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Parnasianismo

O Parnasianismo foi contemporâneo do Realismo e do Naturalismo, localizando-se, portanto, entre o final do século XIX e o início do século XX. Os únicos países em que ele floresceu de forma nítida foram a França e o Brasil.

Na França, a pátria de origem da escola parnasiana, o movimento surgiu em 1866, com a publicação da revista Le Parnasse Contemporain, que congregava poetas defensores de uma poesia antirromântica, descritivista, mimética e formalista. Entre esses poetas, destacaram-se Théophile Gautier e Leconte de Lisle.

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O nome Parnasianismo remonta à denominação de um monte da Grécia Antiga (Monte Parnaso), onde, segundo a mitologia, os poetas se isolavam do mundo para maior integração com os deuses, por meio de sua poesia. Esses poetas consideravam a poesia a mais alta expressão artística humana, razão pela qual o Parnasianismo foi um estilo majoritariamente poético, não produzindo grandes manifestações em prosa.

No Brasil, o movimento por uma poesia de reação contrária ao Romantismo teve lugar no início da década de 1880, com a publicação do livro Fanfarras (1882), de Teófilo Dias, obra inaugural da estética no país. Três grandes autores destacam-se: Olavo Bilac (“o príncipe dos poetas”), Raimundo Correia e Alberto de Oliveira.

Em Portugal, o Parnasianismo não chegou a constituir uma estética organizada, sendo suas escassas manifestações absorvidas pela estética realista.

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Características

O lema central do parnasianismo (1882 – 1893) era “arte pela arte” e surgiu como um movimento para rebater o excesso de sentimentalismo trazido pelo Romantismo. Os parnasianos valorizavam a arte como meio de busca da universalidade.

Esse estilo literário buscava uma aproximação entre a literatura e as artes plásticas; tinha apreço pelas métricas, geralmente caracterizadas por versos decassílabos; apresentava cunho descritivo, temas clássicos, objetividade, impessoalidade e temas universais, como poesia, vaidade e beleza.

Ao reagir contra o sentimentalismo da arte romântica, o Parnasianismo colocou em destaque um dos seus aspectos mais importantes: o racionalismo. Se, para os românticos, a poesia era resultado da inspiração pura e simples, que o artista recebia quase que em transe, para os parnasianos, ela era fruto do trabalho do poeta – um trabalho árduo, difícil, que dependia de fatores como o conhecimento técnico, aplicado com esmero na produção poética.

Para os parnasianos, a poesia seria perfeita desde que sua forma atendesse a alguns requisitos fundamentais. Esses requisitos diziam respeito ao vocabulário, à sintaxe, à rima e à métrica utilizados pelo poeta.

Para escapar da vulgaridade, isto é, da linguagem comum, que não seria digna da poesia, o poeta parnasiano utilizava-se de um vocabulário refinado, erudito, dicionaresco. O uso de palavras difíceis, de pouco uso cotidiano, tornava a poesia uma atividade de elite, feita para entendidos ou iniciados.

Esse fato colocou a estética parnasiana na contra- mão dos movimentos sociais defendidos no final do século XIX, uma vez que a elite para qual essa poesia se destinava correspondia a uma ínfima parcela da sociedade brasileira. Dessa forma, tem-se o Parnasianismo como um movimento excludente.

A sintaxe poética deveria também obedecer às regras gramaticais, não apenas para demonstrar conhecimento técnico, mas também para adequar-se a normas consagradas de escrita.

O ponto de honra da poesia parnasiana era a utilização de rimas. Embora nem todos os textos da escola as apresentem, as rimas eram consideradas a mais alta demonstração do virtuosismo artístico do escritor. Por conseguinte, a métrica também seria um aspecto importante dentro do formalismo parnasiano. Assim, a estrita obediência às regras de metrificação era exigida. Os versos de dez (decassílabos) e doze (alexandrinos) sílabas, considerados clássicos, eram utilizados com frequência, principalmente em uma forma poética igualmente clássica: o soneto.

Em consonância com sua preocupação excessivamente formal, o Parnasianismo produziu uma poesia voltada para a forma dos objetos e dos lugares. Abandonando uma visão mais interiorizada, acabou por realizar uma poesia vazia e marcadamente descritiva.

Qualquer emoção ou qualquer intromissão da subjetividade poderia representar um elemento perturbador dessa exatidão. Assim, o Parnasianismo combateu a subjetividade típica do Romantismo.

Principais autores parnasianos

Retrato de Olavo Bilac, poeta do parnasianismoOlavo Bilac é o poeta mais popular do Parnasianismo, destaca-se pelo devotamento ao culto da palavra e ao estudo da língua portuguesa. Os recursos estilísticos que mais emprega são: a repetição de palavras, o polissíndeto e o assíndeto (separados ou conjugados), suas metáforas e comparações são claras.

Um de seus temas preferidos é o amor, associado, geralmente, à noção de pecado, cantado sob o domínio do sentimentalismo, fugindo às características parnasianas, como se pode observar nos 35 sonetos de Via Láctea. As estrelas têm presença marcante em seus versos, ora aparecem como confidentes, ora como testemunhas ou conhecedoras do mistério da vida.

Raimundo Correia, poeta parnasiano

Raimundo Correia não se preocupa em dar cor local e aproxima-se mais da paisagem européia. Seus poemas, embora façam parte do Parnasianismo, apresentam estilo sóbrio, demonstrando execução apurada, recoberta de objetividade, distante da pomposidade vocabular.

Sua poesia está cheia de sombras e luares, revelando dor e amargura. Por vezes, os poemas transmitem sensações complexas, provocadas pela musicalidade dos versos e pelo emprego de sinestesias a ponto de seus últimos trabalhos se aproximarem da estética do Simbolismo. Sua poesia é descritiva, voltada à exaltação da forma e à Antigüidade Clássica.

Em Sinfonias (1883), algumas composições se destacam como parnasianas: As Pombas, Mal Secreto, Plena Nudez e Vinho de Hebe.

Retrato do poeta parnasiano Alberto OliveiraAlberto de Oliveira, dentre os parnasos, é considerado ortodoxo. Sua poesia é classificada em três fases: contida (linguagem nobre, entretanto sem arcaísmos), descritiva (descrição da natureza e de coisas antigas), melancólica (saudosista e sentimentalista).

Sua poesia, inicialmente, com laivos românticos, se firma como parnasiana com Sonetos e Poemas

Por: Miriã Lira

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