Geografia do Brasil

Urbanização no Brasil

A principal característica da urbanização brasileira é o aumento contínuo e acelerado da população urbana em comparação à diminuição da população rural.

Urbanização no Brasil colonial

Século XVI

A urbanização no país teve início em 1532 com a fundação da Vila de São Vicente, no litoral do atual Estado de São Paulo. A primeira cidade criada no país foi Salvador, em 1549.

As primeiras cidades, fundadas durante o período colonial, tinham como objetivo ser base de apoio para o esforço de colonização promovido pela metrópole portuguesa. Ou seja, mais do que um fenômeno de urbanização, esse era um processo de criação de cidades para a consolidação do poder geopolítico português na América do Sul.

Século XVIII

Verificou-se um surto de urbanização durante o ciclo de mineração, que levou à transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro e o deslocamento do eixo produtivo brasileiro do Nordeste (açucareiro) para o Sudeste.

O crescimento econômico brasileiro passou a ser mais interiorizado.

Urbanização no período da Independência e século XIX

Com a independência do país, o papel mercantil de nossas cidades se reforçou. Os interesses da reprodução capitalista com a ampliação da capacidade de produção industrial, a partir da Inglaterra e em desenvolvimento na Europa, exigiam mercados consumidores. Continuamos a exportar, mas o comércio de importados ampliou-se.

Ao final do século XIX, o fenômeno de urbanização se acelera junto a um crescimento populacional de mais de 40% em 15 anos.

A atividade mineradora se desenvolveu imbricada ao fenômeno de urbanização, dinamizou a economia regional no Sudeste, efetivou uma interiorização do povoamento do território baseada em uma dinâmica marcadamente urbana e complementarmente rural.

Isso constituiu as bases para a consolidação da região Sudeste e de seu dinamismo econômico e territorial, que levaria à formação do triângulo de urbanização-industrialização no eixo São Paulo – Belo Horizonte – Rio de Janeiro.

Urbanização no Brasil no século XX

O processo de urbanização no país teve dois momentos importantes no século XX: os períodos pré e pós as décadas de 1940-1950.

Antes de 1940-1950, as funções político-administrativas, principalmente das unidades federativas, tiveram um peso significativo. Isso se deu porque até o final da Segunda Guerra Mundial a base econômica brasileira era marcadamente agrícola. A agricultura tinha grande influência nas instituições públicas do país.

Depois de 1940-1950, a dinâmica econômica passa a ter um peso mais significativo e impôs novos desafios às áreas urbanas no Brasil. Isso ocorreu devido à industrialização e modernização da produção agrícola a partir da década de 1950.

O perfil de urbanização que se construiu para o Brasil nesse período, reforçou-se com o governo JK – Juscelino Kubitschek – que, com o slogan “50 anos em 5”, promoveu a industrialização e a modernização da economia do país, além de transferir a capital federal para o Planalto Central com a construção de Brasília.

Os governos militares, pós 1964, continuaram a propiciar condições favoráveis aos investimentos estrangeiros no país – por meio da instalação de unidades industriais ligadas a conglomerados econômicos transnacionais – como as indústrias automobilísticas do ABC paulista.

Nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, surgiram políticas liberais nos países subdesenvolvidos, que facilitaram a associação entre o capital internacional e o nacional. Essa associação ofereceu ao capital estrangeiro garantias para a instalação de indústrias, caracterizando as políticas desenvolvimentistas de JK e dos governos militares, até a década de 1970.

No entanto, a transição de uma economia agrária voltada ao mercado externo para uma economia urbana e industrial levou a um deslocamento significativo de trabalhadores do campo para as cidades (êxodo rural).

Com isso, os trabalhadores passaram a ser contratados temporariamente. Ou seja, o trabalhador do campo não é mais, necessariamente, um morador rural, mas cada vez mais urbano.

Urbanização no Brasil no século XXI

Do final do século XX (aproximadamente 1985) até os dias atuais é verificado um período de recessão nos processos de urbanização no Brasil. Isso se deve às crises do petróleo (1973, 1979 e 1985), aumento da dívida externa brasileira e inserção do país na economia globalizada. Esse processo levou a um aumento do desemprego nas cidades e desacelerou o êxodo rural.

As cidades no Brasil atual não são mais apenas um espaço do poder político comercial e um espaço da produção industrial e do seu consumo. As cidades atuais são o lugar da reprodução financeira do capital; o lugar onde circulam as ideias e as informações. É o lugar onde habitam, se educam e se preparam, onde circulam aqueles que se integram ao Brasil urbano-industrial enquanto força de trabalho.

Por: Renan Bardine

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