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Crise dos mísseis em Cuba

O fim da primeira fase da Guerra Fria é assinalado com a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. John Kennedy anunciou o fim da crise dos mísseis em Cuba, que ameaçou transformar em atômica a Guerra Fria entre União Soviética e Estados Unidos. A crise começou quando espiões americanos detectaram na ilha, por meio de fotos aéreas, a presença de mísseis soviéticos apontados para os Estados Unidos. A instalação das bases de lançamento foi feita por solicitação de Cuba, que queria afastar qualquer tentativa de invasão do país, como a ocorrida no ano passado na Baía dos Porcos, que contou com a ajuda dos Estados Unidos. Os americanos reagiram anunciando o bloqueio naval a Cuba. A decisão contou com o apoio do Brasil, que votou favoravelmente à medida na reunião da OEA. O governo brasileiro, no entanto, foi categórico ao se negar a atender a outro pedido de Kennedy, que queria o apoio do país a uma eventual ação armada, com participação de tropas brasileiras. "Os princípios de não intervenção e da defesa do direito de autodeterminação, que norteiam a política exterior brasileira, não serão alterados em conseqüência dos acontecimentos que no mundo se desenrolam", afirmou o presidente João Goulart. Depois de muita negociação, os soviéticos concordaram em retirar os mísseis em troca da garantia americana de não invadir a ilha e de retirar mísseis da Turquia apontados para a União Soviética.

A crise dos mísseis de Cuba foi o grande evento do governo Kennedy. A pequena ilha do Caribe estava atravessada na garganta de JFK desde abril de 1961. Nessa data, uma brigada de 1400 refugiados cubanos apoiados pela CIA desembarcou na Baía dos Porcos para tentar derrubar Fidel Castro. A desorganização do golpe, aliado à retirada de apoio aéreo - ordenada pelo próprio JFK - resultou na morte de 112 invasores e na prisão do restante. Foi um desastre completo.

Em meio a planos mirabolantes para assassinar o líder cubano, os americanos descobriram através dos vôos do avião de espionagem U-2, que bases para lançamento de mísseis balísticos estavam sendo montados em Cuba. Os treze dias que deram o título ao filme eram o período entre a descoberta e o tempo em que ficariam operacionais. Pela versão oficial, Kennedy impôs um bloqueio naval em Cuba e forçou os russos a retirarem os mísseis. Aplausos homéricos.

A história por baixo do pano é um pouco diferente. Mesmo numa época de corrida armamentista, o poderio militar soviético era muito inferior ao americano. Para se ter uma idéia, enquanto os Estados Unidos tinham trezentos lançadores de mísseis, os russos teriam no máximo quarenta e quatro - já contando com os de Cuba.

No seu ódio irracional para com os cubanos, Kennedy bravateava numa posição de valentão, enquanto corria desesperadamente junto com o irmão Bob para uma solução negociada. Para isso utilizaram até os serviços de um agente da KGB, passando os canais diplomáticos formais.

Ninguém queria uma guerra nuclear, mas acima de tudo, Kennedy queria a reeleição. Por isso, mesmo tendo feito um acordo com Khrushchev, o líder da União Soviética, manteve a propaganda de valentão do mundo. Pelo acordo, os mísseis soviéticos seriam retirados de Cuba em troca de mísseis americanos na Turquia e - o mais importante - a garantia de que a ilha de Fidel jamais sofreria uma invasão dos Estados Unidos. Os cubanos foram os grandes vencedores da crise dos mísseis.

Para o mundo, o que se via era a véspera de um holocausto nuclear. A frota do Comando Aéreo Estratégico, com mais de mil e quatrocentos bombardeiros B-52 e B-47, além de 174 mísseis balísticos intercontinentais entrou em DEFCON 2, que é o último estágio antes da guerra total. Mais de cem mil homens foram posicionados na Costa Leste, enquanto que uma força naval com quarenta mil fuzileiros navegava no Caribe e Atlântico Sul. Enquanto isso, do lado soviético não havia nenhuma atividade que não fosse de rotina.

Como os Kennedy pretendiam se manter pelo menos mais dez anos no poder (com uma reeleição de John e depois a dobradinha Bob-John), é possível que os soviéticos tenham preferido deixar os americanos saboreando uma vitória falsa, e ficar com informações que praticamente manteriam os Kennedy em suas mãos. Só a morte de John desfez tanto as ambições dos Kennedy como a possível ameaça russa.

Em toda a Guerra Fria, o perigo de um conflito nuclear não esteve tão iminente como em outubro de 1962. A União Soviética havia enviado 24 foguetes soviéticos secretamente para Cuba. O presidente norte-americano John Kennedy declarou tratar-se de uma ameaça inaceitável à segurança dos Estados Unidos e anunciou, como represália, o bloqueio de Cuba. O apoio unânime veio da América Latina e dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Por seu lado, o governo soviético alegava que a presença de mísseis nucleares norte-americanos na Turquia ameaçava o Kremlin. Nestes dramáticos momentos de tensão entre as duas superpotências, demorou 18 horas para que as notícias oficiais entre Washington e Moscou cruzassem o oceano, sempre indiretamente, através de suas embaixadas.

O conflito armado foi impedido pela União Soviética, que retrocedeu na instalação dos mísseis, depois da promessa norte-americana de não invadir Cuba. Os graves problemas de comunicação foram solucionados com uma "linha direta" entre o chefe de Estado e de Partido soviético Nikita Kruchev e o presidente norte-americano John Kennedy, em 20 de junho de 1963, durante a Conferência pelo Desarmamento.

Através de dois cabos exclusivos de telégrafo, o chefe de Estado e de Partido da União Soviética e o presidente dos Estados Unidos poderiam trocar mensagens diretas. Os líderes dos governos determinaram que a decisão política teria que prevalecer sobre a militar.

Já algum tempo a liderança soviética vinha acenando com a idéia da "coexistência pacífica". O processo de distensão iniciado em fins de 1962 durou aproximadamente dez anos, em benefício não só dos Estados Unidos e da União Soviética, como também da Europa e dos países em desenvolvimento.



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