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Proclamação da República

Depois da Independência, o acontecimento político mais importante do Brasil foi a proclamação da República, em 1889. O regime republicano veio atender às transformações socioeconômicas do país nas últimas décadas do século XIX.

A crise da monarquia

A monarquia brasileira entrou em crise ao longo das décadas de 1870 e 1880, em razão das mudanças estruturais que ocorreram nesse período no Brasil. O regime monárquico tomou-se incapaz de atender às novas demandas nacionais.

Alguns dos principais problemas que colaboraram para essa crise foram:

  • a questão religiosa: interferência de dom Pedro II nos assuntos religiosos;
  • a questão militar: críticas ao governo feitas por militares;
  • a questão social: abolicionismo e aspiração das classes médias urbanas por liberdade e maior participação política;
  • a questão política: oposição de setores da nova elite agrária brasileira à monarquia e desejo de maior poder político pela via republicana e pelo federalismo.

Com a proibição do tráfico de escravos pela Inglaterra em 1850, o imperador se viu em situação difícil, pois isso prejudicava os proprietários de terra, e não se poderia mudar rapidamente o modelo econômico para uma adequação às exigências externas, já que o país era basicamente agrícola. As elites agrárias, descontentes com as medidas antitráfico, assumiram oposição ao Império.

Outro fator decisivo para a proclamação foi a Guerra do Paraguai. Os militares passaram a exigir privilégios e poder de decisão nos rumos políticos do Império, o que não aconteceu. Ao mesmo tempo, as ideias positivistas passaram a circular nesse meio, combatendo a monarquia.

Proclamação da república
A proclamação da república ocorreu em 15 de novembro de 1889.

O golpe republicano e a proclamação da República

A propagação dos ideais republicanos se intensificou a partir da década de 1870, com o lançamento de jornais e a publicação do Manifesto Republicano.

Em 1873, na Convenção de Itu, políticos e fazendeiros de café fundaram o Partido Republicano Paulista. Entre os militares, ganhava força a ideia de uma República centralizada, conforme as teses do positivismo defendidas pelo coronel Benjamin Constant. O marechal Deodoro da Fonseca, que havia lutado nas guerras do Prata e do Paraguai, ganhou prestígio no exército e acabou liderando o movimento republicano entre os militares.

Os republicanos alinhavam-se a duas tendências principais: havia os reformistas – denominados evolucionistas, que propunham a mudança gradual pela via política e os revolucionários, para os quais a República deveria ser conquistada a qualquer custo, até mesmo pelas armas.

Quadro da proclamação da República
Proclamação da República, quadro de Benedito Calixto (1893).

Numa tentativa de contornar as dificuldades que a monarquia enfrentava, o visconde de Ouro Preto – chefe de gabinete do Império – propôs reformas como a concessão de autonomia para as províncias, a liberdade de voto e o fim do mandato vitalício para os senadores. Tais medidas, porém, vieram tardiamente.

O movimento para a derrubada da monarquia teve início em 14 de novembro de 1889, quando os oficiais republicanos espalharam o boato de que havia uma ordem de prisão contra Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Conclamado a liderar o movimento, o marechal Deodoro resistiu, devido a sua amizade pessoal com dom Pedro II. Porém, acabou por ceder e incitar as forças contrárias à monarquia.

Em reação, o visconde de Ouro Preto ordenou ao general Floriano Peixoto que prendesse os responsáveis pelos acontecimentos. Em vez de atender à ordem, porém, o general deu voz de prisão ao próprio visconde de Ouro Preto.

No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório. Assim como ocorrera na proclamação da Independência, em 1822, o povo ficou à margem do movimento, liderado pelas elites civis e militares.

Por: Pedro Augusto Rezende Rodrigues

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