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David Hume

Nascido em Edimburgo, Escócia, no ano de 1711, David Hume foi o maior expoente do empirismo.

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Graduou-se em Direito na Universidade de Edimburgo. Vivendo na França, entre os anos de 1734 e 1736, escreveu o livro Tratado da natureza humana. Candidatou-se a uma cadeira de filosofia na Universidade de Edimburgo, mas foi acusado de ateísmo e não conseguiu sua nomeação.

Tornou-se bibliotecário e, em 1763, retornou à França, onde trabalhou como secretário da embaixada e conheceu Rousseau (1712-1778). Voltou para Edimburgo em 1769, onde faleceu em 1776.

Hume viveu na época de florescimento de um movimento filosófico europeu chamado Iluminismo e suas ideias influenciaram muitos pensadores europeus.

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Hume está para Descartes assim como Aristóteles esteve para Platão. Se para Descartes a razão é tudo e por isso as ideias são inatas aos homens, pois elas vêm em primeiro lugar, para Hume isso era impossível, pois, para ele, o ser humano está submetido aos sentidos. Assim, para Hume, as ideias são meros reflexos das impressões que obtemos do mundo exterior.

Aprofundando-se nessa linha de raciocínio, Hume chegou a questionar a validade da relação “causa e efeito” à maneira como era usada pelos racionalistas.

Para o empirismo desse pensador escocês, se sabemos que o fogo é a causa do calor, isso ocorre devido à experiência, através da qual percebemos tal fato. Não se trata de um conhecimento inato relacionar o fogo como a “causa” do “efeito” calor. Mas veja: a experiência não nos revela que “o fogo é a causa do calor”, mas sim que “há fogo, portanto há calor”. “Fogo” e “calor” são exteriores entre si e não há nada que os relacione interiormente.

Retrato de David Hume.
David Hume

Para Hume, “causa e efeito” não são necessariamente ligados entre si. Quem nunca tiver sofrido um ferimento jamais terá a ideia de dor relacionada a um ferimento, a não ser por uma crença desenvolvida a partir do hábito que temos de acreditar e aceitar algumas coisas como “verdades”.

Buscando aprofundar o seu método de conhecimento, Hume tratou das crenças. Para ele, a crença seria a atitude de aceitação de uma verdade que possui uma determinada certeza, sem poder ser comprovada racionalmente. Esta atitude da aceitação vem da necessidade que os homens têm em acreditar nos acontecimentos. Sabe-se que o homem acostuma-se ou habitua-se a crer nas leis imutáveis da natureza ou na sua causa e efeito.

Contudo, a crença não pode ser confundida com ficção, uma vez que a crença é mais viva por apoiar-se no hábito, produzindo a sensação de que os fatos naturais ocorrem com regularidade.

Hume tornou-se extremamente cético quanto à metafísica proposta pelos racionalistas. Para ele, o “espírito” enquanto substância não pode existir e tudo o que não existe para os sentidos não tem validade como conhecimento, pois não pode ser experimentado. O que me leva a acreditar em certas coisas que não vejo ou não posso tocar, por exemplo, é a crença sustentada pelo hábito. O “eu” metafísico não pode existir, mas sim a natureza humana, ou seja, a maneira pela qual as ideias são naturalmente associadas pelo pensamento.

O empirismo de David Hume foi, sem dúvida, o mais importante entre todos, de tal maneira que influenciou muitos outros pensadores da época, principalmente o alemão Immanuel Kant.

Referência: CHAUI, M. Convite à filosofia. 8. ed. São Paulo: Ática, 1997.

Por: Wilson Teixeira Moutinho