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Luís XIV - O Verdadeiro Rei Absoluto

O Antigo Regime da Idade Moderna compõe-se dos seguintes elementos: capitalismo comercial, politica mercantilista, sistema colonial, sociedade estamental, Estado absolutista, intolerância religiosa e laicização cultural.

O absolutismo com o seu soberano autocrático caracteriza esse conjunto e até mesmo o simboliza. Não se trata de um simples Estado de transição entre o Estado feudal e o Estado burguês emergente da Revolução Francesa do século XVII.

Luís XIV era o protótipo do conceito de Absolutismo: comandar sem nenhuma limitação imposta pela constituição ou pela legislação, definindo a sua posição com as palavras: “Eu sou o Estado (l’etat c’est moi)”.


Processo de centralização do poder

O processo de centralização e absolutização do poder apresentou três momentos bem demarcados: uma etapa feudal, em que os reis se esforçaram para se destacarem dos vassalos; uma etapa moderna, do século XV ao XVI, em que os reis procuram criar as suas próprias instituições (Conselhos, corpo de funcionários, exércitos); e uma etapa de consolidação, séculos XVI a XVIII, em que a racionalização e a burocratização atingiram o apogeu e definiram a forma moderna do Estado.

A França foi o modelo mas acabado de absolutização do poder. O Estado avançou devido à crise da Baixa Idade média: as revoluções camponesas e urbanas punham as classes dominantes em xeque e criavam obstáculos ao próprio desenvolvimento económico. O Estado forte continha as rebeliões e dinamizava a expansão comercial, promovendo a retomada do desenvolvimento económico.

A teoria do poder absoluto apresentava o rei como representante de Deus na Terra, defensor da Igreja e da pátria, protector das artes, legislador e representante do Estado, cujos interesses estavam acima dos interesses particulares. Em França, o rei era sagrado em Reims, como um bispo. Os súbditos deviam-lhe obediência como a Deus, o rei encarnava a nação, era a lei viva e a fonte de justiça, o rígido cerimonial da corte correspondia a um culto da monarquia. Durante o século XVI poder real progrediu sempre e de uma maneira vagarosa na França. As guerras religiosas do fim do século XVI e princípio do século XVII apenas retardaram o avanço, mas na segunda metade do século XVII com Luís XIV o absolutismo estava totalmente configurado. Por volta de 1520 apareceram em Paris os primeiros os primeiros protestantes, burgueses, nobres, uns atraídos pelo reformismo, outros irritados com os aumentos das prerrogativas do rei, convertendo-se ao novo culto, essa oposição à centralização e ao avanço do poder real deu à luta religiosa na França indisfarçável carácter político. A situação complicou quando Carlos IX subiu ao trono enquanto ainda era criança, sob regência da rainha, Catarina de Médici, em 1570 pelo Edito de Saint-Germain, ela concedeu aos protestantes o direito de celebrar o seu culto em pelo menos duas cidades e de dispor de quatro praças-fortes, entre as quais La Rochelle, considerada a capital da França huguenote, com o casamento de um príncipe da casa real de Bourbon com a rainha do Reino de Navarra, os protestantes tiveram condições de ver chegar ao trono o herdeiro Henrique de Navarra, educado do protestantismo. Morto Carlos IX, o seu irmão Henrique III sucedeu-lhe tendo começado com este a Guerra dos Três Henriques. Em 1589 Henrique III foi assassinado, tendo-lhe sucedido Henrique de Navarra, que assumiu o poder como Henrique IV depois de repudiar o protestantismo com uma expressão que entrou para a Historia: “Paris bem vale uma missa”.

Em 1610 um fanático assassinou Henrique IV, tendo sido Luís XIII o seu sucessor, que no início do seu reinado teve a sua mãe como regente, Maria de Médici, tendo delegado tarefas reais ao cardeal Richelieu, que para fortalecer o poder real decidiu novamente combater os protestantes. A perseguição terminou com a tomada da fortaleza de La Rochelle, onde os protestantes se tinham refugiado, tendo estes perdido os seus direitos políticos e militares, apenas fora conservada a liberdade de culto. Richelieu opôs-se à nobreza e criou os intendentes, funcionários que fiscalizavam as províncias. Externamente procurou aumentar o poderio francês e chegou a intervir na Guerra dos Trinta Anos (1618 – 1648) garantindo assim os interesses de França na Europa. Richelieu morreu em 1642, e Luís XIII morreu no ano seguinte.

Ao trono subiu Luís XIV, sob regência da rainha Ana de Aústria e do cardeal Mazzarino, o qual governou até 1661. Os aumentos dos impostos revoltaram a burguesia e a nobreza que se uniram nas chamadas frondas, estas revoltas diminuíram o poder real e desorganizaram a França.


Luís XIV, O Rei Sol (1638 – 1715)

Luís XIV, O Rei Sol, rei de França que governou desde 1643 até 1715, nasceu a 5 de Setembro de 1638 em Saint-Geramin-en-Laye e faleceu a 1 de Setembro de 1715 em Versailles, símbolo da monarquia absolutista. Luís XIV provocou uma série de guerras entre 1667 e 1697 a fim de expandir as fronteiras da França para o Leste, onde se apropriou de terras do Sacro Império Germânico, isto para assegurar o trono espanhol para o seu neto.

Filho de Luís XIII e Ana de Aústria sucedeu ao seu pai em Maio de 1643, com apenas quatro anos e oito meses, desde então saudado como uma “divindade visível”. Cresceu entre amas e criados, por cujo descuido quase morreu afogado numa piscina. Tinha nove anos quando em 1648 os nobres e a corte de justiça de Paris se insurgiram contra o Primeiro-ministro, o Cardeal Joules Mazarin e contra a coroa, foi então que começou uma longa guerra civil, conhecida como “La Fonde, período em que a família real passou severas privações e humilhações. Somente em 1653, Mazarin, dominou o movimento e então montou um grande um grande aparato real centralizado no jovem príncipe.

Apesar de coroado Rei em 1643, Luís XIV não diminuiu os poderes de Mazarin, a quem devia praticamente toda a sua educação e formação cultural. Uma velha guerra contra a Espanha, iniciada em 1635, estava a terminar, ora isto era favorável à França, pois esta passava a ser potência europeia. O rei de França deveria ser um soldado, assim Luís XIV passou por um treino num campo de batalha. Para ratificar e dar mais valor ao tratado de paz com a Espanha, Luís XIV, apesar de estar apaixonado há alguns anos pela sobrinha de Mazarin, Marie Mancini, casou em 1660 com Marie-Thérèse da Aústria, filha do rei espanhol, contra a sua vontade, tendo anotado no seu diário: “Exercendo uma tarefa totalmente divina aqui na terra, precisamos parecer incapazes de perturbações que possam compromete-la”.

Para o rei, que se via a si mesmo como representante de Deus na Terra, qualquer desobediência ou rebeldia seria considerada pecado, a sua fé absoluta na divindade da sua missão fizeram com que comunicasse aos seus ministros, após a morte de Mazarin em Março de 1661, que a partir daquela em diante governaria sozinho, pois acreditava que ainda conseguia ter mais poder nos domínios franceses que o próprio Papa. Teve ministros para executarem as suas ordens, entre os quais se encontrava o mais inteligente entre todos os outros ministros: Jean-Baptiste Colbert, Marquês de Louvois. Este dedicou-se à sua tarefa de governo todas as horas do dia durante 54 anos, sem que qualquer detalhe escapasse à sua atenção, desde a etiqueta e o cerimonial na Corte, a diplomacia e o movimento das tropas, até ás disputas teológicas sobre os seus poderes em rivalidade com os do Papa, Colbert ajudou o rei, supervisionando as construções dos palácios, portos, estradas e canais, e descobrindo fontes de recursos, principalmente procurando aumentar as exportações de produtos franceses, ajudado até mesmo pela pirataria nos mares e assaltos ás colónias portuguesas e espanholas, inclusive o Brasil.

Manobrando com os atrativos e o prestígio da corte, o rei entretinha os nobres que haviam infligido tanto sofrimento à sua família, corrompendo-os com favores, entretendo-os com festas e jogos no palácio, e enviando-os em missões sem propósito e conferindo-lhes títulos e cargos vazios; enfraquecendo a nobreza, o rei também corrompeu e enfraqueceu o próprio país, tornou-se o protector das artes, o que lhe permitia utiliza-la como instrumento político, o que Rousseau haveria de denunciar mais tarde, foi protector de Moliére e de Jean Racine, aos quais ordenou que lhe cantassem louvores, e favoreceu escultores erguendo grandes monumentos, mandou construir novos palácios em Saint-Germain, em Marly e Versailles, a um tal preço que foi acusado de haver arruinado a nação. No clímax do seu reinado, França parecia uma festa ímpar diante de uma Europa admirada e desejosa de imitar o seu fausto e brilho cultural, ao mesmo tempo o rei mantinha estonteante a sua vida de entretenimento e amores na corte, principalmente um tumultuado romance com Louise de La Valliére. Como aliado da Espanha, invadiu os Países Baixos espanhóis em 1667, que ele considerava herança da sua mulher, que era espanhola, uma guerra que não foi fácil e que o levou a admitir ao morrer que gostava demasiado de fazer guerras.

Um novo e sério conflito surgiu em 1700 quando morreu Carlos II, da Espanha, abrindo dupla possibilidade de sucessão, tanto pela linhagem do imperador germânico Leopoldo I, como também pela descendência de Luís XIV a sua esposa espanhola, Luís pretendia o trono para o seu neto Filipe, que depois da vitória francesa, veio a ser Filipe V, de Espanha. Evitou que o trono espanhol ficasse com o pretendente germânico, o que teria deixado a França sitiada por países inimigos. A guerra no entanto foi longa e difícil para os franceses, pois a França esteve em risco de “falência” total. Os tratados de Utrecht, Rastat e Baden, foram assinados em 1713-14, com grande prejuízo para o prestígio da França no continente. No plano privado, o rei sofreu a perda quase simultânea do seu filho, o Grande Delfim, dois netos, e os duques de Bourgogne e Berry.


Heranças de Luís XIV

Compor musica, pintar, compor poemas, tocar um instrumento musical, interpretar uma personagem, escrever um roteiro de cinema, dirigir um roteiro, desenhar e costurar um figurino, dançar – diversas são as formas de “escape” das emoções e dos pensamentos humanos. A dança é em primeira instância a transmissão dos sentimentos através da expressão do corpo humano. É o estado de “ser”, dança-se até sem música, sem figurino adequado, sozinho, na chuva – as condições externas (som, luz, palco) podem intervir num espectáculo que possui começo, meio e fim, contudo, na realidade a essência da dança vem da alma, sem começo, meio e fim. Tudo isso por ser movimento e sendo movimento é vida, os movimentos permanecem no inconsciente. Até menos no bale de reportório, aqueles com coreografias montadas que vêm sendo representados por diversos bailarinos, a musica instiga certos movimentos da alma, mas cada alma, cada bailarino interpreta a coreografia e a musica de uma maneira muito particular. Duas bailarinas, ou dois bailarinos podem dançar a mesma música, na mesma coreografia, de formas completamente distintas.

O terceiro estágio evolutivo alcançado pela dança foi o surgimento do espectáculo, de carácter sagrado ou profano. Nesse momento, toda a preocupação estava voltada para o publico e o grande desafio sempre foi o de transmitir os sentimentos através de uma coreografia. Avançando-se na história, ao abordar-mos a arte coreográfica, inevitavelmente falaremos da França do Rei Sol. A essência do bale clássico surgiu com o Rei Sol. Talvez, muito do perfeccionismo e das linhas clássicas e herméticas do bale tenham um partido involuntariamente do estilo de Luís XIV.

Luís XIV foi consagrado politicamente por gerar a monarquia absoluta de origem divina por fazer triunfar uma unidade religiosa na França e por lançar a ideia de progresso e espírito crítico. Admirado até por seus inimigos, Luís XIV ousava por confiar na sua inteligência superior e por regrar os seus actos pelo amor à glória. Ele transformara o campo de caça de Luís XIII no glorioso palácio de Versailles, onde passou a morar no início do seu reinado. Toda a decoração fora criada por ele e para ele. A ideia de levar consigo toda a corte francesa tinha o objectivo intrínseco o de domesticar e o de agradar através de uma politica de troca de favores e pagamento de pensões aos cortesãos. Desta forma, afastou-se da massa e manipulou influências, impossibilitando qualquer acto de revolta popular. Foi com ele que surgiram as cerimónias e os rituais que hoje denominamos “etiqueta”, pois tudo era executado meticulosamente em função das suas vontades e caprichos. Para citar: o seu despertar matutino e o seu recolher nocturno era observado por dezenas de cortesãos. Outro mérito seu foi dar continuidade ás academias.

O governo dirigia a vida intelectual da mesma forma que dirigia a vida económica: Richelieu e a “academia para garantir o bom uso da língua”, Mazarin e a academia de escultura e pintura. Ao invés da vitalidade exuberante dos estilos anteriores a Luís XVI, prevaleceu a vitória do gosto clássico literário: composição, métrica e certa grandeza que se remetiam à influencia do Rei Sol. Foi a época da diversidade literária e de harmonia entre grandes mestres: Moliére, Racine, La Fountaine, Bossuet e até Fénelon.

Não somente na literatura, como também em outros domínios fez-se imperar o estilo Luís XIV. Para citar a arquitectura e decoração do Louvre, Versailles, Marly, Invalides, trabalhados por Le Vau, Mansart, Perrault (consagrados arquitectos), Girardon e Coysevox (considerados escultores). Da mesma forma, privilegiava os músicos e especialmente o italiano Lulli, grande responsável pelo surgimento da ópera em França. Com a multiplicação das academias e com a unificação criada entre os diversos ramos artísticos, Paris expandia os seus horizontes culturais. Todo este movimento foi dirigido pelo Rei Sol, que discutia os seus projectos e impunha o seu gosto. Gosto esse caracterizado pela regularidade, pela distinção, e pelo que havia de grandioso.

Tendo abreviado os principais pontos da época de Luís XIV, pode-se agora compreender as características originarias do bale de teatro – linhas clássicas, refinamento, esplendor, disciplina e postura. O bale de teatro parece simbolizar exactamente o perfil do Rei Sol.


Conclusão

Luís XIV de França reinou mais tempo que qualquer outro monarca na Europa: 72 anos, tornou-se rei aos 5 anos em 1643,embora só começasse a reinar efectivamente aos 24 anos.

A vida de fausto em que o rei vivia no seu novo palácio de Versailles, deu-lhe o apelido “O Grande Monarca”, outro titulo “O Rei Sol”, nasceu devido a um personagem que interpretou num bale na corte e que se adequava perfeitamente à sua posição central na politica de França.

O reinado de Luís XIV nem sempre foi sábio: entrou em quatro guerras que lhe trouxeram poucos benefícios, considerando a quantidade de dinheiro e de vidas nela despendidas. Perseguiu os Huguenotes até que 400.000 deles, os melhores artesãos de França, fugiram do país.

Quando morreu em 1715, tendo sobrevivido ao seu filho mais velho e a seu neto, Luís XIV deixou uma França empobrecida e cheia de problemas.

Autoria: Sith Lord


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