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Armas Bacteriológicas

Característica da Arma Bacteriológica

À diferença das armas químicas, as bacteriológicas nunca tiveram uso bélico em vasta escala. As pesquisas em curso visam a desenvolver organismos causadores de doenças como peste e varíola, e que sejam resistentes as vacinas e antibióticos atualmente conhecidos.

Não é fácil, porém, lidar com organismos vivos, mormente se deverão, ao serem dispersos, resistir aos efeitos combinados do vento, chuva e radiação solar. Quando esses problemas técnicos estiverem solucionados – o que será bastante provável, com as intensas pesquisas em realização – a ameaça de guerra bacteriológica se tornará bem real, tanto mais que a fabricação poderá ser feita por equipes pequenas de microbiologistas e engenheiros, ao alcance até dos países mais pobres.

No entanto, os depósitos de tais armas estão expostos a fugas e roubos; e, finalmente, a produção de armas químicas e bacteriológicas – as bombas atômicas dos pobres -, é realizada em laboratórios e instalações que estão acessíveis também a muitos países atrasados.

Armas Bacteriológicas

Tanto as armas bacteriológicas como as químicas podem levar à exterminação em massa e durante mais de 20 anos um esforço conjunto foi feito no sentido de estabelecer compromissos entre as nações, objetivando a proibição do desenvolvimento, produção, armazenamento e uso de armas químicas

Tratados sobre as Armas Bacteriológicas

Ainda mais séria é a situação respeitante à Convenção sobre Armas Biológicas de 1972. As armas bacteriológicas constituem de fato o caso mais alarmante, uma vez que técnicas tornadas padrão (funcional para os interesses de multinacionais da alimentação que procuram monopolizar o mercado mundial com organismos geneticamente modificados) permitem mesmo a um grupo terrorista com um laboratório relativamente modesto modificar o código genético de um microrganismo que viva normalmente no corpo humano ou em plantas agrícolas, de forma a que ele produza toxinas letais (os EUA atacaram Cuba repetidamente com produtos químicos agressivos, provocando perdas agrícolas e pecuárias).

Embora a Convenção de 1972 tenha sido ratificada por 143 Estados (incluindo todas as principais potências militares), ela não contem nenhum mecanismo de verificação. No anos passado Washington, com a sua arrogância habitual, destruiu o acordo forjado com grandes esforços em Genebra para um protocolo de inspecção, uma vez que “isto poria em risco a segurança nacional e informações confidenciais”, isto é, o negócios das indústrias biotecnológicas . Recentemente foi revelada a existência de uma laboratório no deserto de Nevada onde, em violação da Convenção de 1972, agentes biológicos letais são produzidos utilizando engenharia genética, sob o pretexto de executar simulações para reduzir a ameaça. Na realidade é uma programa de investigação secreta sobre armas biológicas em qualquer caso, a produção aberta de armas biológicas viola a Convenção. Na verdade, o caso das cartas anthrax deixou um rastro dentro dos EUA…

Ainda pior, os EUA e o Reino Unido foram citados  como estando a desenvolver uma nova geração de armas biológicas que, tal como a nova geração de ogivas nucleares, minaria e possivelmente violaria tratados internacionais sobre a guerra biológica e química. O Pentágono, com a ajuda de militares britânicos, está a trabalhar com armas “não letais” semelhantes ao gás narcótico utilizado pelas forças russas para acabar com sítio de terroristas em Moscovo. Os EUA está a encorajar uma colapso nos controle de armas com a sua investigação de bombas cluster biológicas, anthrax e armas não letais para serem utilizadas contra multidões hostis, e pelo secretismo em que estes programas estão a ser conduzidos. Os EUA argumentam que o trabalho de investigação está a ser feita para propósitos defensivos, mas a sua legalidade sob a Convenção das Armas Biológicas é altamente questionável. Além disso, os signatários da Convenção concordaram em fazer declarações anuais sobre os seus programas de biodefesa, mas os EUA nunca mencionaram qualquer destes programas nos seus relatórios. Segundo uma análise recente , a investigação britânica e americana sobre armas alucinogénicas encorajou o Iraque a encarar agentes semelhantes e mostrou-lhe o caminho. Os programas referidos são:

1. Esforço da CIA para copiar uma bomba cluster soviética concebida para dispersar armas biológicas.
2. Um projecto do Pentágono para construir uma bio-arma a partir de materiais comercialmente disponíveis a fim de provar que terroristas poderiam fazer a mesma coisa.
3. Investigação da Defense Intelligence Agency acerca da possibilidade de conceber geneticamente uma nova cepa de anthrax resistente ao antibióticos.
4. Um programa para produzir esporos de anthrax secos e armados (weaponized) .

Poderia recordar-se que recentemente os EUA acusaram Cuba (contra a qual eles efectuaram ataques biológicos) de estar a desenvolver armas químicas e biológicas. A fim de justificar o desenvolvimento de novas armas, novos inimigos e ameaças devem constantemente ser encontrados, ou… inventados.

A Cruz Vermelha Internacional acionou o alerta vermelho contra os riscos de uma guerra com o uso de armas bacteriológicas, mas principalmente biotecnológicas, num encontro com especialistas de 80 países, na cidade suíça de Montreux.

Embora o Iraque seja constantemente apontado como o principal vilão, por sempre ter votado contra a proibição de armas químicas e bacteriológicas, o alerta da Cruz Vermelha responsabiliza também os EUA, que costumam impedir ou adiar todas as tentativas para uma aplicação efetiva da Convenção sobre Armas Biológicas, aprovada em 1972, mas até hoje não regulamentada. Vale a pena lembrar que, o brasileiro José Bustani sofreu forte pressão americana e acabou perdendo seu cargo, por ter insistido na necessidade de aplicação em todos os países do Protocolo de Verificação de Armas Biológicas.

Em 3 de setembro de 1992, durante a Conferência para o Desarmamento, em Genebra, na Suíça, um tratado foi finalmente estabelecido, tendo recebido até hoje mais de 170 adesões dos principais governos mundiais.

Ameaça recentes de ataques

Enquanto isso, a paranoia por um ataque bacteriológicos está a difundir-se, alimentada pela administração. No fim de 2002 uma campanha maciça de vacinação contra a varíola foi anunciada por razões de segurança, principiando pelo pessoal militar, trabalhadores da saúde e de serviços de emergência, e oferecendo a seguir imunização ao público numa base voluntária a partir de 2004. Os responsáveis do governo consideram que cerca de 500 mil militares e 500 mil civis seriam cobertos pelas fases iniciais do plano; finalmente, a até 10 milhões de pessoas envolvidas com a aplicação da lei, cuidados de saúde e serviços de emergência poderia ser oferecida a vacina. A oposição ao uso extensivo da vacina contra a varíola, entretanto, está a ferver a partir de três fontes: da área da psicologia, da medicina e da sociologia

Opções das armas

Os riscos de bombas com bacilos de antrax ou de disseminação do vírus da varíola, que matariam centenas de milhões de pessoas em poucas semanas, são café pequeno diante de novas ameaças como a criação de agentes biológicos capazes de modificar os genes e dar origem a mutações humanas. Manipulações genéticas podem tornar certos vírus resistentes aos atuais antibióticos. Dois cientistas australianos, em janeiro do ano passado, ao manipularem o vírus da varíola criaram geneticamente, por inadvertência, um vírus mais forte que matou todas as cobaias do laboratório, inclusive as ratazanas vacinadas contra varíola.

Outros vírus, como o da poliomielite podem ser modificados e resistir às atuais vacinas. Existe mesmo o risco de armas bacteriológicas racistas, como as pesquisadas pela África do Sul, na época do apartheid, para acabar com a fertilidade de certas etnias por manipulação genética. Enfim, para afetar o comportamento humano bastaria se modificar a concentração dos bioreguladores do corpo, produzidos naturalmente pelo organismo.

Autoria: Giovanni Luiggi Parisi

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