

Economia dos Estados Unidos

Desde o início do século XX, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar entre as maiores economias mundiais. Com um PIB em torno de 18 bilhões de dólares, está bem acima da segunda colocada, a China, com um PIB em torno de 11 bilhões.

A hegemonia econômica

Vários fatores contribuíram para que o sucesso da economia dos EUA desde a colonização: a ocupação não predatória durante a sua colonização (de povoamento), as grandes reservas naturais disponíveis, a formação de um amplo mercado consumidor interno e externo, o grande número de imigrantes que recebeu, importante produção científico-tecnológica e a influência político-econômica e militar sobre diversas regiões do mundo.

A participação americana nas duas grandes guerras mundiais também foi um fator importante, pois, durante esses períodos, foi o grande fornecedor de armas e suprimentos para os países beligerantes.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o acordo de Bretton Woods, o dólar americano passou a ter grande estabilidade e tornou-se a moeda de troca em nível internacional, fazendo com que muitos países tivessem interesse em estabelecer relações comerciais com o país a fim de captá-los para formar suas reservas cambiais.

Com isso, os EUA passaram a controlar diversos setores da economia internacional, inclusive em algumas delas exercendo forte controle monopolista através de suas empresas e instituições financeiras.

Atualmente, com o fim da Guerra Fria e a multipolarização das relações econômicas, o país recebe maior concorrência comercial dos países europeus e também do bloco asiático, especialmente Japão, China e Tigres Asiáticos.

Os setores econômicos dos EUA

Setor primário

No setor primário, destaque para uma agricultura mecanizada e altamente produtiva e rentável, utilizando-se da engenharia genética, fazendo do país o primeiro produtor mundial de produtos transgênicos.

A criação de animais é outro ponto forte com bovinos (de corte e leiteiro), suínos, aves e ovinos. Em relação aos recursos naturais, destaque para a pesca nas águas geladas do estado do Alasca, a silvicultura, o petróleo, o gás natural, o carvão mineral e o xisto.

A diversidade climática, geomorfológica, pedológica, o extenso território e a proximidade dos mercados consumidores explicam a existência de várias regiões agropecuárias especializadas, concentradas a leste do meridiano de 100 graus, e são denominadas belts (cinturões).

Mapa das belts americanas.
Os belts americanos.

Setor secundário

O setor industrial de tecnologia de ponta é muito forte, principalmente no estado da Califórnia. As indústrias automobilísticas, química, alimentícia, têxtil, entre outras, também se destacam.

A industrialização tradicional:

A maior concentração industrial do mundo abrange a costa nordeste do Atlântico e as áreas que bordejam os Grandes Lagos – as grandes siderúrgicas, as montadoras de veículos, as indústrias químicas e uma grande variedade de indústrias de bens de consumo estão concentradas na região.

A colonização de povoamento, os recursos minerais, a disponibilidade energética, os transportes (Grandes Lagos – rio São Lourenço) e os mercados consumidores explicam a grande concentração industrial.

A industrialização recente:

As jazidas de petróleo e o gás natural no golfo do México e na Califórnia, a expansão econômica japonesa e da sua periferia, ampliando a importância comercial da Bacia do Pacífico, a descentralização da indústria bélica e a produção científica e tecnológica foram fundamentais para a ascensão de novas áreas industriais no sul e no oeste, no chamado sun belt.

No estado da Califórnia, a mão-de-obra altamente qualificada e os volumosos investimentos de capital permitiram o surgimento de vários ramos industriais, tais como: eletrônico, de informática, de biotecnologia, bélico e aeroespacial. Na região de San Francisco, o grande destaque é o vale do Silício com uma enorme concentração de empresas de tecnologia de informação (produtos de alto valor agregado).

Mapa com a industrialização dos Estados Unidos.
A distribuição espacial da indústria estadunidense apresenta uma forte ligação com a história econômica: NE – industrialização tradicional e sun belt – industrialização recente.

Setor terciário

No setor terciário, surge o turismo, importante motor econômico dos EUA, já que o país é muito procurado, principalmente Nova York, Miami, Orlando, Washington DC, Los Angeles, São Francisco, New Orleans, Las Vegas, Chicago, Boston, além do estado do Havaí. O sistema de transportes é de boa qualidade – rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos.

O setor de finanças tem relevância pelos bancos, sistema imobiliário e as bolsas de valores localizadas em Nova York: New York Stock Exchange – NYSE (aberta em 1817, em Wall Street) com capitalização atual de mercado acima de US$ 10 trilhões e a Nasdaq (criada em 1971 e que, a partir da década de 2000, passou negociar ações do setor de alta tecnologia, como software, biotecnologia etc.) com capitalização atual de mercado acima de US$ 4 trilhões.

As regiões geoeconômicas dos EUA

Nordeste

O nordeste é a principal concentração urbano-industrial do país, com presença das megalópoles Bos-Wash e Chi-Pitts.

O Manufacturing Belt apresenta industrialização antiga, utilizando-se do sistema fordista. A descentralização industrial em direção ao sul e oeste, apelidou a área de Rust Belt (Cinturão da Ferrugem). Exploração de minério de ferro na região do Lago Superior (Grandes Lagos) e de carvão mineral nos Apalaches.

No setor agropecuário, importantes cinturões, como o de hortifrutigranjeiros – Green Belt e o da pecuária leiteira – Dairy Belt.

O turismo é outra importante atividade econômica da região, destacando a atuação de Nova York.

Sul e sudeste

O sul e sudeste apresentam grande importância econômica em relação ao setor industrial com a presença do Sun Belt – setor aeroespacial em Houston no Texas.

A agropecuária apresenta criação de bovinos de corte, Texas, e produções condicionadas pelo clima com temperaturas elevadas – culturas tropicais como o algodão – Cotton Belt, cana, cítricos – Fruit Belt, destaque para a laranja.

Exploração de petróleo no Golfo do México e Texas, que levou ao desenvolvimento dos setores petrolífero e petroquímico.

O turismo destaca-se como importante fonte de renda da Flórida.

Meio-oeste

O meio-oeste apresenta-se como a principal área agrícola do país – planície central, solos férteis, bacia Mississipi-Missouri, clima favorável e pradarias, que favoreceram o desenvolvimento dos cinturões do trigo – Wheat Belt e do milho – Corn Belt. Forte presença da agroindústria.

Oeste

O oeste apresenta relevo montanhoso – Montanhas Rochosas e os climas árido e semiárido, além do grande potencial hidrelétrico das bacias dos rios Colorado e Colúmbia.

O setor pecuarista destaca-se com a criação extensiva de bovinos de corte, além de ovinos e equinos, formando o Ranching Belt, que se desenvolveu na região graças à presença de estepes e pradarias.

A extração de ouro, cobre, zinco, urânio, carvão mineral e petróleo também exercem grande importância econômica.

Costa oeste

A costa oeste apresenta o Sun Belt, destacando a Califórnia, pela presença de setores de alta tecnologia (informática, aeroespacial, microeletrônica etc.) no Silicon Valley (Vale do Silício) e pelo “Pomar do Mundo” – fruticultura irrigada (sistema denominado de dry farming).

Os setores da indústria petrolífera e cinematográfica também se destacam. No aspecto urbano-industrial, ênfase para a Megalópole San-San.

Mapa dos Estados Unidos dividido em regiões econômicas.
Regiões geoeconômicas dos EUA

Referências

  • ARAUJO, Regina; MAGNOLI, Demétrio. Projeto de ensino de geografia. São Paulo: Moderna, 2000.
  • GEORGE, Pierre. Geografia dos Estados Unidos. Campinas: Papirus,1990.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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