História do Brasil

República Velha

É o período histórico brasileiro que tem como inicio a Proclamação da Republica, em 15 de novembro de 1889, até a Revolução de 30, que depôs o 13° Presidente da Republica Velha, Washington Luis

A República Velha é compreendida também pelo fato de Mineiros e Paulistas revezarem o cargo de Presidência movido aos interesses políticos e econômicos de seus estados.

Primeiramente o Presidente foi Marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a República em 15 de novembro de 1889, exercendo o “Governo Provisório”.

Este governo teve como principal característica o fim da mediação da Igreja nos interesses políticos do País, separando assim a Instituição Igreja Católica do Estado Brasileiro. Deu fim, também, ao Padroado (um acordo entre a Coroa Portuguesa e a Igreja em que a Instituição tinha poderes espirituais em territórios lusitanos, e a Coroa tinha controle na nomeação de eclesiásticos). Além de tornar o casamento um registro civil obrigatório.


Uma das medidas tomadas pelo governo provisório foi a criação de uma nova bandeira, adotada de 15 a 19 de novembro de 1889.

Deodoro da Fonseca buscou também resolver os problemas econômicos que o Brasil se encontrava. Optou pela continuidade do processo de liberação da economia, apelidada de “encilhamento”. Esta política foi marcada por permitir o crédito livre às indústrias e assim permita também que os bancos emitissem moeda sem qualquer exigência. Essa política acabou desencadeando uma grande inflação.

Em 1891, o Congresso Nacional exibiu a Primeira Constituição da República, baseada no texto Constitucional dos Estados Unidos. Dentre essas leis estava o rompimento com o governo monárquico, a divisão de três poderes independentes (Legislativo, Executivo e Judiciário), a alternância da Presidência através de eleições diretas (todos os homens com mais de 21 anos e letrados eram obrigados a votar) e um conjunto de leis com a finalidade de reduzir o poder do Presidente da Republica.

Após tais medidas Marechal Deodoro declarou um estado de sítio e tentou dar um Golpe de Estado. Tentativa fracassada pelo fato de ter resistências espalhadas por todo Brasil.

Após uma facção de militares contrários ao governo do Marechal apontar canhões para o Rio de Janeiro, Deodoro renuncia o cargo de Presidente deixando Floriano Peixoto, seu vice-presidente, em seu lugar.

Presidentes da República Velha e os Acontecimentos:

Prudente de Morais (1894-1898)

Prudente de MoraesEleito pelo voto direto em 1894, foi o primeiro presidente civil da República Velha. Denominado o “Pacificador da República”, con­cedeu anistia aos envolvidos nas revoltas ocorridas contra o gover­no de Floriano Peixoto. Contudo, o seu governo conheceu forte oposição dos florianistas, respon­sáveis por vários levantes e agita­ções.

O principal acontecimento de seu quadriênio foi a Guerra de Canudos desenvol­vida entre 1896 e 1897, no interior da Bahia.

Campos Sales (1898-1902)

Mesmo antes de ser eleito, na condição de ministro da Fazenda do governo anterior, Campos Sales foi o res­ponsável pelas negociações com os credores externos que resulta­riam no Funding Loan. No seu mandato, Joaquim Murtinho, ministro da Fazenda, iniciou o saneamento financeiro da Re­pública, encetando uma política deflacionista, visando ao equilíbrio orçamentário e à valorização da moeda. Para isso empregou medidas austeras destinadas a aumentar a receita, destacando-se entre elas a maior incidência do imposto de consumo, o aumento dos impostos aduaneiros e da taxa-ouro sobre importações, redução das despesas governamentais e limitação do crédito.

No plano político, criou a Política dos Governadores e a Política do Café-com-Leite, assegurando o domínio político das oligarquias estaduais e o controle da nação pela oligarquia cafeeira.

Rodrigues Alves (1902-1906)

Presidente Rodrigues Alves

No governo conhecido como Quadriênio Progressista, devi­do à excelente administração, remodelou-se os portos, ampliou-se a rede ferroviária e desenvolveu-se obras de urbani­zação e modernização da cidade do Rio de Janeiro.

Destaque para a Campanha de Saneamento dirigida por Osvaldo Cruz, contra a febre amarela e outras doenças. Como a vacinação era obrigatória, provocou descon­tentamento popular, o que fez eclodir a Revolta da Vacina (1904).

Afonso Pena (1906-1909)

Foi o primeiro mineiro a exer­cer a Presidência da República, dentro da alternância da Política do Café-com-Leite. Adotando o lema “Governar é povoar”, Afonso Pena foi um estimulador da imigração; em 1908, chega­ram ao Brasil os primeiros imi­grantes japoneses.

Nilo Peçanha (1909-1910)

O principal acontecimento foi a primeira eleição competitiva da República Velha, por causa da primeira ruptura do Café-com-Leite. No qual concorreram o marechal Hermes da Fonseca, apoiado por Minas Gerais, e Rui Barbosa, candidato da oposição que congre­gava os Estados de São Paulo e da Bahia. Barbosa foi derrotado pelo candidato do governo.

Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914)

Eleito com 403.867 votos con­tra os 222.822 de Rui Barbosa, seu governo foi conturbado, com as constantes decretações de es­tado de sítio.

Numa tentativa de rompimento da Política dos Governadores, promoveu a Política das Salvações. Com isso, marcou a eclosão de movimentos de rebeldia contra a nova política presidencial. Entre eles, a Revolta do Juazeiroi e em novembro de 1910,  a Revolta da Chiba­ta.

No quadriênio Hermes da Fonseca, devem ser regis­tradas ainda a queda nas exportações de café e borracha, levando o país a uma crise econômica, e uma nova rene­gociação da dívida externa: o segundo Funding Loan.

Wenceslau Brás (1914-1918)

Venceslau BrásMais um pre­sidente eleito pelo Café-com-Leite, sem o apoio esperado, Rui Barbosa, novamente, reti­rou sua candidatura. Foi marcado pela Primeira Guerra Mundial (na qual o Brasil participou ao lado dos Aliados), aumentaram as exportações de matérias-primas e alimentos e ocorreu um surto indus­trial.

Com a inibição das importações, permi­tiu ao Brasil criar novas indústrias, o que estimulou a produção nacional e especializou muitos operários. Mas fez também que eclodissem várias greves, como a de 1917 em São Paulo.

Houve o surgimento de novas indústrias e a reorganização das já existentes: São Paulo passa a ter mais indústrias que o Rio de Janeiro. Também ocorreu em seu governo a Guerra do Contestado.

Delfim Moreira (1919)

Era o vice-presidente de Rodri­gues Alves, candidato vitorioso na sucessão a Wenceslau Brás. Embora eleito presidente pela se­gunda vez, Rodrigues Alves, víti­ma da gripe espanhola, faleceu antes de tomar posse.

Cumprindo o disposto pelo ar­tigo 42 da Constituição de 1891. Delfim Moreira governou apenas alguns meses e convocou novas eleições.

Epitácio Pessoa (1919-1922)

Participou da Conferência de Paz de Paris, após a Primeira Grande Guerra. Quis afastar os militares da vida política do país e colocou civis nas pastas militares, porém a oposição dos militares provocou o surgimento do Movimento Tenentista (Tenentismo).

Artur Bernardes (1922-1926)

Presidente Artur Bernardes

O novo presidente recebia um país em crise, com constantes rebeliões, em virtude das agitações militares e em crise eco­nômica aberta com o fim da Grande Guerra. Artur Bernardes teve seu governo foi marcado pela decretação do estado de sítio.

Em São Paulo, a Revolu­ção de 1924, chegou a ocupar a capital do Estado. No Rio Grande do Sul, em 1924, a Coluna Prestes iniciou uma longa marcha pelo interior do País, que duraria até 1927, em permanente luta contra as forças governistas.

Em 1926 ocorreu a reforma da constituição federal que estabeleceu a limitação do habeas-corpus, o veto presidencial e ampliou os limites de intervenção no estado. O problema do café foi transferido para os estados, criou-se, por exemplo, o Instituo do Café do Estado de São Paulo.

Washington Luís (1926-1930)

O último presidente da Re­pública Velha teve como lema: “Governar é abrir estradas”. Tornou-se um presidente popular passeando a pé pela avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.

Suspendeu o estado de sítio, mas não decretou a anistia, embora tenha dado liberdade a pre­sos civis e militares, desde os governos anteriores. Perseguiu a forças de esquerda, apoiadas pelos comunistas e promulgou a Lei Celerada de 1927, sendo esta um eficiente instrumento de repressão gover­nista.

Teve o governo marcado pela crise de 1929, rompeu com a política do Café-com-Leite e acabou com a Política dos Governadores, o que jogou por terra o esquema oligárquico.

Devido ao seu enfrentamento, Washinton Luís foi deposto pela revolução de 1930, com Getúlio Vargas sendo apoiado pelas forças oposicionistas, a qual pôs fim à República Velha.

Fonte:

  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Velha#Deodoro_da_Fonseca
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Encilhamento
  • http://www.culturabrasil.org/republicavelha.htm

Por: Pedro Augusto Rezende Rodrigues

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