Paraná

Província desde 1853, quando se desmembrou de São Paulo, o Paraná só se projetou na economia brasileira a partir da primeira metade do século XX, ao se tornar o maior produtor de café do país. Beneficiado também pelo afluxo de imigrantes europeus (poloneses, alemães e italianos), o estado, no final do século, apresentava um panorama de rápida industrialização e progresso em todos os setores da vida social.

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O estado do Paraná situa-se na região Sul do Brasil, onde ocupa uma área de 199.554km2. Limita-se a leste com o oceano Atlântico, ao norte com São Paulo, ao sul com Santa Catarina, a noroeste com Mato Grosso do Sul, a sudoeste com a Argentina e a oeste com o Paraguai. Sua capital é Curitiba.

Geografia física

Geologia e relevo. Cerca de 52% do território do Paraná encontram-se acima de 600m e 89% acima de 300m; somente três por cento ficam abaixo de 200m. O quadro morfológico é dominado por superfícies planas dispostas a grande altitude, compondo planaltos escarpados formam as serras do Mar e Geral. Cinco unidades de relevo sucedem-se de leste para oeste, na seguinte ordem: baixada litorânea, serra do Mar, planalto cristalino, planalto paleozóico e planalto basáltico.

Mapa Paraná

A baixada litorânea forma uma faixa de terras baixas com cerca de vinte quilômetros de largura média. Compreende terrenos baixos e inundáveis (planícies aluviais e formações arenosas) e morros cristalinos com aproximadamente cinqüenta metros de altura. Em sua porção setentrional, a baixada litorânea se fragmenta para dar lugar à baía de Paranaguá, cujo aspecto digitado resulta da penetração do mar através de antigos vales fluviais, isto é, da formação de rias.

A serra do Mar constitui o rebordo oriental do planalto cristalino e domina com suas enérgicas escarpas a planície litorânea. No estado do Paraná, ao contrário do que ocorre em São Paulo, a serra apresenta-se fragmentada em maciços isolados, entre os quais se insinua o nível do planalto cristalino (900m) até alcançar a borda oriental. Em geral, os maciços ultrapassam em cem metros essa cota. Isso faz com que no Paraná a serra do Mar, além da escarpa que se volta para leste com um desnível de mil metros, também apresente uma escarpa interior, voltada para oeste. No entanto, esta mostra um desnível de apenas cem metros.

O planalto cristalino, também chamado primeiro planalto do Paraná, apresenta uma faixa de terrenos cristalinos, que se estende em sentido norte-sul, a oeste da serra do Mar, com uma largura média de cem metros e cerca de 900m de altura. A topografia varia de acidentada, ao norte, a suavemente ondulada, ao sul. Um antigo lago, hoje atulhado de sedimentos, forma a bacia sedimentar de Curitiba.

O planalto paleozóico, também chamado segundo planalto do Paraná ou planalto dos Campos Gerais (ou Ponta Grossa), desenvolve-se em terrenos do período paleozóico. É limitado, a leste, por uma escarpa, a Serrinha, que cai para o planalto cristalino e, a oeste, pelo paredão da serra Geral, que sobe para o planalto basáltico. O planalto paleozóico apresenta topografia suave e ligeira inclinação para oeste: em sua extremidade oriental alcança 1.200m de altura e, na base da serra Geral, a oeste, registra apenas 500m. Forma uma faixa de terras de aproximadamente cem quilômetros de largura e descreve uma gigantesca meia-lua, cuja concavidade se volta para leste.

O planalto basáltico, ou terceiro planalto do Paraná, também chamado planalto de Guarapuava, é a mais extensa das unidades de relevo do estado. Limita-o, a leste, a serra Geral, que, com um desnível de 750m, domina o planalto paleozóico. A oeste, o limite é assinalado pelo rio Paraná, que a jusante do ponto onde ficavam os saltos de Sete Quedas forma impressionante desfiladeiro (na verdade, o planalto prolonga-se para além dos limites do estado do Paraná e constitui parte dos territórios de Mato Grosso do Sul, do Paraguai e da Argentina).

Tal como o planalto paleozóico, o planalto basáltico descamba suavemente para o ocidente: cai de 1.250m, a leste, para 300m nas margens do Paraná (a montante de Sete Quedas). Formado por uma sucessão de derrames de basalto, empilhados uns sobre os outros, esse planalto ocupa toda a metade ocidental do estado. Seus solos, desenvolvidos a partir dos produtos da decomposição do basalto, constituem a “terra roxa”, famosa pela fertilidade.

Clima

Três tipos climáticos caracterizam o estado do Paraná: os climas Cfa, Cfb e Cwa da classificação de Köppen. O clima Cfa, subtropical com chuvas bem distribuídas durante o ano e verões quentes, ocorre em duas partes distintas do estado, na planície litorânea e nas porções mais baixas do planalto, isto é, em sua porção ocidental. Registra temperaturas médias anuais de 19o C e pluviosidade de 1.500mm anuais, algo mais elevada na costa que no interior.

O clima Cfb, subtropical com chuvas bem distribuídas durante o ano e verões amenos, ocorre na porção mais elevada do estado e envolve o planalto cristalino, o planalto paleozóico e a parte oriental do planalto basáltico. As temperaturas médias anuais oscilam em torno de 17o C e a pluviosidade alcança cerca de 1.200mm anuais.

O clima Cwa, subtropical com verões quentes e invernos secos, ocorre na porção noroeste do estado. É o chamado clima tropical de altitude, pois ao contrário dos dois acima descritos, que registram chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, este apresenta pluviosidade típica dos regimes tropicais, com invernos secos e verões chuvosos. A temperatura média anual oscila em torno de 20o C e a pluviosidade alcança 1.300mm anuais. Quase todo o estado está sujeito a mais de cinco dias de geada por ano, mas na porção meridional e nas partes mais elevadas dos planaltos registram-se mais de dez dias. A neve aparece esporadicamente na área de Curitiba.

Vegetação

Dois tipos de vegetação ocorrem no Paraná: florestas e campos. As florestas subdividem-se em tropicais e subtropicais. Os campos, em limpos e cerrados. A floresta tropical é parte da mata atlântica, que recobria toda a fachada oriental do país com suas formações latifoliadas. No Paraná, ocupava primitivamente uma área equivalente a 46% do estado, aí incluídas as porções mais baixas (baixada litorânea, encostas da serra do Mar, vales do Paraná, Iguaçu, Piquiri e Ivaí) ou de menor latitude (toda a parte setentrional do estado).

A floresta subtropical é uma floresta mista, composta por formações de latifoliadas e de coníferas. Estas últimas são representadas pelo pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), que não aparece em agrupamentos puros. A floresta mista ou mata dos pinheiros recobria as porções mais elevadas do estado, isto é, a maior parte do planalto cristalino, a porção mais oriental do planalto basáltico e pequena parte do planalto paleozóico. Essa formação ocupava 44% do território paranaense e ainda parte dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente, das florestas do país é a que sofre maior exploração econômica, por ser a única que apresenta grande número de indivíduos da mesma espécie (pinheiros) em agrupamentos suficientemente densos (embora não puros) para permitir fácil extração.

Além do pinheiro, a floresta mista oferece também espécies latifoliadas de valor econômico, como a imbuia, o cedro e a erva-mate. No final do século XX, apenas pequena parte das formações florestais subsistiam no estado. A derrubada para exploração de madeira e formação de campo para agricultura ou pastagens foi responsável por sua quase completa eliminação. As últimas reservas florestais do Paraná acham-se na planície litorânea, na encosta da serra do Mar e nos vales dos rios Iguaçu, Piquiri e Ivaí.

Os campos limpos ocorrem sob a forma de manchas esparsas através dos planaltos paranaenses. A mais extensa dessas manchas é a dos chamados campos gerais, que recobrem toda a porção oriental do planalto paleozóico e descrevem imensa meia-lua no mapa de vegetação do estado. Outras manchas de campo limpo são as de Curitiba e Castro, no planalto cristalino, as de Guarapuava, Palmas e outras, menores, no planalto basáltico. Os campos limpos ocupam cerca de nove por cento do território paranaense. Os campos cerrados têm pouca expressão no Paraná, onde ocupam área muito reduzida — menos de um por cento da superfície estadual. Formam pequenas manchas no planalto paleozóico e no planalto basáltico.

Hidrografia

A rede de drenagem compreende rios que correm diretamente para o litoral e rios que correm para oeste, tributários do Paraná. Os primeiros têm cursos pouco extensos, pois nascem a pequena distância da costa. Os mais longos são os que se dirigem para o estado de São Paulo, onde vão engrossar as águas do rio Ribeira de Iguape. A maior parte da superfície estadual fica, assim, sob domínio dos tributários do rio Paraná, dos quais os mais extensos são o Paranapanema, que faz o limite com São Paulo, e o Iguaçu, que faz, em parte, o limite com Santa Catarina e Argentina. O rio Paraná assinala os limites ocidentais do estado, a separá-lo de Mato Grosso e do Paraguai.

No ponto de convergência das linhas divisórias de Mato Grosso do Sul-Paraguai, Paraná-Mato Grosso do Sul e Paraná-Paraguai encontravam-se os saltos de Sete Quedas, formados pelo rio Paraná ao descer do planalto basáltico para a garganta que o conduzia à planície platina. Em 1982 dois saltos foram submersos, sob protesto dos ambientalistas, pelo lago da represa de Itaipu. Mais ao sul, o rio Iguaçu desce também do planalto basáltico em direção à mesma garganta. Forma então os saltos do Iguaçu, que não foram afetados pela construção da barragem, por situar-se Itaipu a montante da confluência dos dois rios.

População

Elevadas taxas de crescimento populacional caracterizaram o Paraná entre as décadas de 1940 e 1960, devido a consideráveis contingentes humanos provindos, em grande parte, dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Essas correntes migratórias prendiam-se à expansão, através do território paranaense, de áreas agrícolas de São Paulo e Santa Catarina, que se deslocaram em busca de solos florestais ainda virgens. As áreas mais povoadas do estado são as de Curitiba, do norte e do oeste.

No começo do século XX, a população do Paraná alcançava apenas cerca de 330.000 habitantes, e em 1950 ainda mal passava dos dois milhões. Verificou-se, desse período em diante, um rápido processo de urbanização. Não só aumentou muito o número de cidades como os centros mais importantes passaram por acentuado aumento populacional.

Rede urbana

As maiores cidades do estado, além de sua capital, Curitiba, são Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Colombo, Paranaguá, Umuarama, Apucarana e Campo Mourão.

O território paranaense se encontra situado dentro da área de influência da cidade de São Paulo. A metrópole paulista comanda a vida econômica do estado por intermédio dos centros urbanos de Ourinhos, em São Paulo, e Jacarezinho, Maringá, Londrina e Curitiba, no Paraná. Ourinhos e Jacarezinho dominam, em conjunto, a porção oriental do norte do Paraná; Londrina o centro da região, e Maringá, a parte ocidental.

Curitiba serve a todo o resto do estado do Paraná e ainda a quase todo o estado de Santa Catarina, excluindo-se no leste a região de Tubarão e, no oeste, a de Chapecó. A ação da capital, em sua área de influência paranaense, se faz sentir diretamente ou por meio dos centros intermediários de Ponta Grossa e Pato Branco. A área de influência direta compreende todo o leste e o sudeste do estado. Pato Branco serve à porção sudoeste, e Ponta Grossa, todo o centro e o oeste.

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Economia

Agricultura e pecuária

As principais riquezas agrícolas do Paraná são o trigo, o milho e a soja, produtos de que já obteve safras recordistas, na competição com outros estados. A cultura da soja é a mais recente das três e expandiu-se tanto no norte como no oeste do estado e, posteriormente, no sul. Também é importante a produção de algodão herbáceo, principalmente no norte. A cafeicultura, que se segue entre as riquezas da terra, se não goza do mesmo esplendor do passado, ainda conserva o Paraná entre os maiores produtores do país. Sua maior densidade cobre a área a oeste de Apucarana. Vêm em seguida as terras da zona de Bandeirantes, Santa Amélia e Jacarezinho.

No que diz respeito à pecuária, o Paraná conta com grande rebanho de bovinos e está sempre entre os principais criadores brasileiros de suínos, especialmente no centro, sul e leste do estado. Nas últimas décadas, os rebanhos tanto de bois como de porcos expandiram-se bastante. Como nos outros estados da região Sul, são diferentes, no Paraná, os modos como se usa a terra de campo ou floresta. Em geral, nas zonas de campo, pratica-se a criação extensiva; nas zonas de floresta, desenvolvem-se as plantações e pastos artificiais para a engorda. São ainda significativos, no Paraná, a produção de ovos, de casulos do bicho-da-seda, mel e cera de abelha.

Indústria

Na segunda metade do século XX, as atividades industriais tomaram impulso considerável na economia paranaense. Foi em decorrência desse impulso que se deu a crescente urbanização, não só na região em torno de Curitiba, como em pólos do interior, a exemplo de Ponta Grossa, Londrina e Cascavel. Os principais gêneros de indústria são os de produtos alimentícios e de madeira. Curitiba é o maior centro industrial e os principais setores de sua indústria são o alimentar e de mobiliário, de madeira, minerais não-metálicos, produtos químicos e bebidas. O setor de madeira acha-se disperso no interior, com centros de importância em União da Vitória, Guarapuava e Cascavel.

O centro mais significativo dos produtos alimentícios é Londrina. A principal unidade industrial do estado é a Companhia Fabricadora de Papel do grupo Klabin, instalada no conjunto da Fazenda Monte Alegre, no município de Telêmaco Borba.

Energia e mineração

Além das hidrelétricas de Capivari-Cachoeira, no rio Capivari, a nordeste de Curitiba, e de Júlio Mesquita Filho, no rio Chopim, no sudoeste do estado, funciona no Paraná a usina hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo, na fronteira com o Paraguai, e construída em conjunto com esse país. Concluída em 1991, só então passou a usar toda a sua capacidade, de 12.600MW, o que fez do Paraná o maior produtor de energia elétrica do país.

O subsolo paranaense é muito rico em minerais. Ocorrem reservas consideráveis de areia, argila, calcário, caulim, dolomita, talco e mármore, além de outras menores (baritina, cálcio). A bacia carbonífera do estado é a terceira do país, e a de xisto, a segunda. Quanto aos minerais metálicos, foram medidos depósitos de chumbo, cobre e ferro.

Uma riqueza essencialmente paranaense, a dos pinheirais, esteve bastante ameaçada pela indústria madeireira e pela agricultura extensiva. Em 1984, o Instituto de Terras e Cartografia do Paraná informava que as florestas do estado estavam reduzidas a 11,9% do que haviam sido cinqüenta anos antes, quando se implantou no Paraná o primeiro código florestal. Do final da década de 1980 em diante, o governo passou a disciplinar o uso do solo e dos recursos florestais de acordo com uma política de proteção ao meio ambiente e de ininterrupto reflorestamento.

Transportes

O sistema ferroviário paranaense desfruta de notável participação na vida econômica do estado. Compreende dois setores: um setor norte, que serve à região do norte do Paraná, e um setor meridional, que faz as ligações de Paranaguá com Curitiba e Guarapuava. Os dois setores se unem com uma linha de sentido norte-sul que passa por Ponta Grossa e Castro. Essa linha é parte do tronco ferroviário que liga o Rio Grande do Sul a São Paulo e, em virtude de seu traçado, não permite uma ligação eficiente do porto de Paranaguá à principal região agrícola do estado, que é o norte do Paraná.

Com a conclusão, na década de 1970, da ligação direta entre o porto de Paranaguá e a cidade de Apucarana, essa situação foi sanada, e o trajeto reduziu-se de 630 para 330km. Também se concluiu a extensão dos setores ferroviários norte e sul até os limites ocidentais do estado, o primeiro até Guaíra e o segundo até Foz do Iguaçu.

A rede de rodovias pavimentadas compreende duas estradas de penetração, no sentido leste-oeste: a ligação Ourinhos SP-Londrina-Apucarana-Maringá-Paranavaí; e a ligação Paranaguá-Curitiba-Ponta Grossa-Guarapuava-Cascavel-Foz do Iguaçu. Em sentido transversal, figuram as ligações Apucarana-Ponta Grossa, Sorocaba SP-Curitiba e São Paulo SP-Curitiba-Rio Negro. Esta última prolonga-se até o extremo sul do Rio Grande do Sul e é parte da BR-116, que chega até o Nordeste.

O porto de Paranaguá, um dos mais importantes portos do país, foi objeto de um intenso programa de modernização, com dragagem, ampliação do cais, renovação de equipamento, inclusive a construção de um terminal de contêineres e de silos com unidades sugadoras.

Cultura e turismo

A Universidade Federal do Paraná foi fundada em 1912, e a Universidade Católica do Paraná, em 1959. Dos museus existentes no estado, o mais importante é o Museu Paranaense, em Curitiba, fundado em 1876 pelo historiador Agostinho Ermelino de Leão, com coleções históricas, etnográficas e arqueológicas, além de biblioteca.

Outra instituição importante é o Museu Coronel Davi Antônio da Silva Carneiro, também na capital. Suas coleções, como as do Paranaense, foram tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Seu acervo possui peças arqueológicas, etnográficas e numismáticas. Em Paranaguá, dois museus atraem os visitantes: o Museu de Arqueologia e Artes Populares, mantido pela Universidade Federal do Paraná e que funciona no antigo Colégio dos Jesuítas, e o Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá.

Pontos Turístico Paraná

O Patrimônio Histórico também tombou, no estado, diversos monumentos de valor arquitetônico e histórico, como a igreja matriz de São Luís, em Guaratuba, a igreja matriz de Santo Antônio, a casa histórica da praça Coronel Lacerda, a casa onde morreu o general Carneiro, na rua Francisco Cunha, o pavimento superior da Casa da Cadeia, em Lapa, a antiga residência jesuítica, na rua Quinze de Novembro, e a fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres (ou da Barra), na ilha do Mel, em Paranaguá.

Entre as festas religiosas, são especialmente representativas a de Nossa Senhora da Luz, em Curitiba, e a de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, acompanhada de grande procissão. Entre as festas populares, sobressai a Congada da Lapa, de origem africana e em homenagem a São Benedito, na cidade de Lapa. Várias danças populares subsistem em localidades do interior: o curitibano, dança de roda aos pares, o quebra-mana, dança sapateada, a valsada, e o nhô-chico, no litoral. As várias comunidades de origem européia conservam danças, cantos e trajes de seus países, sobretudo as de origem alemã.

Cortado de boas estradas e pontilhado de bons restaurantes, o Paraná é um estado muito atraente para o turismo. Merecem a atenção do visitante a capital, com seus museus, jardins e universidades, o teatro Guaíra, o Passeio Público (com o jardim zoológico), os monumentos históricos de Guaratuba, Lapa e Paranaguá, e principalmente a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, uma das obras mais notáveis da engenharia brasileira. Dos trens que a atravessam, descortina-se magnífico panorama que envolve ao mesmo tempo paisagens da serra e do litoral.

A ferrovia foi projetada, no segundo reinado, por Antônio Rebouças, irmão (prematuramente falecido) do engenheiro, monarquista e abolicionista André Rebouças. Contra a opinião de especialistas estrangeiros que o governo convidara a opinar, a estrada, aberta ao tráfego em 1885, foi construída num traçado em linha de simples aderência. Tem 111km de extensão, 41 pontes e 13 túneis, 12 dos quais escavados na rocha viva, além do arrojado viaduto Vicente de Carvalho, com 84m de extensão. Muitas dessas obras de arte, concebidas para vencer as passagens mais difíceis, ainda são consideradas de grande audácia, para a topografia da região.

São numerosos os acidentes naturais de interesse turístico no Paraná, como as formações rochosas de arenito vermelho de Vila Velha, que parecem dolmens, nos arredores de Ponta Grossa; as grutas calcárias de Campinhos, em Rio Branco do Sul, e do Monge, em Lapa; as cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu; o Parque Nacional do Iguaçu, com sua reserva florestal; a ilha do Mel, com sua bela praia, o farol, a gruta e a fortaleza histórica da Barra, em Paranaguá; os balneários de Pontal do Sul, Praia do Leste, Matinhos, Caiobá e Guaratuba.

A cozinha paranaense testemunha as diversidades da origem de sua população. O prato mais típico do estado é o barreado, apreciado em toda a região litorânea e feito à base de carne cozida, por muito tempo, em panela de barro, até desmanchar-se. O churrasco é, como em todo o sul, um dos pratos mais característicos do interior, juntamente com os das comunidades de tradição alemã, polonesa e italiana.

Rio Itaipu

Barragem e usina hidrelétrica no rio Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai. É uma das maiores do mundo. Construída entre 1975 e 1991, foi programada para fornecer 12.600MW. Em 1982, os saltos de Sete Quedas foram submersos pelas águas da barragem, sob protesto dos ambientalistas.

Autoria: Idoraldo Dassi Gonçalves

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