Ecologia

Problemas Ambientais Urbanos

O ambiente urbano é em grande parte artificial, quer dizer, uma paisagem cultural (ou humanizada), edificada pelo homem e que não está em equilíbrio com o meio natural.

À medida que as cidades crescem, ocorrem modificações na paisagem natural que geram problemas ambientais graves. A falta de planejamento urbano na maioria das cidades evidencia o domínio do fator econômico sobre o fator ambiental e humano.

Enchentes e deslizamentos

Uma das principais alterações que ocorre no ambiente urbano é a impermeabilização do solo em razão da retirada da paisagem vegetal e sua substituição por asfalto, concreto e obras urbanas, as quais impedem a infiltração (percolação de água) e aumenta o escoamento superficial.

Em cidades em que as galerias de água subterrâneas não são suficientes, além do assoreamento dos rios, ocorrem sérios problemas com as enchentes. Em áreas com ocupações de encostas, isto é, com construções situadas em áreas de elevada declividade, podem ocorrer deslizamentos de encostas.

Além disso, existem os problemas do microclima urbano causados pela formação das ilhas de calor e das chuvas ácidas.

Poluição e ilhas de calor

O tráfego intenso e as calefações de carvão contaminam a atmosfera de muitas cidades, sobretudo na China. Isso causa o smog, uma espécie de neblina que, por sua vez, é a origem do aumento das temperaturas nas zonas urbanas. Elas criam uma espécie de ilha de calor, ou microclima urbano.

As ilhas de calor correspondem à elevação das temperaturas nas áreas mais urbanizadas, a região central de uma grande cidade apresenta maiores temperaturas que as regiões periféricas.

Onde ocorrem as ilhas de calor nos centros urbanos.
Ilha de calor.

A concentração de poluentes aumenta o volume de material particulado em suspensão, originando núcleos higroscópicos que geram a condensação e, portanto, aumentam as precipitações nas áreas urbanas gerando as enchentes.

Chuva ácida

Já o fenômeno das chuvas ácidas está relacionado à concentração de gases, como os dióxidos de enxofre e os óxidos de nitrogênio, que, ao reagirem com a água em suspensão na atmosfera, formam ácidos, como o sulfúrico e o nítrico, que aumentam a acidez das chuvas.

Quando essas chuvas ocorrem no ambiente urbano, as consequências são a degradação de prédios e monumentos, mas, se os ventos transportarem-nas para lugares distantes, elas poderão afetar lagos, plantações e solos, provocando a morte da vegetação e de animais.

Aprenda mais em: Chuva Ácida

Inversão térmica

Nas grandes cidades, onde há maior concentração de gases poluentes na atmosfera, as possíveis alterações na circulação das camadas de ar próximas à superfície podem agravar ainda mais a poluição.

Normalmente, o ar quente sobe para as camadas mais elevadas da atmosfera e se resfria. Em dias mais frios, notadamente no inverno, quando o ar atmosférico tem menores temperaturas próximas à superfície, ocorre uma estagnação atmosférica — as camadas de ar quente e fria não conseguem circular. Assim, não há dispersão de poluentes, tornando-se mais comuns casos de irritação de olhos e garganta, doenças respiratórias como asma e bronquite.

Inversão térmica.
Situação de dispersão dos poluentes atmosféricos sob efeito de inversão térmica.

Aprenda mais em: Inversão Térmica

Lixo

Outro problema ambiental urbano na pauta das discussões ambientais é a coleta e a destinação final do lixo urbano. O consumo desenfreado de produtos industriais gera grande quantidade de resíduos sólidos.

Na maioria das cidades dos países em desenvolvimento, o lixo é depositado a céu aberto, nos chamados lixões. Essa ação causa grandes danos à saúde pública, contamina o lençol freático com o chorume, gera mau cheiro, transmite doenças e promove a atração de pessoas em busca de produtos para reciclagem ou de alimentos.

Soluções melhores poderiam ser feitas por meio de aterros sanitários, usinas de compostagem (lixo orgânico), reciclagem e incineração. O descarte inadequado do lixo eletrônico ou e-lixo, que causa a contaminação das pessoas que o manuseiam, do solo e da água pelas substâncias químicas (ex.: chumbo, cádmio, mercúrio, berílio etc.), torna-se a cada ano um sério problema socioambiental.

Segundo o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), as cidades do mundo produzem anualmente em torno de 1,3 bilhão de toneladas de resíduos sólidos, aproximadamente 1,2 kg per capita diária. No entanto, as estimativas para 2025 são preocupantes diante da possibilidade da produção de lixo saltar para 2,2 bilhões de toneladas por ano.

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