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Narração

A narração ou narrativa é uma forma de composição na qual há um desenrolar de fatos reais ou imaginários, que envolvem personagens e que ocorrem num tempo e num espaço.

Narrar é, pois, representar fatos reais ou fictícios utilizando signos verbais e não verbais.

 

 




Há alguns tipos de narração:

1- uma piada:

Manuel recebeu um telefonema do gerente do banco.
- Seu Manuel, estou lhe telefonando para avisar que a sua duplicata venceu.
- E quem pegou em segundo lugar?

2- uma notícia de jornal:

“A poda indiscriminada de árvores em algumas localidades de Jaú, durante o verão, tem contribuído para elevar em até cinco graus a temperatura nas calçadas”. (Comércio do Jahu - 23-1-97)

3- um texto literário:

A galinha Cocoricó estava há dias chocando seu ovo, quando ouviu um barulhinho:
- Chegou a hora! Meu filho vai nascer!
A casca do ovo foi se partindo e uma frágil criaturinha começou a dar sinal de vida.
Cocoricó não cansava de admirar a sua cria, que, toda desengonçada, tentava equilibrar-se sobre suas cambaleantes perninhas.
Passadas algumas horas, lá estava o pintinho amarelinho, fofinho, aconchegado sob as penas de Cocoricó.
- Você vai se chamar Uto!

4- Uma história em quadrinhos: utiliza ao mesmo tempo o código verbal e o não verbal e o contexto extralingüístico é importantíssimo para a compreensão da linguagem.

5- Uma letra de música:

“Era uma casa”.
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão “(Vinicius de Moraes)”.

6- um poema:

Sonhe alto, sempre e mais.
Faça a cada dia a vida
Na medida do seu sonho.
Sonhe e, ao mínimo gesto,
Seu ser inteiro empreste,
Sua marca em tudo ponha
Que o Homem não é alto
Nem baixo e se faz...
Da estatura do que sonha!             
(Elcio Fernandes)

Para que a narração tenha qualidades, o assunto deve ser relatado de forma original e despertar no leitor interesse pelo desenrolar da história. A linguagem deve ser clara, simples, correta e a história deve parecer real, ser verossímil, isto é, deve dar a impressão de que ela pode ter acontecido. Exemplo:

“Era noite de inverno, uma daquelas não muito frias, a ocasião ideal para ouvir uma boa música. Pensando nisso, o casal se arrumou e foi ao teatro para ouvir o concerto da Banda”.

O teatro estava quase lotado e percebia-se a presença de várias crianças andando ruidosamente pelos corredores.

- Ih, pensou a mulher - criança pequena e concerto é uma combinação que raramente dá certo. Aliás, nunca dá certo.

Mas ficou quieta, não comentou nada com o marido. Poderia parecer chata, implicante. Afinal, os tempos mudaram e talvez as crianças também; elas estão tão “adultificadas” que, quem sabe, podem até apreciar um bom concerto... Será?

O castigo veio a cavalo, pois mal ela e o marido acomodaram-se nas primeiras poltronas de uma fileira, sentaram-se justamente atrás deles, um rapaz com a esposa, seu filhinho de uns quatro anos e um senhor de idade, o avô.

- Ô mãe, quanta polícia lá no palco! Por quê?

- É que a banda é da polícia!

- Ô mãe, o que que aquele “ómi” com aquela baciona vai fazer?

- Aquilo não é uma baciona. É um instrumento. Ele vai tocar! Aquilo é o “baxotuba”.

- O quê? ! E aqueles “ómis” segurando aqueles bambus?

- Não é bambu! Também é um instrumento. Fique quietinho que quando a banda começar a tocar, você vai ver ““.

Um passo preparatório para a produção de texto narrativo, é, sem dúvida, a elaboração de falas em balões, dando seqüência.


Os principais elementos de uma narração são:

1- o enredo ou a trama - formado pelos fatos que se desenrolam durante a narrativa. Toda história tem uma introdução, na qual o autor apresenta a idéia principal, os personagens e o cenário; um desenvolvimento, no qual o autor detalha a idéia principal e há dois momentos distintos no desenvolvimento: a complicação (têm inícios os conflitos entre os personagens) e o clímax (ponto culminante) e um desfecho, que é a conclusão da narração.

Exemplo: O rapaz varou a noite inteira conversando com os amigos pela Internet. O pai, quando acordou às 6 horas, percebeu a porta do escritório fechada e a luz acesa. O filho ainda estava no computador e não havia ido dormir. Sem que este percebesse, trancou a porta por fora. Meia hora depois, o filho queria sair e teve que chamar o pai, que abriu a porta.

2- o tempo - cronológico ou exterior - é marcado pelo relógio. É o espaço de tempo em que os acontecimentos desenrolam e os personagens realizam suas ações; psicológico ou interior, não pode ser medido como o tempo cronológico, pois se refere à vivência dos personagens, ao seu mundo interior.

3- o espaço - onde os acontecimentos se desenrolam.

Exemplo: O céu se fechou em nuvens negras, relâmpagos iluminavam tudo. Começou a chover forte.

4- os personagens - são os seres envolvidos nos fatos e que formam o enredo da história. Eles falam, pensam, agem, sentem, têm emoções. Qualquer coisa pode ser transformada em personagem de uma narrativa. Os personagens podem ser pessoas, animais, seres inanimados, seres que só existem na crendice popular, seres abstratos ou idéias e outros. O protagonista é o personagem principal, aquele no qual se centraliza a narrativa. Pode haver mais de um na narração. O antagonista é o personagem que se opõe ao principal. Há ainda os personagens secundários, que são os que participam dos fatos, mas não se constituem o centro de interesse da narração.

A fala dos personagens pode ser feita em discurso direto (com diálogos e verbos de elocução - o próprio personagem fala) e em discurso indireto (o autor conta com suas próprias palavras o que o personagem diria.).    

Exemplo de discurso direto:

- Você sabe que o seu irmão chegou?

Exemplo de discurso indireto:

Ele perguntou se ele sabia que o seu irmão havia chegado.

Há ainda o discurso indireto livre, que mescla o discurso direto com o indireto, dando a impressão que o narrador e o personagem falam em uníssono. Não há presença de verbos de elocução, de travessões, dois pontos, nem de orações subordinadas substantivas próprias do discurso indireto.

Exemplo de discurso indireto livre:

“Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa”. (Graciliano Ramos)

5- o narrador - é quem relata os fatos. O narrador pode assumir duas posições:

a - narrador observador (narrador de terceira pessoa - o foco narrativo é de terceira pessoa) - relata os acontecimentos como observador. Alguém está observando o fato e conta o que acontece ou aconteceu. Esse observador pode participar da história ou estar fora dela. A narração desenvolve-se em terceira pessoa.

Exemplo: “Ele morava numa cidadezinha do interior. Tinha nascido ali, conhecida todo mundo. Era muito dado, dado demais para o gosto da mulher, que estava sempre de olho nos salamaleques que ele vivia fazendo para a mulherada do lugar. - Puras gentilezas - dizia ele. Afinal, sou um cavalheiro...

Levantava-se todos os dias na mesma hora, tomava o seu café, pegava a garrafa de água, o panamá, o cachorro e ia para a fazenda, herança de família. Mas não era de só ficar dando ordens não. Gostava mesmo era da lida.”

b - narrador personagem (narrador de primeira pessoa - o foco narrativo é de primeira pessoa) - um personagem participante da história narra os fatos. Vê os fatos de dentro para fora e a narração desenvolve-se em primeira pessoa.

Exemplo: “Contou-me uma guia em Buenos Aires, que quando se diz que essa cidade é a mais européia das Américas, muitas pessoas torcem no nariz. Pura dor de cotovelo! Quem conhece Buenos Aires como eu, sabe que isso é verdade.”

De acordo com o conceito de narração, pode-se narrar tantos fatos reais, que é o relato de ações praticadas pelas pessoas (livros científicos, livros de história, notícia de jornal), como fatos fictícios, com personagens que podem até ser reais, mas que não tem necessariamente compromisso com a realidade. Neste último caso, o fato pode ser totalmente inventado ou até baseado na realidade, porém enriquecido pela imaginação de quem relata.

Por: Renan Bardine


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