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Narração

Narração é a forma de expressão utilizada para contar algum fato ou acontecimento. Narrar é, por exemplo, contar a um amigo o que fizemos durante o dia, ou, numa reunião, falar do que aconteceu em uma viagem, ou, ainda, relatar um fato extraordinário, fruto da imaginação.

Sempre que uma pessoa fala ou escreve com a intenção de contar algo que aconteceu a ela ou a outras pessoas, constrói-se um texto narrativo. Os fatos contados podem ser reais, como ocorre em notícias de jornais, relatos históricos e transmissões esportivas, ou fictícios, como nos mitos, nas lendas, nos contos e nos romances. Narrar é, portanto, contar fatos reais ou fictícios que são protagonizados por diferentes personagens.

A estrutura da narração

Uma narração é um relato de fatos reais ou imaginários. Quando se conta algo que ocorreu ou que foi imaginado, deve-se fazê-lo de acordo com uma estrutura ou “esqueleto” sobre o qual se monta tudo que ocorre na narrativa.

As boas narrações costumam apresentar os fatos de modo que se capte e se mantenha a atenção dos destinatários. Em sua forma mais comum, as narrações estruturam-se de uma maneira bastante simples.

Estrutura da narração

  • O marco narrativo é a primeira parte do relato. Nele, os fatos situam-se espacial e temporalmente, as personagens que protagonizarão a história são apresentadas e a situação inicial, geralmente de equilíbrio, é exposta.
  • O acontecimento inicial é o fato que rompe o equilíbrio inicial e desencadeia o conflito que originará a ação.
  • As ações são os atos que as personagens realizam para resolver o conflito instalado.
  • A solução determina a situação final, isto é, uma nova situação a que se chega como consequência das ações das personagens.

Uma boa narração deve ser dinâmica e manter o interesse do leitor. Para isso é preciso realizar várias tarefas: selecionar os fatos que serão narrados — não é necessário contar tudo –; caracterizar adequadamente as personagens que intervêm, prestando muita atenção aos diálogos; ambientar os fatos no tempo e no espaço de modo que sejam verossímeis; e apresentar as ações de forma ordenada e progressiva.

Para elaborar uma narração, é necessário, em primeiro lugar, ter claro o tema: a história de um assassinato, a conquista do polo Norte, uma viagem ao futuro e assim por diante. A partir daí, o autor desenha as personagens, elege os cenários e traça o plano geral da obra: imagina os fatos e as circunstâncias mais importantes e cria um “esqueleto” do enredo, que será completado ao longo do processo de escrita.

O início é fundamental a toda narração, porque é ele que faz com que o leitor continue lendo e se interesse por toda a obra e porque os diferentes episódios que formam a trama desenvolvem-se a partir dele.

O final também é muito importante, já que o desenlace da ação ocorre nessa parte. Ele pode ser aberto ou fechado, previsível ou surpreendente, porém deve ser sempre verossímil.

Como escrever uma narração

Para construir um bom texto narrativo, devem-se levar em conta as seguintes recomendações:

Procurar fazer com que os eventos contados captem o interesse dos receptores. Isso se consegue facilmente quando os eventos em si são interessantes por serem pouco comuns ou extraordinários. Também se pode atingir o mesmo objetivo apresentando fatos comuns de maneira atraente, criando mistério, suspense ou introduzindo elementos surpreendentes, por exemplo.

Seguir sempre uma ordem estabelecida que permita ao receptor compreender facilmente o relato. No início, até que se adquira destreza narrativa, deve-se procurar ajustá-lo à ordem linear: início, desenvolvimento e desenlace.

O verbo deve ser o elemento mais importante da narração. O principal tempo narrativo é o pretérito (perfeito ou imperfeito), embora também se possa utilizar o presente. Deve-se evitar abusar de verbos de significado pouco preciso, como fazer. É bom lembrar que cada ação das personagens pode ser explicada mediante um verbo específico: fabricar, preparar, cozinhar, entre outros.

Os principais elementos de uma narração são:

1- o enredo ou a trama – formado pelos fatos que se desenrolam durante a narrativa. Toda história tem uma introdução, na qual o autor apresenta a ideia principal, os personagens e o cenário; um desenvolvimento, no qual o autor detalha a ideia principal e há dois momentos distintos no desenvolvimento: a complicação (têm inícios os conflitos entre os personagens) e o clímax (ponto culminante) e um desfecho, que é a conclusão da narração.

Exemplo:

O rapaz varou a noite inteira conversando com os amigos pela Internet. O pai, quando acordou às 6 horas, percebeu a porta do escritório fechada e a luz acesa. O filho ainda estava no computador e não havia ido dormir. Sem que este percebesse, trancou a porta por fora. Meia hora depois, o filho queria sair e teve que chamar o pai, que abriu a porta.

2- o tempo – cronológico ou exterior – é marcado pelo relógio. É o espaço de tempo em que os acontecimentos desenrolam e os personagens realizam suas ações; psicológico ou interior, não pode ser medido como o tempo cronológico, pois se refere à vivência dos personagens, ao seu mundo interior.

3- o espaço – onde os acontecimentos se desenrolam.

Exemplo:

O céu se fechou em nuvens negras, relâmpagos iluminavam tudo. Começou a chover forte.

4- os personagens – são os seres envolvidos nos fatos e que formam o enredo da história. Eles falam, pensam, agem, sentem, têm emoções. Qualquer coisa pode ser transformada em personagem de uma narrativa. Os personagens podem ser pessoas, animais, seres inanimados, seres que só existem na crendice popular, seres abstratos ou idéias e outros. O protagonista é o personagem principal, aquele no qual se centraliza a narrativa. Pode haver mais de um na narração. O antagonista é o personagem que se opõe ao principal. Há ainda os personagens secundários, que são os que participam dos fatos, mas não se constituem o centro de interesse da narração.

A fala dos personagens pode ser feita em discurso direto (com diálogos e verbos de elocução – o próprio personagem fala) e em discurso indireto (o autor conta com suas próprias palavras o que o personagem diria.).

Exemplo de discurso direto:

Você sabe que o seu irmão chegou?

Exemplo de discurso indireto:

Ele perguntou se ele sabia que o seu irmão havia chegado.

Há ainda o discurso indireto livre, que mescla o discurso direto com o indireto, dando a impressão que o narrador e o personagem falam em uníssono. Não há presença de verbos de elocução, de travessões, dois pontos, nem de orações subordinadas substantivas próprias do discurso indireto.

Exemplo de discurso indireto livre:

“Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa”. (Graciliano Ramos)

5- o narrador – é quem relata os fatos. O narrador pode assumir duas posições:

a – narrador observador (narrador de terceira pessoa – o foco narrativo é de terceira pessoa) – relata os acontecimentos como observador. Alguém está observando o fato e conta o que acontece ou aconteceu. Esse observador pode participar da história ou estar fora dela. A narração desenvolve-se em terceira pessoa.

Exemplo:

“Ele morava numa cidadezinha do interior. Tinha nascido ali, conhecida todo mundo. Era muito dado, dado demais para o gosto da mulher, que estava sempre de olho nos salamaleques que ele vivia fazendo para a mulherada do lugar. – Puras gentilezas – dizia ele. Afinal, sou um cavalheiro…

b – narrador personagem (narrador de primeira pessoa – o foco narrativo é de primeira pessoa) – um personagem participante da história narra os fatos. Vê os fatos de dentro para fora e a narração desenvolve-se em primeira pessoa.

Exemplo:

“Contou-me uma guia em Buenos Aires, que quando se diz que essa cidade é a mais europeia das Américas, muitas pessoas torcem no nariz. Pura dor de cotovelo! Quem conhece Buenos Aires como eu, sabe que isso é verdade.”

De acordo com o conceito de narração, pode-se narrar tantos fatos reais, que é o relato de ações praticadas pelas pessoas (livros científicos, livros de história, notícia de jornal), como fatos fictícios, com personagens que podem até ser reais, mas que não tem necessariamente compromisso com a realidade. Neste último caso, o fato pode ser totalmente inventado ou até baseado na realidade, porém enriquecido pela imaginação de quem relata.

Por: Paulo Magno Torres

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