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Esquistossomose

A esquistossomose, também conhecida como barriga-d’água, é uma das verminoses que mais afeta pessoas em todo o mundo. No Brasil, é uma doença muito comum na região Nordeste e em algumas áreas dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, com cerca de 8 a 10 milhões de pessoas parasitadas.

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A esquistossomose é caracterizada por uma fase aguda, quase sem sintomas, e uma fase crônica, com manifestações graves.

Agente etiológico

O agente causador é um platelminto da classe Trematoda, o Schistosoma mansoni. É um verme que apresenta evidente dimorfismo sexual, sendo a fêmea mais longa e mais fina que o macho. Esse possui uma prega em toda a sua extensão, o canal ginecóforo, no qual a fêmea se aloja.

Os vermes habitam os vasos sanguíneos do fígado e são hematófagos. Ao se tornarem sexualmente maduros, migram em direção aos vasos da mucosa intestinal, onde ocorre a postura dos ovos.

Agente etiológico da esquistossomose
Casal de Schistosoma mansoni. O macho pode atingir 12 mm de comprimento por 1,1 mm de largura, já as fêmeas medem cerca de 15 mm de comprimento por 0,15 mm de largura.

O vetor

O esquistossoma tem como hospedeiro intermediário caramujos de água doce do gênero Biomphalaria. No Brasil, a espécie mais difundida é a Biomphalaria glabrata.

Esses moluscos pertencem ao grupo dos planorbídeos, pois as suas conchas são mais achatadas que as dos caramujos de jardim. Os planorbídeos são encontrados em lagos ou riachos de pouca correnteza. Têm enorme capacidade reprodutiva, o que dificulta as ações de combate.

O ciclo da esquistossomose

Quando estão nos vasos da mucosa intestinal, ocorre o acasalamento entre o macho e a fêmea, através da justaposição dos orifícios genitais. A fecundação é interna e a fêmea inicia a postura dos ovos, que pode chegar a 300 por dia. Após a postura, a parede dos vasos intestinais se rompe, e os ovos caem no interior da cavidade intestinal, sendo eliminados com as fezes.

Quando o ovo está em ambiente favorável (água limpa), dentro dele se desenvolve uma larva, o miracídio. Essa larva é ciliada e nada até invadir os caramujos planorbídeos, nos quais se transforma em esporocisto. Em seguida, no interior do esporocisto, começam a se desenvolver as cercárias, larvas de cauda bipartida.

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As cercárias são ágeis nadadoras e, quando encontram uma pessoa, penetram ativamente através da pele. Essa penetração é devida aos movimentos da cauda e da ação de enzimas produzidas pelas próprias cercárias. Caindo na corrente sanguínea, as larvas alcançam os vasos do fígado, onde passam a se alimentar de sangue.

Cerca de um mês após a penetração das cercárias, os vermes adultos migram para os vasos intestinais e um novo ciclo se inicia com o acasalamento e a postura de ovos.

Contaminação pela esquistossomose.
Ciclo do Schistosoma mansoni.

Sintomas

No local por onde as cercárias penetraram, há vermelhidão e coceira. De acordo com um dito popular, “se nadou e depois coçou, é porque pegou…”. Por isso, os locais onde há elevada incidência de cercárias são chamados “lagoas de coceira”.

Na fase aguda da esquistossomose, ou seja, um mês depois da infestação, a pessoa tem febre, mal-estar geral, indisposição, fraqueza, calafrios e diarreia. Raramente, essa fase aguda pode ser grave e provocar a morte.

Sintoma da esquistossomose
Sintoma da esquistossomose.

A fase crônica se instala em alguns meses ou até anos depois. As principais manifestações são diarreia sanguinolenta, dor abdominal, falta de ar, aumento acentuado do baço e, principalmente, do fígado.

A esquistossomose é popularmente conhecida por barriga-d’água por causa de um dos sintomas da doença que é o aumento da cavidade abdominal. Esse aumento ocorre em decorrência do acúmulo de líquidos nos tecidos abdominais.

Prevenção

Uma das medidas de prevenção contra a esquistossomose é o tratamento dos doentes. Dessa forma, consegue-se interromper a eliminação de ovos para o meio ambiente, evitando a contaminação de outras pessoas.

O saneamento básico é outra medida pre­ventiva eficaz contra a doença. Nesse caso, o destino adequado dos dejetos humanos e o tratamento dos esgotos evitam a contamina­ção com ovos do verme de cursos d’água habi­tados pelos caramujos.

Outra profilaxia é o combate ao caramujo. Esse processo pode ser realizado através do controle biológico, onde se empregam inimigos naturais do caramujo. Sem os caramujos, não se completa o ciclo evolutivo do parasita, pois não há liberação de cercárias na água.

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